sábado, 18 de junho de 2011

GREVE - MOVIMENTO HISTÓRICO DA EDUCAÇÃO. TEXTOS SOBRE A GREVE HISTÓRICA DOS PROFESSORES DE SANTA CATARINA











Veja como Votaram os deputados






OS TEXTOS ABAIXO FORAM COPIADOS DE VÁRIOS LUGARES, PRINCIPALMENTE DO BLOG DO JORNALISTA MOACIR PEREIRA

Não devemos ter medo dos confrontos.
Até os planetas se chocam,
e do caos nascem as estrelas..”
Charles Chaplin.”




A música dos acampados
3 de julho de 2011

Os professores que estão há dias acampados na Praça Tancredo Neves,em condições absolutamente precárias, rodam com frequência duas músicas. Uma, a marca da greve durante o governo Pedro Ivo Campos, de Mercedes Sosa. Outra, que se transformou em hino contra o regime militar e pela redemocratização,de Geraldo Vandré.




Eu só peço a Deus - Beth Carvalho

Eu só peço a Deus
Que a dor não me seja indiferente
Que a morte não me encontre um dia
Solitário sem ter feito o q'eu queria

Eu só peço a Deus
Que a dor não me seja indiferente
Que a morte não me encontre um dia
Solitário sem ter feito o que eu queria

Eu só peço a Deus
Que a injustiça não me seja indiferente
Pois não posso dar a outra face
Se já fui machucada brutalmente

Eu só peço a Deus
Que a guerra não me seja indiferente
É um monstro grande e pisa forte
Toda fome e inocência dessa gente

Eu só peço a Deus
Que a mentira não me seja indiferente
Se um só traidor tem mais poder que um povo
Que este povo não esqueça facilmente


Eu só peço a Deus
Que o futuro não me seja indiferente
Sem ter que fugir desenganando
Pra viver uma cultura diferente

Com reza e torcida por um entendimento entre o governo e o comando de greve, certamente o sentimento da maioria da população, “Pra não dizer que não falei de flores”, acompanhada deste magnífico pensamento de Fernando Pessoa:


Geraldo Pedroso de Araújo Dias Vandregísilo, o Geraldo Vandré,nasceuJoão Pessoa, 12 de setembro de 1935) é um cantor e compositor brasileiro. Seu sobrenome é uma abreviatura do sobrenome do seu pai, José Vandregísilo. Ele compôs, também, “Disparada”, que tanto sucesso fez na voz de Jair Rodrigues, vencedora de fato do Festival de Canção da Record em 1966. Vandré, magnânimo, solicitou que “A Banda” de Chico Buarque dividisse o primeiro lugar com “Disparada”. Em 1968 ao defender “Para não dizer que não falei de flores” criou um dos hinos da resistência ao regime militar que ficou conhecido pela primeira palavra: “Caminhando”. Após, o exílio, compôs “Fabiana”, em homenagem às Forças Aéreas Brasileiras. Geraldo Vandré abandonou a vida pública e, vive afastado do mundo artístico. Simone foi a primeira artista a cantar Pra não dizer que não falei de flores após do fim da censura. Ainda em 1968, com o AI-5, Vandré foi obrigado a exilar-se. Depois de passar dias escondido na fazenda da viúva de Guimarães Rosa, falecido no ano anterior, o compositor partiu para o Chile e, de lá, para a França. Voltou ao Brasil em 1973. A canção “Para não dizer que não falei de flores” foi usada em 2006 pelo Governo Federal como trilha musical para publicidade de suas Políticas de Educação como o ProUni e o ENEM, sendo executada em um ritmo diferente. Dessa forma, a música que foi considerada uma ameaça ao governo ditatorial passou a ser usada para publicidade do governo no período democrático.



Caminhando e cantando
E seguindo a canção
Somos todos iguais
Braços dados ou não
Nas escolas, nas ruas
Campos, construções
Caminhando e cantando
E seguindo a canção

Vem, vamos embora
Que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora
Não espera acontecer

Pelos campos há fome
Em grandes plantações
Pelas ruas marchando
Indecisos cordões
Ainda fazem da flor
Seu mais forte refrão
E acreditam nas flores
Vencendo o canhão

Vem, vamos embora
Que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora
Não espera acontecer

Há soldados armados
Amados ou não
Quase todos perdidos
De armas na mão
Nos quartéis lhes ensinam
Uma antiga lição:
De morrer pela pátria
E viver sem razão

Vem, vamos embora
Que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora
Não espera acontecer

Nas escolas, nas ruas
Campos, construções
Somos todos soldados
Armados ou não
Caminhando e cantando
E seguindo a canção
Somos todos iguais
Braços dados ou não

Os amores na mente
As flores no chão
A certeza na frente
A história na mão
Caminhando e cantando
E seguindo a canção
Aprendendo e ensinando
Uma nova lição

Vem, vamos embora
Que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora
Não espera acontecer

Abençoados
23 de junho de 2011


Elaine Cristina de Souza diz:
5 de julho de 2011 às 7:35 pm
Pois é pessoal… Recuo estratégico é a palavra correta para definir o momento.
Diante dos discursos o que percebo é que o movimento está desgastado. O sr. Colombo uma raposa ardilosa ao desviar o foco do Piso para o corte da regência e ganhou muito tempo com isso.
Pois bem, não estou feliz em voltar para a escola com este acordo, porém acredito que é melhor retomarmos nossas atividades esclarecer bem os alunos dos motivos que aceitamos e ficar muito alerta sobre o os resultados do grupo de estudo.
Não devemos ser inocentes e acreditar que a LEI vai ser cumprida, pois o governador já deu provas de que não haverá nesse momento o pagamento integral.
VALE A CERTEZA QUE ESTAMOS RECUANDO E NÃO ENTREGANDO OS PONTOS.



“Boa noite Moacir,
Esta noite eu e muitos professores deste Estado sentimo-nos valorizados após tantos dias de desgaste psiquico e emocional.
Estávamos participando de uma missa carismática na igreja de Santa Terezinha do Menino Jesus, aos pés do Morro do Mocotó, onde fomos lembrados pelo pároco – Pe. Valmir.
Gostaria de agradecê-lo pelos momentos em que nos sacudiu e nos mostrou que não podemos desanimar diante dos problemas.
Pe. Valmir conduziu a missa, abençoando todos os educadores e mostrando a importância destes para a sociedade.
Apresentou-nos JESUS, como o primeiro e o maior professor de todos os tempos, quando ensinava o povo de sua época.
Ao final da celebração, todos os professores foram chamados ao centro da igreja para receber uma bênção e para nossa surpresa, o povo em massa nos aplaudiu, mostrando respeito e consideração pelo trabalho de cada professor ali presente!
Deixo registrado aqui os meus sinceros agradecimentos a toda a comunidade, que continua nos apoiando e reconhece a nossa luta.
Foi um momento maravilhoso que guardarei na memória!!!!!!”

ENQUANTO ISSO AQUI EM ILHOTA...


ABAIXO ASSINADO - 1 MILHÃO DE ASSINATURAS PELA EDUCAÇÃO -

No domingo 19/06 em Ilhota houve a festa Rua dos Amigos (ESTRAATFEEST). Os PROFESSORES GREVISTAS da E.E.B. Marcos Konder pediu um espaço para colocar duas mesas e cadeiras para colher assinaturas e esclarecer a comunidade e as famílias ilhotenses sobre O por que da GREVE DOS PROFESSORES? Tivemos nosso pedido negado pelo Secretário Paulo Wilmar Batista. Não desanimamos e colocamos as mesas e cadeiras longe da festa, em frente a casa de uma professora. As pessoas que lá passavam eram chamadas para assinar o abaixo assinado e esclarecimentos. O Prefeito Municipal não quis assinar. Outras pessoas menos esclarecidas confundiam a greve estadual com a municipal. Nada a ver. Os professores do município nem estão em greve. Pura ignorância? Teve até filha de professora que não quis assinar porque sua mãe não estava em greve. Casal amigo do Prefeito e donos de loja também não quiseram assinar. Por que sua filha é funcionária da prefeitura? Respeitamos as opiniões. Mas ...
Cabe lembrar que a greve é um movimento justo e constitucionalmente assegurado a todos os trabalhadores públicos e privados, nos termos do art. 9º e do art. 37, VII da Constituição Federal.

Inclusive, no caso dos trabalhadores do setor público, o direito de greve já foi garantido pelo Supremo Tribunal Federal (Mandado de Injunção n. 708).

ABAIXO ASSINADO - 1 MILHÃO DE ASSINATURAS PELA EDUCAÇÃO

Eu apoio a greve dos Trabalhadores em Educação pela defesa do(a):

* Piso nacional do magistério na carreira;
* Escola pública, gratuita e de qualidade;
* Aplicação dos recursos da Educação exclusivamente na Educação.

NOME RG ou CPF MUNICÍPIO ASSINATURA


Sibeli Dassoler diz:
5 de julho de 2011 às 1:01 pm

“Vamos celebrar nosso governo e nosso estado que não é nação…
Celebrar a juventude sem escolas…
Celebrar nossa desunião…
Vamos celebrar a aberração de toda a nossa falta de bom senso, nosso descaso por educação…
Vamos celebrar o horror de tudo isto com festa, velório e caixão…”

(Sábio – Renato Russo)


Perfeição - Legião Urbana
Composição: Renato Russo

Vamos celebrar
A estupidez humana
A estupidez de todas as nações
O meu país e sua corja
De assassinos
Covardes, estupradores
E ladrões...

Vamos celebrar
A estupidez do povo
Nossa polícia e televisão
Vamos celebrar nosso governo
E nosso estado que não é nação...

Celebrar a juventude sem escolas
As crianças mortas
Celebrar nossa desunião...

Vamos celebrar Eros e Thanatos
Persephone e Hades
Vamos celebrar nossa tristeza
Vamos celebrar nossa vaidade...

Vamos comemorar como idiotas
A cada fevereiro e feriado
Todos os mortos nas estradas
Os mortos por falta
De hospitais...

Vamos celebrar nossa justiça
A ganância e a difamação
Vamos celebrar os preconceitos
O voto dos analfabetos
Comemorar a água podre
E todos os impostos
Queimadas, mentiras
E seqüestros...

Nosso castelo
De cartas marcadas
O trabalho escravo
Nosso pequeno universo
Toda a hipocrisia
E toda a afetação
Todo roubo e toda indiferença
Vamos celebrar epidemias
É a festa da torcida campeã...

Vamos celebrar a fome
Não ter a quem ouvir
Não se ter a quem amar
Vamos alimentar o que é maldade
Vamos machucar o coração...

Vamos celebrar nossa bandeira
Nosso passado
De absurdos gloriosos
Tudo que é gratuito e feio
Tudo o que é normal
Vamos cantar juntos
O hino nacional
A lágrima é verdadeira
Vamos celebrar nossa saudade
Comemorar a nossa solidão...

Vamos festejar a inveja
A intolerância
A incompreensão
Vamos festejar a violência
E esquecer a nossa gente
Que trabalhou honestamente
A vida inteira
E agora não tem mais
Direito a nada...

Vamos celebrar a aberração
De toda a nossa falta
De bom senso
Nosso descaso por educação
Vamos celebrar o horror
De tudo isto
Com festa, velório e caixão
Tá tudo morto e enterrado agora
Já que também podemos celebrar
A estupidez de quem cantou
Essa canção...

Venha!
Meu coração está com pressa
Quando a esperança está dispersa
Só a verdade me liberta
Chega de maldade e ilusão
Venha!
O amor tem sempre a porta aberta
E vem chegando a primavera
Nosso futuro recomeça
Venha!
Que o que vem é Perfeição!...

Regiane de Jesus Vieira diz:
5 de julho de 2011 às 1:03 pm

Com todo o respeito senhora Marta VANELLI. EU ESTAVA PRESENTE NA REGIONAL DE ITAJAÍ QUANDO FOI APRESENTADA A 2ª PROPOSTA DO GOVERNO . A SENHORA ESTAVA LÁ JUNTO COM O VIEIRA,(TAMBÉM DO SINTE) E O DISCURSO DE VOCÊS JÁ NAQUELE DIA ERA PARA SUSPENDER A GREVE, SAÍMOS DA REGIONAL EU E MEUS COLEGAS DE LUTA COMENTANDO SOBRE A ATITUDE DE VOCÊS. QUANDO CHEGOU NA ASSEMBLEIA ESTADUAL, COM CERCA DE 15 MIL PROFESSORES VOCÊS MUDARAM OS SEUS DISCURSOS. O “VIEIRA” PEGOU O MICROFONE E FALOU TOTALMENTE DIFERENTE DO DISCURSO QUE FOI DEIXADO NA REGIONAL DE ITAJAÍ. E ONTEM ACONTECEU A MESMA COISA NA REGIONAL DE ITAJAÍ, O ” VIEIRA ” FALOU A FAVOR DA SUSPENSÃO DA GREVE E VOTOU A FAVOR DA MESMA.PORÉM MEUS COLEGAS DE LUTA SE MANTERÃO FIRMES E FOI UNANIME A VOTAÇÃO PARA A CONTINUIDADE DA GREVE. QUERO DEIXAR REGISTRADO A MINHA INDIGNAÇÃO REFERENTE A VOCÊS QUE SE DIZEM REPRESENTANTES DA CATEGORIA DOS PROFESSORES. PARA MIM VOCÊS ESTÃO SENDO REPRESENTANTES DO GOVERNO DENTRO DA CATEGORIA. ESTOU MUITO DECEPCIONADA COM TODA ESTA POSTURA POR PARTE DE ALGUNS DO SINTE E AGORA EU ENTENDO PORQUE QUE ESTA GREVE NÃO ACONTECEU ANTES… INFELIZMENTE EXISTEM representantes e REPRESENTANTES. TAMBÉM FIQUEI TRISTE COM A POSTURA DE VOCÊS, QUE PASSAVAM EM FRENTE AO ACAMPAMENTO DOS PROFESSORES DA ALESC E NÃO FORAM CAPAZES DE PERGUNTAR SE ELES ESTAVAM PRECISANDO DE ALGO. QUEM LHES AJUDOU FOI OUTRO SINDICATO (QUE AGORA NÃO ME RECORDO O NOME). ACREDITO QUE DEPOIS DESTA GREVE , MUITA COISA TEM DE SER MUDADA A COMEÇAR PELOS REPRESENTANTES DO SINDICATO. TAMBÉM É A PRIMEIRA VEZ QUE PARTICIPO DE UMA GREVE E SABE POR QUÊ ? PORQUE AGORA É LEI O PISO NACIONAL NA CARREIRA. E EU COMO OS MEUS COLEGAS SÓ VAMOS SAIR DESTA LUTA QUANDO ESTIVERMOS COM O PISO NA CARREIRA, NEM QUE SEJA PARCELADO EM 10 , 20 OU 30 VEZES. SOU A PROFESSORA REGIANE DE JESUS VIEIRA, TRABALHO NA EEB MARCOS KONDER. FIRME NA LUTA ATÉ O FIM. PEÇO A DEUS DISCERNIMENTO E CORAGEM PARA TODOS OS PROFESSORES. FIQUEM COM DEUS… MOACIR VOCÊ PODERIA PUBLICAR ESTE MEU COMENTÁRIO, SE VOCÊ ACHAR CONVENIENTE É CLARO. OBRIGADA E FIQUE COM DEUS.



A inspiração
8 de julho de 2011

“Nem Che, nem Marx, nem Anita…
Minha inspiração são os cobradores e motoristas de ônibus..
Toda a manhã, quando pego o ônibus, invariavelmente às 6:15 hs da manhã, recebo uma leve reverência do motorista e do cobrador do meu ônibus, Forquilhinhas, da Viação Estrela. Eles sabem que sou professora. Me chamam de senhora professora. Confesso que fico orgulhosa, me sinto especial, quem não gosta de carinho e respeito? Estes profissionais, não sei o real grau de instrução dos dois (mas observo que o rapaz na roleta está sempre lendo um livro), conquistaram minha admiração. Mal ameaçaram entrar em greve, foi uma calamidade. O corre-corre deu-se em todas as áreas: afetaria o emprego de muitos, os estudos, o lazer, um caos. Todos os dias perguntava ao Danilo, sim, o menino que lê, se entrariam mesmo em greve, coincidentemente (ou não) quase junto conosco. Ele respondia, muito educado, que ainda não sabia, estavam decidindo. Não vi motoristas batendo em panelas, não vi cobradores acampados em frente a Secretaria de Transportes , não soube de marcha de trabalhadores dos transportes pela capital. O que conseguiram, de concreto, eu não sei. Mas conseguiram, tanto que nem entraram em greve. Não houve novela, não houve juiz , não houve humilhação.
Pergunto: por que os professores têm tanta dificuldade em conseguir melhorias salariais (falo só nas salariais para não perder o foco)?
Algumas possibilidades:
1. O patrão é mais acessível?
2. Transporte é mais importante que Educação?
3. Não temos razão em nossas reivindicações?
4. Dá pra ficar 50 dias sem escola mas não dá pra ficar 1 dia sem transporte?
5. Apesar de formados e especializados, professores experientes são mais fáceis de substituir do que motoristas experientes?
6. Preciso perguntar mais???????
Meus respeitos aos nobres motoristas e cobradores de Florianópolis, aos metalúrgicos paulistas, àqueles que inspiraram os trabalhadores deste país e nos fazem crer que movimentos legítimos serão, invariavelmente, atendidos.
Tatiana Parraga da Silva.”

“Que será de nossas crianças?” - 8 de julho de 2011

“Valoroso jornalista Moacir, que nos acompanha nessa longa jornada desde que iniciou essa greve: venho novamente ao teu email trazendo um texto diferente do Guerreiros Anônimos, que enviei da outra vez, mais triste e menos esperançoso: Que será de nossas crianças? Sou educadora e continuo em greve. Sabem por quê? Porque me sinto lesada por terem usurpado meus direitos. Eu tinha uma Lei Federal 11.738 que garantia o piso nacional do magistério que em seu art 6º cita o Plano de Carreira, eu tinha uma decisão do STF que diz que esse piso é vencimento básico, eu tinha um Plano de Carreira fundamentado na Lei Complementar 1.139. E nada disso valeu. Acatarão as decisões judiciais de devolução do pagamento? Não creio, nem se for o Supremo Tribunal Federal que decidir. Alguém aí lembra por que a greve começou? Pelo não cumprimento de uma decisão da própria Suprema Corte. Infelizmente alguns professores voltaram pras salas de aula: cansaram da luta, ficaram com pena das crianças, sentiram a tristeza do “modesto” salário descontado e do não ter recursos para honrar seus compromissos. Ou simplesmente mudaram de idéia e passaram a acreditar que o que pleiteavam era muito. Não os julgo, cada um sabe de seus poréns. Eu, porém, me sinto em um estado sem Leis e olha que elas existem, tenho medo de duvidar até disso um dia. Onde está a justiça se um governante pode fazer o que bem lhe convém? Acho que terei que esperar pela providência divina. Espero que Deus não viaje tanto, não use de tantos subterfúgios e tenha a Educação como uma de suas prioridades. O que mais me choca é saber que somos titulados de intransigentes porque ainda não voltamos para nossas escolas, amargando nossa humilhação. Dá dó dos alunos? Dá mesmo, mas ainda se tivermos que ensiná-los que só cumpre lei quem for subalterno, empregado, porque se for mandante, patrão não precisa. Eu prefiro continuar a luta, porque acredito na Educação e porque sei que ter os professores e alunos em sala de aula não é indicativo de qualidade. Precisamos de professores satisfeitos e motivados, alunos interessados, famílias participativas da vida escolar de seus filhos, estrutura física adequada, além de políticas públicas que garantam a real melhoria do ensino. Por favor, não desvirtuem o nosso movimento dizendo que é uma greve política, não sou filhada e nem simpatizante de nenhum partido político e o “P” que eu defendo é de “PROFESSOR”. Acredito que ainda haja no movimento muitos que pensam como eu. E se há pessoas que se aproveitam da situação a culpa não é nossa. Concluindo gostaria de lembrar à sociedade que ainda há crianças que sonham em ser professores, ontem mesmo minha prima de 8 anos me disse isso. Seguindo o conselho de Shakespeare, fiquei sem graça de responder-lhe “que os sonhos são bobagens e que não devemos acreditar neles” então lhe disse apenas que quem sabe até ela crescer seja dado aos professores o seu devido valor. Ou será que eu devia ter dito pra ela desistir da ideia? Maria Isabel Cordeiro Assistente Técnico-pedagógica E.E.F. Governador Lacerda.”

Diário da despedida - 8 de julho de 2011

“Bom dia, escrevo a todos vocês as últimas palavras, em mistura de pedido, despedida e tristeza, nosso acampamento foi retirado no dia 06/07 após a Assembleia Estadual da categoria (que veio até o nosso encontro, como a mãe que vem buscar o filho), desmontamos nosso acampamento, saímos lentamente após tantas despedidas entre colegas (principalmente os das horas mais difíceis), sai sem olhar para traz para não ver aquele espaço vazio onde foi a minha casa durante os últimos dias em um gesto pessoal de despedida enquanto outros colegas na rua cantavam o hino nacional brasileiro.
Não vou tentar aqui explicar o momento ou meus sentimentos, pois não seria capaz, mesmo com todas as palavras de expressar a milésima parte do sentimento. Quero lhes falar não das dificuldades e sofrimentos do acampamento, quero olhar na direção do futuro, após a tomada da decisão da continuidade da greve, (que me fez ficar com medo das suas consequências).
Contudo, revelou que grande parte da nossa categoria não está disposta a abrir mão de direitos conquistados em lutas históricas, frente ao dilema, entre o medo que me coagia a retroceder somado a preocupação com os educandos e a forte ansiedade que nos consome nos tempos difíceis da vida, mas era preciso olhar o todo, e percebi o que estava quase me escapando (cegado pelo meu medo), meus colegas não estão dispostos a recuar (grande parte ao menos não). A insatisfação não era de uma facção ou corrente dissonante, era de quase toda categoria estadual.
Será que o medo me venceu como a aqueles colegas que não aderiram a greve? (a resposta estava guardada exatamente no fundo do meu coração, nas lembranças das amizades dos colegas de acampamento) retroceder agora neste momento crucial era deixa-los sozinhos para lutar em meu lugar! Isso não posso admitir!
Minha regional (São Miguel do Oeste) optou por retroceder, por isso trouxe na mala além dos meus pertences o compromisso de atuar na reconstrução do movimento, e a partir de agora o grito que não irei deixar calar será “Levanta Oeste. Professor tua categoria precisa de você!”.
Poderia aqui citar inúmeros autores ou filósofos, mas escolho uma simples letra de música (Pedro Bial – Escreva sua História).
“Escreva a sua história na areia da praia, para que as ondas a levem através dos 7 mares. Até tornar-se lenda na boca de estrelas cadentes. Conte a sua história ao vento, cante aos mares para os muitos marujos; cujos olhos são faróis sujos e sem brilho. Escreva no asfalto com sangue, grite bem alto a sua história antes que ela seja varrida na manhã seguinte pelos garis. Abra seu peito em direção dos canhões, Suba nos tanques de Pequim, Derrube os muros de Berlim, Destrua as cátedras de Paris. Defenda a sua palavra, A vida não vale nada se você não viver uma boa história pra contar.”
Nenhum governo tem direito de retirar o sonho e os direitos legítimos de uma categoria em troca de promessas futuras para devolve-los em forma parcelada, e ainda querer nos fazer acreditar que tivemos avanços, chega quem aceita a mentira também é responsável pela corrupção, violência e desestruturação da educação pública, pois tornou-se conivente com aquele que mente e engana o povo, este estigma não vou carregar comigo, basta de mentiras, falácias e subterfúgios a hora é agora.
Por isso para finalizar eu troco meus medos e a tristeza que sinto neste momento pelos riscos de continuar a luta, por isso, vou gritar para meus colegas “Levanta Oeste. Professor tua categoria precisa de você!”. Professor Cesar Luiz Theis.

As opiniões dos estudantes tuiteiros - 7 de julho de 2011

“Sou Marina Mendonça, estudante do Instituto Estadual de Educação e entendo a posição dos professores em buscar um salário mais digno. Mas os professores também devem respeitar os alunos e voltarem as aulas. O que eu vi nos últimos dias é que o Governo tem avançado nas negociações e quer formar um grupo para melhorar a carreira dos professores. Por que não aceitar as conquistas, continuar negociando com o Governo mas voltar para a sala de aula? E quem vai fazer vestibular no final do ano? Como que vai concorrer em uma universidade pública se essa greve continuar?
-
Sabendo que você tem aberto o canal de comunicação para todos os envolvidos nessa greve, solicito a publicação de alguns comentários retirados do twitter de estudantes e pais que tem o mesmo pensamento.
karinaJohanna karina johanna.
se os professores realmente se importassem com o conteudo, ja teriam voltado as salas de aula #grevesc
luankramer Luan Felipe Kramer
agora professores e governo: vocês irão fazer o vestibular por mim? #grevesc
michy_souza ♡ Michely ♡
Os professores merecem salários dignos, assim, como os alunos merecem estar na sala de aula! #grevesc
ebendlin Emerson Bendlin
#grevesc – Já esta na hora de acabar com a greve do professores, é nitido que agora é só greve política contra o governador Colombo.
francieleschmit franciele schmitt
Vamo acabar com a bosta dessa greve? #greveSC
michy_souza ♡ Michely ♡
Absurdoooo… essa greve dos professores que dura 50 dias… e como ficam os alunos? #grevesc
marblyo Marblyo Rebelo
Bullying. RT: @aovivodc Professor defende a suspensão da greve e é vaiado #grevesc
_nathypetraglia Nathália Petraglia.
Se alguns professeres querem continuar a greve e outros não. Os que querem final da greve já vão repondo as aulas. #grevesc
michy_souza ♡ Michely ♡
Todos tem direito a lutar pelos seus direitos sim, mas até onde não prejudica ninguém… #grevesc
edubisotto Eduardo Bisotto
É hora de @RaimundoColombo dar a volta por cima. Pedindo ilegalidade da greve e contratando novos prof. pro lugar dos baderneiros.
paulameneguzzi Paula Meneguzzi
@LucasSchewinsk Com certeza…Chega de greve..Os professores estão de brincadeira. Eu acho que o @raimundocolombo tem que dar um basta nisso
rovedacris Cris Roveda
@visordiario @sintesc perdeu o controle a muito tempo. Não deviam ter feito essa assembleia e sim respeitar a maioria das regionais.
marciabina Márcia Bina
Eu até acho q professor ganha pouco no Brasill, mas acho q 50 dias de greve é ñ pensar nos estudantes nem um pouco. #GreveSC
leetischmidt Letiéli☺
Onde é que fica o #DIREITO_A_EDUCAÇÃO nisso tudo minha gente? Essa #GreveSC está prejudicando e desrespeitando de mais os alunos !
_Marcelo_FFC Marcelo da Silveira
tambem quero fazer greve e receber meu salario #greveSC
vanzadj Marcos Vanzin
@RaimundoColombo Em Xanxerê os professores estão de parabéns. Sensatos ao decidir que retomarão amanhã as aulas nos 13 colégios estaduais.
Gabidosanjos_ Gabi dos Anjos
@RaimundoColombo Porfavor governador,tome alguma atitude,eu sou aluna e estou endo prejudicada com a greve..
OFPCarvalho CarvalhoOM
@RaimundoColombo esses caras querem sacanear mesmo Governador, quero ver depois se a reposição das aulas serão feitas de forma “honesta”

marlonreiter SUL MEU PAÍS
@
@RaimundoColombo com certeza governador,os mais prejudicados nisso tudo são os alunos, interesses PoliTicos estão acima de tudo para eles.”

Resposta aos tuiteiros - 7 de julho de 2011

“Caro Moacir, obrigado pelo espaço e pela oportunidade. A sociedade ganha porque consegue ver as diversas faces ideológicas que são expressadas nos comentários e depoimentos, permitindo conhecer melhor os profissionais da imprensa, os professores, o sindicato e o governo.

Vejam só como estão as coisas:
quando existem aulas os professores são os culpados pela falta de qualidade do ensino e da aprendizagem e por isso os alunos não conseguem passar no vestibular;
quando estamos em greve os mesmos alunos acusam os professores por não terem aula e por isso dizem que não são aprovados no vestibular.
E, meus caros alunos, vocês sabiam que um professor para ganhar um salário de aproximadamente R$ 2.500,00 precisa trabalhar no mínimo 12 horas por dia e ainda preparar as aulas em casa nos finais de semana?
Voces acham isso justo? Mesmo o professor mais idealista, o que mais trabalha por amor a camisa, consegue ter uma vida decente, desta forma.
A maioria dos professores, para melhorar suas condições financeiras trabalha tanto em escolas do estado, em escolas municipais e ainda muitos em escolas particulares.
Isso é desumano para quem precisa estar constantemente investindo em aperfeiçoamento e em qualificação, além de trabalhar.
Então caros alunos, neste momento estamos tentando melhorar isso, melhora essa que nos foi garantida pela lei federal do piso salarial e que o governador anterior e o atual não querem cumprir.
Como ficamos se abaixarmos a cabeça e voltamos?
Os avanços que o governo diz ter feito nas propostas, não são avanços, são substitutivos que tentam compensar um valor rebaixado por outro. Para tanto o governo diminuiu a regência classe de 40 para 25% e de 25 para 17% e na última proposta mudou estes índices de 17 para 20% e de 25 para 30%. Isso não é avanço. Avanço seria, por exemplo, se fossem mantidos os índices da regência de classe, conquistadas anteriormente, 25 e 40%, e talvez fosse parcelado o pagamento do aumento do salário anterior com relação ao piso previsto pela lei federal.
A diminuição dos índices da regência de classe é uma atitude irresponsável, pois inúmeras ações judiciais poderão soloicitar a sua reposição gerando multas pesadas e juros, o que irá onerar o tesouro do estado e os bolsos dos contribuintes lá adiante, quando as ações forem julgadas procedentes.
Estas ações poderiam ser evitadas, como os dias em que os professores estão em greve também poderiam ser evitados, se antes de fazer propostas que escondem segundas intenções, o governo de fato analisasse a situação e apresentasse uma porposta decente, que atendesse os professores e aos limites orçamentários do governo.
No entanto o governo quis matar inúmeros coelhos de uma cajada só, como: desestabilizar o sinte, desmoralizar os professores, quebrar o plano de carreira dos professores e ainda continuar a desviar recursos do Fundeb para outras áreas.
Meus prezados alunos, estudem, mesmo enquanto os professores precisam ficar parados para lutar por seus direitos, pelos direitos de cada aluno e pelo direito dos pais. Lutar para que possamos no futuro ter uma escola pública de altíssima qualidade, e que possa fazer do cidadão de amanhã um cidadão mais crítico e mais presente na fiscalização das ações do governo. Do jeito que está o professor sequer tem tempo para o seu lazer quanto mais para ficar atento aos desmandos dos políticos.
Roberto Baron, Guabiruba SC.”




Lucimara Martins Barzan diz:
5 de julho de 2011 às 1:18 pm

RECEBI ESSE EMAIL E RESOVI POSTA-LO..
POIS É EXATAMENTE O QUE PENSEI NA HORA…
E O CARA CONTINUA SORRIDENTE AINDA…
NÃO QUE DEVERIA ESTAR CHORANDO, POIS LAGRIMAS DE CROCODILO NÃO QUEREMOS.
MAS ELE DISSER QUE PROFESSORESVOLTARAM…..ONDE? QUANDO?
PARABENS CACAU PELA SUA BELISSÍMA ENTREVISTA….
PARABENS POR FALAR QUE SE A GRVE CONTINUAR A IMPRENSA VAI FICA EM CIMA, VAI TOMAR OUTRO RUMO(ISSO EU QUERO VER)
AS VEZES PENSO..
MEU DEUS, NÃO TEM NINGUEM NESSE MUNDO QUE FAÇA ALGUMA COISA POR NÓS PROFESSORES..
ESSE GOVERNADOR QUER SER O DONO DO MUNDO..
SIM EXIXTE ALGUEM.
ESSE ALGUEM É DEUS,,,DEUS…
QUE TUDO PODE E TUDO VE…

Governador foi para o jornal do almoço e ameaçou que vai substituir os professores grevistas.

Essa eu quero ver, outro professor no nosso lugar que piada.

Só se vir com seguranças, mas mesmo assim convido todos os meus alunos a não entrarem na escola.

E muita cara de pau deste governador.

DIFICIL É SER AMIGO PARA TODAS AS HORAS E DIZER A VERDADE QUANDO FOR PRECISO.
FÁCIL É ANALISAR A SITUAÇÃO ALHEIA E PODER ACONSELHAR SOBRE A MESMA.
DIFÍCIL É VIVENCIAR ESTA SITUAÇÃO E SABER O QUE FAZER.
FÁCIL É DEMONSTRAR RAIVA E IMPACIENCIA QUANDO ALGO O DEIXA IRRITADO…
DEFÍCIL É EXPRESSAR O SEU AMOR A ALGUÉM QUE REALMENTE O CONHECE..
FÁCIL É VIVER SEM TER QUE SE PREOCUPAR COM A AMANHÃ…
DIFÍCIL É QUESTIONAR E ETENTAR MELHORAR SUAS ATITUDES IMPULSIVAS E ÁS VEZES IMPETUOSAS, A CADA DIA QUE PASSA.
FÁCIL É MENTIR AOS QUATROS VENTOS O QUE TENTAMOS CAMUFLAR..
DIFÍCIL É MENTIR PARA NOSSO CORAÇÃO(trecho extraido do livro agape)


ESSE GOVERNO NÃO CONFIA NOS PROFESSORES,,,,
ESTA ACHANDO QUE SOMOS OTARIOS, BURROS….
NESSA GREVE PERDI MAIS QUE GANHEI…
PORQUE NÓS VAMOS CONFIAR NELE QUE NOS IRÁ PAGAR EM 2012?
GRUPO DE ESTUDOS…..(PALHAÇADA)
PROFESSORES NÃO RECUEM..
A HORA E AGORA…
SE OS POLICIAIS, SAUDE VÃO ENTRAR EM GREVE ..PROBLEMA DO GOVERNADOR..
ISSO É BOM ACONTECER PARA AQUELES QUE ACHAM QUE PROFESSORES SÃO VADIOS, PERCEBEREM COMO ESTA A SITUAÇÃO EM S/C…

O PISO É LEI,,,COLOMBO TEM QUE NOS PAGAR…
ESSE GOVERNADOR TEM QUE CEDER, POIS ELE NÃO É BOBO…
SE RECUARMOS AGORA , PODEM ESQUECER QUE ELE VAI LEVAR EM BANHO MARIA ATÉ A PROXIMA ELEIÇÃO PRA GOVERNADOR…
SE FICAMOS ATÉ AGORA..VAMOS ATÉ O FINAL.
PENSO NAS CRIANÇAS.
MAS PENSAMOS EM NÓS PROFESSORES QUE ENFRETAMS CHUVA, FOME, SEM DINHEIRO PRA PASTEIS, PIPOCA NA FACULDADE.
E NAS PÓS..
SEXTA A NOITE E SABADO O DIA TODO…..
PROFESSORES , PROTETORES..GENTE DO MEU PAIS..
EU QUERIA , COMO EU QUERIA
GRITAR AO MUNDO QUE SOU FELIZ POR SER PROFESSOR..
MAS NÃO CONSIGO…
POIS O SALÁRIO QUE GANHO NÃO ME PERMITE ..
NESSE MOMENTO PENSO NOS MEUS PAIS, MEU MARIDO E FILHOS QUE NOS 4ANOS DE FACULDAE E MAIS 2 ANOS DE PÓS, DEIXEI EM CASA SEM A MINHA PRESENÇA..
E JUSTAMENTE COM A MINHA MÃE NA UTI, FUI PRA ESCOLA…
E LÁ FORAM ME BUSCAR PELO SEU FALECIMENTO..
DEIXEI ELA …NA TI E FUI PARA A FACULDADE, POIS ELA DISSE PRA MIM IR, E FICAVA PREOCUPADA COMQUEM EU TINHA DEIXADO AS CRIANÇAS..
QUE PENA MÃE, DE NADA VALEU A PENA….

MOACIR UM GRANDE ABRAÇO E OBRIGADA, POR NOS DAR OPORTUNIDADES PARA DESABAFOS…
E COLEGAS..PENSEM BEM…
NÃO VOLTEMMM
A LUTA CONTINUA…
NÃO VAMOS NOS DEIXAR VENCER POR ESSAS PESSOAS QUE NÃO ESTÃO NEM AI…
ME DEU NOJO DE VER O COLOMBO NO JORNAL DO ALMOÇO…
COMO DIZ A AMIGA ADRIANA.

SÓ NÃO QUEBREI A TELEVISÃO , PORQUE DEOIS NÃO TENHO DINHEIRO PRA COMPRAR OUTRA.RSRSRRSRSRSSR - URUSSANGA SC 95% EM GREVE




“Educação vai ganhar”
2 de julho de 2011

”Durante o tempo em que estou entre os professores, ouço alegações que o governo do Estado vem forçando para que eles voltem para as salas de aula, agora entendemos porque muitas escolas retornaram aos trabalhos.

Pelo que percebo estes bravos professores não irão se intimidar, com tais ameaças que o Governo impõe sobre o Magistério. Pois, eles estão muito organizados e compreendem a importância do movimento.

Algumas cidades por onde o Governador e seus Secretários passam, tentam negociar mas, não conseguem obter êxito. Estas investidas acabam fortalecendo o movimento grevista, pois, são consideradas pela categoria uma afronta.

Sinto orgulho dos meus professores, cada vez mais eles se organizam e mobilizam, tenho a impressão que as ameaças do Governo Estadual acabam por fortalecer ainda o posicionamento dos grevistas.

Infelizmente na unidade escolar que estudo “E.E.B. Santos Dumont”, onde estudo, os professores voltaram para as salas de , devido a prática totalitária da direção da escola mas, saibam que ainda existem 06 professores que ainda permanecem em greve.

Durante esta greve acredito que a Educação em Santa Catarina terá um grande ganho, eu e demais catarinenses esperamos que o Governo apresente logo uma proposta viável aos professores.

Denner William Ovidio – Estudante.”

“Indiguinação”
2 de julho de 2011

A palavra certa é INDIGNAÇÃO”, claro! Mas a professora Eroni Martins, de Santa Rosa do Sul, envia esta magnífica contribuição, de autor desconhecido, com o título “INDIGUINAÇÃO”. O texto é longo, mas merece reflexão. Segue mensagem “Aprendizado”, extraída do “you tube”, por ela enviada.

“INDIGUINAÇÃO”

Diz uma história que numa cidade apareceu um circo, e que entre seus artistas havia um palhaço com o poder de divertir, sem medida, todas as pessoas da platéia e o riso era tão bom, tão profundo e natural que se tornou terapêutico.

Todos os que padeciam de tristezas agudas ou crônicas eram indicados pelo médico do lugar para que assistissem ao tal artista que possuía o dom de eliminar angústias.

Um dia, porém, um morador desconhecido, tomado de profunda depressão, procurou o doutor.

O médico então, sem relutar, indicou o circo como o lugar de cura de todos os males daquela natureza, de abrandamento de todas as dores da alma, de iluminação de todos os cantos escuros do nosso jeito perdido de ser.

O homem nada disse, levantou-se, caminhou em direção à porta, e quando já estava saindo, virou-se, olhou o médico nos olhos, e sentenciou:

“não posso procurar o circo… aí está o meu problema : eu sou o palhaço”.

Como professor, vejo que, às vezes, sou esse palhaço, alguém que trabalha para construir os outros e não vê resultado muito claro daquilo que faz.

Digo isso, até em tom de desabafo, porque vejo que cada dia mais meus alunos se gabam de desonestidades.

Os que passam os outros para trás são heróis e os que protestam são otários, idiotas ou excluídos, é uma total inversão dos valores.

Vejo que alguns professores partilham das mesmas idéias, e as defendem em sala de aula e na sala de professores e se vangloriam disso.

Essa idéia vem me assustando cada vez mais, desde que repreendi, numa conversa com alunos, o comportamento do cantor Zeca Pagodinho, no episódio da guerra das cervejas e quase todos disseram que o cantor estava certo, tontos foram os que confiaram nele.

“O importante professor é que o cara embolsou milhões”, disse-me um; outro: “daqui a pouco ninguém lembra mais, no Brasil é assim, e ele vai continuar sendo o Zeca, só que um pouco mais rico”, todos se entreolharam e riram, só eu, bobo que sou, fiquei sem graça.

O pior é quando a gente se dá conta de que no Brasil é assim mesmo, o que vale é a lei de Gérson: “o importante é levar vantagem em tudo”.

(Lei de Gérson… dá para rir…)

A pergunta é: Sem trabalho produtivo é possível, usando a lógica, que todo mundo ganhe ? Sem o trabalho honesto, para alguém ganhar é óbvio que alguém deverá perder.

A lógica é guardar o troco a mais recebido no caixa do supermercado;

é enrolar a aula fingindo que a matéria está sendo dada;

é fingir que a apostila está aberta na matéria dada, mas usá-la como apoio enquanto se joga forca, batalha naval ou jogo da velha;

é cortar a fila do cinema ou da entrada do show;

é dizer que leu o livro, quando ficou só no resumo ou na conversa com quem leu;

é marcar só o gabarito na prova em branco, copiado do vizinho, alegando que fez as contas de cabeça;

é comprar na feira uma dúzia de quinze laranjas;

é bater num carro parado e sair rápido antes que alguém perceba;

é brigar para baixar o preço mínimo das refeições nos restaurantes universitários, para sobrar mais dinheiro para a cerveja da tarde;

é arrancar as páginas ou escrever nos livros das bibliotecas públicas;

é arrancar placas de trânsito e colocá-las de enfeite no quarto;

é trocar o voto por empregos, pares de sapato ou cestas básicas;

é fraudar propaganda política mostrando realizações que nunca foram feitas.



Essa é a lógica da perpetuação da burrice.

Quando um país perde, todo mundo perde.

E não adianta pensar que logo bateremos no fundo do poço, porque o poço não tem fundo.

Parafraseando Schopenhauer: “Não há nada tão desgraçado na vida da gente que ainda não possa ficar pior”.

Se os desonestos brasileiros voassem, nós nunca veríamos o sol.

Felizmente há os descontentes, os lutadores, os sonhadores, os que querem manter o sol aceso, brilhando e no alto.

A luz é, e sempre foi, a metáfora da inteligência.

No entanto, de nada adianta o conhecimento sem o caráter.

Que nas escolas seja tão importante ensinar Literatura, Matemática ou História quanto decência, senso de coletividade, coleguismo e respeito por si e pelos outros.

Acho que o mundo (e, sobretudo, o Brasil) precisa mais de gente honesta do que dos pseudo literatos, historiadores ou matemáticos.

Ou o Brasil encontra e defende esses valores e abomina Zecas, Gérsons, e todos os marketeiros que chamam desonestidades flagrantes de espertezas técnicas, ou o Brasil passa de país do futuro para país do só furo.

De um Presidente da República espera-se mais do que choro e condecoração a garis honestos, espera-se honestidade em forma de trabalho e transparência.

De professores, espera-se mais que discurso de bons modos, espera-se que mereçam o salário que ganham (pouco ou muito) ministrando a honestidade.

A honestidade não precisa de propaganda, nem de homenagens, precisa de exemplos.

Quem plantar joio, jamais colherá trigo.

Quando reflexões assim são feitas, cada um de nós se sente o palhaço perdido no palco das ilusões.

A gente se sente vendendo o que não pode viver, não porque não mereça, mas porque não há ambiente para isso.

Quando seria de se esperar uma vaia coletiva pelo tombo, pelo golpe dado na decência, na coerência, na credibilidade, no senso de respeito, vemos a população em coro delirante gritando “bis” e, como todos sabemos, um bis não se despreza.

Então, uma pirueta, duas piruetas, bravo ! bravo ! E vamos todos rindo e afinando o coro do “se eu livrar a minha cara o resto que se dane”.

Enquanto isso, o Brasil de irmã Dulce, de Manuel Bandeira, do Betinho, de Clarice Lispector, de Chiquinha Gonzaga e de muitos outros heróis anônimos que diminuíram a dor desse país com a sua obra, levanta-se, caminha em silêncio até a porta, vira-se e diz:

“Esse é o problema… eu sou o palhaço”


O Valor do Trabalho
2 de julho de 2011

De Valtecir Marion,via e-mail:
“A sociedade capitalista em que vivemos instituiu um valor para o trabalho. Para o trabalho braçal valor “x” e para o trabalho intelectual valor “x ao quadrado”. Segundo Adam Smith, “cada homem vive do seu trabalho, e o salário que recebe deve pelo menos ser suficiente para o manter. Muitas ocasiões esse salário deve até ser um pouco mais alto; se não, ser-lhe-ia impossível constituir família, e a raça desses humanos não passaria da primeira geração (…) Os trabalhadores, devem ganhar pelo menos o dobro daquilo de que necessitam para sua própria subsistência, a fim de que, quando se juntam dois trabalhadores de sexos diferentes, possam dar à luz e sustentar pelo menos duas crianças”.

Nós professores da rede estadual de ensino de Santa Catarina estamos em greve já 44 dias. Nosso salário é o mínimo do mínimo para sobreviver. Sustentar uma família com todas as exigências mínimas da sociedade capitalista com salário de professor hoje é utopia. Portanto, ser Professor é uma profissão belíssima e lutar pela implantação do Piso Salarial Nacional, na carreira profissional que temos, é uma questão de dignidade. Pobre de espírito aquele que não luta.

O dobro do salário, que Smith fala, e que, o professor tem direito de receber amparado por LEI, o governo de SC nega e nem se propõe a parcelar a implantação do Piso na carreira.

O salário do professor é tão mínimo que nem é possível oxigenar o espírito com lazer pedagógico. Do mesmo modo que na antiga sociedade greco-romana, os prazeres do espírito ficavam reservados à elite, hoje, em Santa Catarina acontece o mesmo. O governo catarinense anuncia aos quatro ventos através dos meios de comunicação que Santa Catarina é um Estado Rico; possui uma beleza natural que enche os olhos e convida para o passeio que, além do prazer, instrui profissionalmente.

Falando em sala de aula com meus alunos sobre as diferentes regiões e culturas do Estado de Santa Catarina através de vídeos e pesquisas pela internet, no final da aula, os alunos comentaram: que aula legal, principalmente o aspecto da região serrana, o da festa do pinhão; naquele momento um aluno (Alisson) me perguntou: – professor você já visitou essas belezas catarinenses? pois você fala com tanta ênfase, que dá água na boca! Não deu tempo de abrir a fala e, outra aluna (Aline) respondeu: – Alisson, ele é professor, como ele vai a uma festa (do pinhão) fora de Joinville? Precisa de dinheiro! Levei na esportiva e ouve a maior risada de toda turma. No final de semana passada, senti na pele a resposta da aluna. Fui convidado por um casal de amigos para fazer um passeio pela Serra Catarinense. Precisei recusar por dois motivos: 1- meu salário de professor não permite, ou que me programe pelo menos 6 anos antes e, o pior; 2- o governo Colombo descontou 80% do meu salário. Além do que, o governo anuncia o roubo de percentuais de minha regência e da aula excedente.

Diante disso, como oxigenar o espírito e prepara ótimas aulas com próprios recursos? Se o nosso trabalho intelectual, atualmente braçal, está resumido em um palito de giz e quadro negro (verde)?

Para poder sobrevir e, talvez em 6 anos, se programar, e passear pela serra catarinense, precisamos trabalhar 60 horas fechas por semana. Assim, segundo Octavio Paz, “à medida que a esfera do trabalho se alarga, a do sorriso diminui”. Como então, melhorar a qualidade do ensino?

A construção do conhecimento está relacionado ao fazer ou à relação fundamental do homem com a natureza, que se expressa fundamentalmente pelo ato de produzir. É justamente enquanto ser produtor que o homem é ser cognoscente. Produzir conhecimento, corresponde a fazer, a agir, a transformar. Fora disso, há uma inversão social: o capital, que é coisa, tornando-se sujeito; e o sujeito, a pessoa humana, tornando-se coisa. O verdadeiro conhecimento e a verdadeira libertação está na mudança da maneira de atuar, de agir, libertando-nos da miséria, e que não basta só compreender a realidade, mas transformá-la.

A transformação da realidade se dá através da práxis como elemento instituinte, que se traduz na ação do homem sobre a matéria e através da práxis a criação de uma nova realidade humanizada (“cuidar das pessoas” – COLOMBO). Assim, a realidade social não é fruto da espontaneidade ou do endelevo mental, mas é fruto da práxis constituinte da ação do homem na História. Por isso estamos em greve, uma greve Histórica do Magistério da Bela Santa Catarina.

DEIXO INICIALMENTE A PERGUNTA ONDE ESTÁ O REPRESENTANTE QUE VOCÊ AJUDOU A ELEGER? (lembra dele!?! Aquele que pediu o seu voto e fez tantas promessas fantásticas)
As falácias e discursos do governo de Santa Catarina no que diz respeito a educação pública se dissipam a medida que o tempo passa e a mobilização do magistério estende-se.
Me pergunto quando foi que nos acostumamos com tamanha hipocrisia dos discursos políticos?
Quando passamos a aceitar que a corrupção, desvios e acordos político-ideológicos podem ser postos como mais importantes que o bem da sociedade?
Em que momento nossa indignação tornou-se mera aceitação?
O orçamento tornou-se mais importante que o futuro das crianças e jovens catarinenses?
Percebo que a forma como conduzimos as ações do presente determinará o futuro, mas é evidente a discrepância entre o que o povo espera e o que o governo lhe oferece, me pergunto quanto tempo levará para começarmos a pagar a conta desta omissão social?
Compreendo que quando uma sociedade que limita seus investimentos na educação de crianças e jovens, está assumindo que os terá de fazê-los na recuperação de dependentes químicos, infratores, vítimas de acidentes, etc.
Será que a conta está conta não será paga com a nossa própria vida, vítimas de um tiro disparado de uma arma empunhada por uma criança ou jovem marginalizado pelo sistema. Ou ainda vítimas de descuido médico (de uma receita mal escrita), isso se a morte não for ainda na fila de espera.
A educação não é tão somente para se conseguir um emprego, mas é a base da sociedade em que temos de viver (ou sobreviver).
Será que poderemos orçar os valores das vidas que perderemos, ou mesmo da nossa própria vida? Será que podemos orçar o valor do futuro?
O governo esbanja justificativas e explicações economiza em ações concretas, emprega uma política de indiferença para ganhar tempo e obrigar a categoria do magistério a recuar, vincula falácias na mídia, retalha a folha de pagamento, promove uma campanha sistemática para desacreditar os professores.
Cuidado você também pode estar sendo manipulado!
Quer ver a verdade, vá até a sede da Secretaria de Estado da Educação de SC ou do Palácio Barriga Verde, veja com seus próprios olhos, a dicotomia entre o discurso político sobre educação e a realidade.
As pessoas acampadas não o fazem somente por serem professores, são acima de tudo mães e pais de família que trabalham para manter lares e educar seus filhos. Não estão pedindo votos, vivendo do dinheiro público, permanecem em livre e espontânea vontade em ação de luta para que seus direitos sejam respeitados, mantendo a fé na justiça, na lei e apostando na consciência da sociedade.
Professor César Luis Theis

Rádio Piso Cultural - A HISTÓRIA DO COLOMBOMAU
9 de julho de 2011

O grupo de professores que acambou na Secretaria da Educação demonstrou criatividade em várias atividades. Chegou a montar a Rádio Sem Piso Mais FM,com várias atividades educativas, politicas e até literárias. Uma delas chega por e-mail para publicação. Segue:

“Momento Literário na SED (caro Moacir, essa é uma das histórias que narrávamos na rádio Sem Piso Mais FM na sede! Peço que publique, pois alguns colegas do estado pediram cópia, e não tenho o endereço de todos, então faço uso deste canal de comunicação)

“Certa vez, na madrugada do dia 3 (só pra rimar) Colombomau chegou ao acampamento dos professores na Secretaria da Educação e, vendo que os mesmo não haviam acatado sua ordem de “limpar o trecho” e voltar pra sala de aula, irritou-se e gritou bem alto: “Levantem suas barracas e voltem imediatamente para suas cidades e para suas escolas!” Vendo que os professores não obedeciam, ameaçou: “Se vocês não forem agora, eu vou soprar, soprar e seu acampamento irei arrasar!” Diante da negativa, Colombomau encheu seus pulmões com muita indiferença, desprezo, prepotência, e, é claro, maldade, e soprou ferozmente. A força de seu sopro gelado foi tão grande que as barracas começaram a balançar com violência, algumas não resistiram e foram arrancadas do chão, uma tenda ficou totalmente destruída, professores corriam de um lado ao outro, desesperados, perdidos, atônitos… Vendo todo aquele caos na educação, Colombomau sorriu e saiu cantando: “Sou Colombomau, mau, mau, sou Colombomau, mau, mau e pego os professores pra fazer p***(censurado, afinal isso é uma fábula)!” No caminho, o nosso algoz, como estava de pirraça, havia assistido a seu programa global de humor na Educação favorito “Zorra Total”, resolveu sacanear mais um pouco! Passou nas casas dos três “pouquinhos”. E a história a gente já conhece. A primeira foi a de palha. Colombomau gritou: “Abra a porta que eu quero me apossar de mais alguma coisa, pois ainda não estou contente!” Sem dar chance para uma real negociação, Colombomau vendo que o porquinho não cedia encheu seus pulmões e soprou com violência. Coitada daquela casa! Feita com palhas, bonita, mas frágil, sem piso, apenas chão batido! Foi totalmente destruída. Colombomau correu então para a segunda casa e a “apelação” se repetiu. Com a recusa, agora também do 2o porquinho, o nosso tirano da Educação encheu os pulmões de ar e soprou com violentamente. Tadinha daquela pobre casa de madeira, sem mata juntas, sem um piso adequado! Veio abaixo! Colombomau, que estava cada vez mais satisfeito, correu para a terceira casa. No entanto, ele se deparou com um problemão! Pois aquela casa não era como as outras. Não era simples, era bem forte, feita de concreto, reboco grosso, janelas blindadas, PISO de primeira qualidade, contra-piso lageano, um luxo! Os três porquinhos eram só gargalhadas vendo o coitadinho do Colombomau a soprar, soprar, até se esvair sem fôlego! Seria aquela a derrota do Colombomau e de toda sua tirania? Seria a classe daqueles porquinhos, tão unida, a vencedora? Pois é, não foi dessa vez minha gente! Pois Colombomau teve uma idéia audaciosa (pela chaminé ele já conhecia o resultado). Ligou para seus comparsas “Marco Barraldi (barrando a educação) e Dudinha Atrásdobaldi” e ordenou que abrissem uma licitação em regime de urgência urgentíssima. Contratou uma empresa de demolição e arrasou aquela casa de material que virou poeira, o piso ficou em caquinhos muito pequenininhos. Colombomau que realmente estava acima de tudo e de todos (inclusive da lei) saiu cantarolando. E os porquinhos? Sairam correndo e encontraram refúgio no acampamento dos professores na SED, onde foram bem recebidos. Afinal, lá as pessoas estavam sempre em primeiro lugar! FIM!”


“Do oeste e do litoral”
9 de julho de 2011

“Nenhuma imagem é tão significativa, neste momento, quanto às lembranças de uma professora, que recentemente se aposentou aqui no Instituto Estadual de Educação, e que em conversas em grupo ou individual nos falava dos vários momentos de sua vida e, em especial, das greves que participou.
Não foram poucas e não foram simples. 33 anos de magistério ela tinha e, portanto, imaginem quantos governos ela não passou: De Pedro Ivo passando por Paulo Afonso até chegar ao Luiz Henrique, época em que se aposentou. E, agora aposentada, enfrenta a do Senhor Colombo.
Mas, não quero ser prolixo, me dirijo aos professores do oeste (brincamos aqui dizendo “do velho oeste”, fazendo uma alusão, óbvio, aos corajosos dos filmes de Western) porque está professora ao qual me referi é daí e participou, coordenou muitas greves da região e viveu grande parte desta história que relatei nas cidades desta região. Especialmente São Miguel do Oeste.
Dizia-me ela: “Percorria todas àquelas cidades: São Miguel, Chapecó, Concórdia, Maravilha, Xanxerê etc. muitas vezes peitando diretor e coordenador regional pra manter a greve!”
E dizia de uma forma contagiosa. Cheia de orgulho. Repleta de saudosismo!
E eu perguntava: Era difícil naquela época?
“Se era difícil? _ respondia ela _ Era quase que insuportável. Havia o coronelismo, perseguições, ameaças! Alguns professores passaram fome por corte de salário, continuava ela, pedíamos comida de vizinhos, comerciantes e levávamos na casa do professor. Emprestávamos dinheiro, fazíamos rifas, todos se ajudavam!”
E assim eram as nossas conversa e quanto mais ela falava mais ela se empolgava e se não fosse o tempo ela provavelmente não pararia de falar. O mais engraçado é que, apesar de parecer algo chato de se ouvir, não era essa a sensação que tanto eu, assim como outros, tínhamos. Vivíamos aquela história como se também estivéssemos participando dela. E quando estourou a greve no governo de Luiz Henrique, eu, um professor sem experiência em greve, não me senti inexperiente. Aguçado pelos relatos dela, senti-me reconfortado como se tivesse vivido e experimentado todas aquelas greves. E fiz discursos e alimentei a força da luta como um velho mestre.
Meu relato chega ao dia 6 de julho de 2011 e aqui, evidentemente, é o ponto onde eu queria chegar. Nesta data, já ao amanhecer, havia uma energia diferente no ar. Naquele momento angustiado que estava ao me deparar com a rua senti-me, no mínimo, diferente. Alguma coisa me dizia que a assembléia não iria se deixar enganar. E assim foi. Mas, apesar de toda energia e emoção, uma coisa em particular, já na assembléia, nos chamou a atenção: Certo vazio. Certa quebra. Um hiato! E não fui eu, mas um entre nós que disse ao ser perguntado sobre um espaço vazio na arquibancada:
“Está faltando à galera do oeste!”
E não demorou a começar a discussão e ligeiramente nos veio os relatos desta professora sobre o histórico de lutas do oeste e mais do que ligeiramente veio o comentário unânime:
“Cara! Não dá pra acreditar que eles desistiram! Que estão acreditando em promessas! Que andaram 50 dias e agora, tão perto da porta de entrada, fazem meia volta e retornam ao caminho inverso. É duro de acreditar!”
Aí aconteceu o inacreditável: logo em seguida alguém toma o microfone e começa o discurso:
“Que sou “não-sei-da-onde” (e não lembro mesmo) e gostaria de fazer um desabafo: Desde pequeno que ouço, que os primeiros a levantar a bandeira da luta, os primeiros a fazer a marcha, a entrar na guerra e, ainda, os últimos a desistir são os professores do Oeste e blá blá blá…”
Olhamos-nos e falamos: “Que coincidência!”
E o sujeito continuou e, infelizmente, sei lá porque, disse o que não deveria dizer. De fato, não vou esconder isto realmente aconteceu e, ainda que ninguém ainda tenha feito ou ele próprio não o fez, vimos nós, do IEE e, tenho certeza, todos que estavam na Assembléia, publicamente, humildemente e envergonhadamente pedir desculpas a todos os professores da REGIÃO OESTE
Aproveitamos pra dizer que o discurso deste professor não representa a opinião da maioria e que não só eu, bem como, todos do IEE (especialmente pelas lembranças que esta professora descrita acima nos traz pelo seu espírito de luta e simpatia) temos convicção que a postura destas regionais que suspenderam a greve é fruto de uma leitura daquele momento em particular.
Contudo, temos uma nova situação. A saber: A confirmação da continuidade da greve. E se nos colocamos aqui, publicamente, é porque temos certeza de que a descrição que por várias vezes tal professora nos fez, ou seja, da postura heróica e guerreira dos companheiros das cidades desta região são de fato a postura e descrição exata de todos das cidades desta região. Estamos igualmente convictos que não nos deixarão carregar este fardo sozinho, pois nós todos, que decidimos pela continuidade, não temos forças para tanto e nossos ombros também estão cansados. Por isso pedimos: Voltem a dividir este peso com a gente.
POR FIM, HUMILDEMENTE, PEDIMOS QUE RECONSIDERASSEM A DECISÃO DE SUSPENDER A GREVE E NOS ACOMPANHASSEM NESTA LUTA, POIS TEMOS CONVICÇÃO DE QUE A VITÓRIA VAI ACONTECER E SERÁ MAIS RÁPIDA SE VOCÊS ESTIVEREM AO NOSSO LADO.

Com sinceros desejos de sucesso, Assinado: Guevara, o Che. *Dedicado a Professora Celina T. M. R. (guerreira do oeste e do litoral)




Por Anderson Rocha para Rh.com
Assunto: Competências essenciais para liderar
Um bom texto para todos nós refletirmos. A todo o momento novos desafios nos são colocados, como reagimos é que faz a grande diferença…
“As pessoas não sobrevivem sem água, comida e líderes. A frase comparando a liderança com dois componentes fundamentais para nossa sobrevivência pode parecer até absurda. Mas, se refletirmos o impacto da ausência de bons líderes nas nossas vidas, tenho certeza que a comparação torna-se imprescindível. Precisamos de bons líderes nas empresas, nas religiões, nas comunidades, na política, nas famílias e nas salas de aulas.
Será que os líderes nascem prontos? Essa é uma das indagações que são feitas quando abordo o tema liderança em palestras e workshops. Minha resposta é simples: Líderes não nascem prontos, todos têm potencial para liderar, assim como todos têm potencial para falar bem em público ou desenvolver a criatividade.
Mas para liderar torna-se necessário o desenvolvimento e o aprimoramento de competências. Então, quais são as competências para liderar? Antes de focar as competências específicas aos líderes, deve-se compreender qual o significado da palavra competência.
De forma bem simples, podemos definir competência como o conjunto de conhecimentos (é o que sabemos), habilidades (é o que sabemos fazer = prática) e, principalmente, atitudes (o que nos levam a agir). Pode-se definir competência também como a capacidade de resolver problemas e atingir objetivos propostos, é o que fazemos bem feito e somos reconhecidos.
Dentro desse contexto não devemos esquecer que existem dois tipos de competências, que são as competências técnicas e as competências humanas. Muitos líderes enfatizam demasiadamente nas competências técnicas esquecendo a grande importância das competências humanas (trabalho em equipe, criatividade, inteligência emocional, capacidade de relacionamento, entre outras).
Segundo pesquisas, 87% das demissões nas empresas são ocasionadas devido às deficiências humanas e não por falhas técnicas, ou seja, contrata-se pelo currículo e se demite pelo relacionamento. E os líderes são peças fundamentais para que se consiga construir ambientes mais saudáveis e felizes, devendo ser sempre semeadores dos bons relacionamentos, pois, são ou pelo menos deveriam ser sempre exemplos em relação às suas condutas e aos seus comportamentos.
Se um líder não consegue, por exemplo, administrar bem suas emoções, dificilmente conseguirá manter um bom relacionamento com os seus liderados. E quanto melhor o relacionamento, o clima e o ambiente de trabalho, melhores serão os resultados da empresa.
Outra característica essencial para liderar nos tempos atuais é a humildade. Ser humilde não significa ser bonzinho nem desmerecer seu próprio valor. A humildade está intimamente ligada ao respeito. O próprio significado da palavra humildade que no sentido latino vem de húmus, ou seja, terra fértil, já diz tudo. Pessoas que são humildes têm a consciência que podem sempre melhorar.
Liderar também não é saber mais do que os liderados, mas sim ser capaz de fazer com que cada um consiga dar o melhor de si. O líder precisa ter consciência que não existe alguém mais importante do que o outro. Saber também que algumas das maiores necessidades das pessoas são: sentir-se importante, ser reconhecido e ser valorizado. Para finalizar enfatizo que não existe liderança sem credibilidade.

Podem-se impressionar pessoas de longe, mas é preciso chegar perto para influenciá-las. A qualidade essencial do líder não é a perfeição, mas a credibilidade. Se constrói credibilidade não fingindo ser perfeito, mas sendo sincero.”

Agora escrevo as minhas considerações. A escrita está relacionada com a liderança de professores e a demagogia do governo.
Professores não nasceram líderes, aprendemos. Estamos sempre aprendendo. E ninguém pode negar o valor da educação e de bons professores na sociedade. Esta é uma verdade já dita e respeitada por Paulo Freire, completaria o educador, pois, se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela, tampouco, a sociedade muda. Somos líderes, na escola, na comunidade, na sala de aula. Precisamos de competências e habilidades, para sermos professores. Em qualquer nível de ensino, da Educação Infantil ao Ensino Técnico ou Superior, precisamos ser competentes e habilidosos. Para isso, estudamos e continuaremos estudando, porque o conhecimento, a informação liberta a mente das pessoas. Professores de verdade têm fome e sede de novos conhecimentos, porque podemos transformar o que aprendemos, isto é, fantástico! Professores são facilitadores, mediadores, interlocutores, planejadores, organizadores, entendedores, articuladores, orientadores, instigadores da aprendizagem. Não tenho dúvidas de que os professores são verdadeiros líderes. E os governos o que são? Os governos têm falsos líderes. Ditadores, demagogos, conservadores, autoritaristas, oportunistas, hipócritas, assistencialistas, conspiradores, repressores, também são líderes. Não vamos esquecer isso.”

Apelo de uma professora
1 de julho de 2011

Remetido por Eliane França, professora de Matemática da Escola Estadual Básica Getúlio Vargas e há 10 anos na rede estadual de SC.

APELO DE UMA PROFESSORA

Governador de Santa Catarina
Reconheça o meu valor
Sou professora, com muito orgulho
Mas não consigo viver só de amor.

Que luta foi aprovar o Piso Nacional
Agora é LEI, a vitória demorou mas chegou
Só que Luiz Henrique em SC não implantou
E é por isso que meu aluno, sem aula ficou.

Em 2008, comemoramos
Em 2011, ainda esperamos…
Diante disse, estamos em GREVE
É por nosso direito, que lutamos.

Não temos dinheiro nem pra dar informação
Cortaram nossos salários
Não tivemos apoio nem da DIREÇÃO!

Mas nós professores, não vamos desanimar
Somos fortes e corajosos
Essa luta vai acabar
E até quem não lutou, vai poder comemorar!

Com o dinheiro do estado, Colombo anuncia nos meios de comunicação:
“Vou pagar o piso para os meus professores”
A categoria comemora: “Enfim uma solução!”
Mas quando vê a proposta: “É outra enganação”

Ele paga o piso para professores temporários com Ensino Médio
De 609 passa para 1187 reais
Mas e os professores diplomados, especializados?
Mais uma vez são desvalorizados!

Pra que estudar?
A diferença é de 197 reais
Será que é pra compensar os 4 anos de universidade?
E agora governador, responda com sinceridade.

Minha mãe sempre dizia:
“Você precisa estudar pra ter um futuro melhor!”
Estudei, me formei, até no concurso público eu passei.
Ih! Será que me ferrei?!

E se eu estudar mais?
Me capacitar mais?
Me dedicar mais?
Será que vai ter solução antes de eu me aposentar?

E o tempo está passando…
Estou desanimando…
Mais de 30 dias em GREVE
E o governador, só nos pisoteando!

Quero reagir, preciso reagir, quero voltar a trabalhar.
Mas o governador não quer negociar!

Às vezes até me culpo: “Estou errada, não devo lutar”
Mas aí eu me pergunto: “Que tipo de aluno eu quero formar?”
Quero que meu aluno lute por seus direitos
Que seja crítico, honesto e trabalhador
E que na hora de votar, não se deixe manipular.

Por isso eu peço a você que está me ouvindo:
“Pais, alunos, sociedade em geral…
Somos professores, não estamos de folga, estamos sofrendo
Queremos justiça e reconhecimento!”

Com o apoio de vocês
Não vamos desanimar
Nos ajudem a PROTESTAR
Pra escola eu poder voltar!

Senhor Governador, me escute, por favor:
“Você já foi aluno e precisou de um professor
Priorize a educação, cumpra a lei, seja justo
Reconheça o nosso VALOR!!

Lincoln, 1830: Carta de um pai
1 de julho de 2011

Enviada por Iara Nicolau, via e-mail, segue na íntegra:

Carta de um pai, ao professor de seu filho, em 1830.

“Caro professor, ele terá de aprender que nem todos os homens são justos, nem todos são verdadeiros, mas por favor diga-lhe que, para cada vilão há um herói, que para cada egoísta, há também um líder dedicado, ensine-lhe por favor que para cada inimigo haverá também um amigo, ensine-lhe que mais vale uma moeda ganha que uma moeda encontrada, ensine-o a perder, mas também a saber gozar da vitória, afaste-o da inveja e dê-lhe a conhecer a alegria profunda do sorriso silencioso, faça-o maravilhar-se com os livros, mas deixe-o também perder-se com os pássaros no céu, as flores no campo, os montes e os vales.
Nas brincadeiras com os amigos, explique-lhe que a derrota honrosa vale mais que a vitória vergonhosa, ensine-o a acreditar em si, mesmo se sozinho contra todos.
Ensine-o a ser gentil com os gentis e duro com os duros, ensine-o a nunca entrar no comboio simplesmente porque os outros também entraram.
Ensine-o a ouvir todos, mas, na hora da verdade, a decidir sozinho, ensine-o a rir quando estiver triste e explique-lhe que por vezes os homens também choram.
Ensine-o a ignorar as multidões que reclamam sangue e a lutar só contra todos, se ele achar que tem razão.
Trate-o bem, mas não o mime, pois só o teste do fogo faz o verdadeiro aço, deixe-o ter a coragem de ser impaciente e a paciência de ser corajoso.
Transmita-lhe uma fé sublime no Criador e fé também em si, pois só assim poderá ter fé nos homens.
Eu sei que estou pedindo muito, mas veja o que pode fazer, caro professor.”
Abraham Lincoln, 1830-Presidente dos Estados Unidos.”

ZELIA DELLA GIUSTINA GUINZANI diz:
1 de julho de 2011 às 9:13 am
Bom dia Moacir..dormir passou a ser algo secundário, diante de tanta teimosia e insistência, com relação a greve.
Não sou totalmente leiga com relação a orçamento estadual, mas gostaria de saber um pouco mais e ter oportunidade de sugerir receitas domésticas que nos permitem quando se tem poucos recursos e temos contas priorítária a acertar(até porque não vou ensinar honestidade e ser caloteira). Em minha casa cortam-se por exemplo, o uso do carro para pequenas voltas, substituimos pelas bicicletas caminhadas …fazem grande diferença, lavar o carro toda família ajuda, faxina vira trabalho coletivo familiar. É diícil? Nem tanto quando a meta final é atingida.Controle extremo de gastos em tudo, é meio que regime de guerra , mas a meta a ser atingida vale a pena o esforço. Quem tem dois filhos universitários sabe muito bem como é que professor resolve isso. É necessário.Elegemos prioridades.
Ao governo sugiro que temporariamente otimize todo pessoal, até que os recursos do FUNDEB retornem totalmente para a educação Fecha parcialmente as SDRs.Isso a lei permite, ou estou enganada ? Afinal o que mudou em SC este ano com a inoperancia das mesmas. Só vi políticos de plantão estressados, a população observou inerte a formação de uma equipe cara que quase nada lhes ajuda. Tudo precisa ir e levar a Florianópolis…São intermediários muito caros Governador..ouvi o Senhor fazer duras críticas a existência delas, a
caneta com tinta está em sua mão . Seja ousado, fui sua eleitora e trabalhei para ve-lo governando. Não me decepcione, tirando do Educador sofrido, angustiado as conquistas obtidas ,através deste mecanismo triste que é a greve, mas que felizmente existe , senão o que será que teriam nos tirado?
Ou então traz de volta o recurso que é nosso de direito.
Tenho me perguntado se iremos viver agora em uma terra sem lei. Sim porque a máxima da Lei é o STF. Mandou pagar, só a população que não tem cargos eletivos, precisa cumprí-las?
Sinto pelo cinismo mas é o que mais ouço.
E a greve continua, até que o governo pague o que nos deve e devolva o que nos tirou.

MAIOR VITÓRIA DOS PROFESSORES: A CONSCIÊNCIA POLÍTICA DO POVO CATARINENSE

O slogan deste governo dizia que as pessoas estariam em primeiro lugar e que os cargos técnicos seriam ocupados primando pela meritocracia. Alguém se lembra de ter ouvido isso? O que podemos constatar atualmente? Na EDUCAÇÃO, na SAÚDE e na SEGURANÇA está sobrando incompetência. Onde está o compromisso e o respeito às pessoas-cidadãos deste Estado? O que podemos esperar de um governo que tenta jogar a sociedade em geral, as famílias de nossos alunos, contra os educadores deste Estado? Somos a maior pasta do governo, mas o que se percebe é a Educação faz parte do arquivo morto da secretaria da educação. O que poderíamos esperar deste governo-continuidade da descentralização de toda Santa Catarina. Que aliança foi esta? Perdoem-me, os santos. Mas quantas velas foram prometidas? Por favor, professores aqueles que se dizem partidários, será que daqui a três anos esta politicalha nojenta se repetirá nas urnas? Nas minhas conjecturas, penso que a maior vitória que teremos dentre algumas já conquistadas nesta greve (as retiradas das MPs, a retirada do pedido de ilegalidade, a exclusividade do FUNDEB, ainda aguardamos o piso na carreira respeitando nosso tempo de serviço e titulação acadêmica e a manutenção das regências de classe, a devolução do pagamento descontado). Tivemos coragem de denunciar o caos vivenciado no cotidiano escolar. Deflagramos a precariedade e os perigos de instalações prediais, a inadequação de espaço-físico, a terceirização da merenda, o assédio moral por algumas direções, a falta de assessoramento pedagógico das GEREDs, a falta de cursos de capacitação profissional, a falta de material didático, a miséria do vale-alimentação que recebemos… nossa quanta coisa veio à tona). Isso é muito bom! Estamos vivendo! Saímos da zona de conforto, estamos fazendo alguma coisa. Mas, voltando à maior vitória que poderemos ter, penso que seja na consciência política do povo catarinense. Nós professores, não poderemos compactuar com os falsários da política. Não poderemos aceitar a demagogia, o cinismo e os conluios partidários. Nós professores temos que mostrar nosso poder, informar nossos alunos e suas famílias dos acontecimentos dos bastidores da política. Está será a nossa maior vitória, a rebelião da juventude nas urnas eleitorais. A maior vitória que poderemos ter será a consciência política de nossos alunos.
Abraço da Professora Cristina Sutil – Otacílio Costa.

klayton diz:
2 de julho de 2011 às 12:50 pm
Boa tarde!
A verdade sobre os dados apresentados, hoje – 02/06, pelo Secretario Adjunto da SED, Sr. Eduardo Deschamps, em entrevista a Rádio CBN – Fpolis/SC
O Secretário disse que houve um aumento de 22 milhões na folha de pagamento do magistério público estadual, no entanto, ele mesmo alega que para pagar essa conta foram reduzidos os percentuais das gratificações de Regência de Classe – um valor que os professores recebem a título de realizar os trabalhos extra-classe (preparar aulas, correção de provas e trabalhos, estudos e leituras complementares). Essa gratificação foi uma conquista do magistério e, é assegurada em Lei acerca de 30 anos. O governo, simplesmente, diminuiu os valores que eram de 40% para 25% (para professores das séries iniciais – aqueles que lecionam todas as disciplinas) e de 25% para 17% (para os professores das séries finais do ensino fundamental e do ensino médio).
Além de diminuir a regência de classe, ainda foi incorporado ao vencimento o valor de 200,00 (prêmio educar e prêmio jubilar);
Também foi extinto o prêmio assiduidade (valor correspondente a um mês de salário pagos no final do ano letivo aos professores que não tiveram nenhuma falta (justificada ao longo do ano);
Outro valor que foi diminuído, foi o valor das aulas excedentes que passou de 5%, para 1,5%.
ESSA ANÁLISE PROVA QUE QUEM ESTÁ PAGANDO OS VALORES CORRESPONDENTES AO PISO SALARIAL INSTITUÍDO PELA LEI FEDERAL N. 11738/08, SÃO OS PRÓPRIOS EDUCADORES. OU SEJA, NA PRÁTICA, NÃO HOUVE AUMENTO REAL NAS FOLHAS DOS SERVIDORES DA EDUCAÇÃO, NEM VALORIZAÇÃO, CONFORME PREVÊ A REFERIDA LEI.
Um Abraço
KLayton Robert

Educadores de Nova Trento emitem nota
18 de junho de 2011

Enviado em 18/06/2011 às 18:01
“Sr. Moacir, agradecemos mais uma vez este espaço. Insistimos em esclarecer a comunidade os motivos que nos levam a permacer em greve, pois são justos! Grande abraço.
A greve dos professores : esclarecimento à comunidade
Agradecemos à comunidade pelo apoio quase unânime que nos tem dado neste momento tão difícil de nossas vidas profissionais. Queremos dizer também que, nós educadores, chegamos ao limite máximo de nossas forças e constatamos que não é mais possível prosseguirmos na situação que estamos. Chegou o momento de darmos um basta a todos esses anos de desmandos, desvios e desrespeito ao qual fomos submetidos. Temos plena consciência de nossas responsabilidades e sabíamos de antemão que esta nossa atitude iria mexer com o cotidiano de milhares de famílias, porém, vejam neste nosso gesto, um pedido de socorro. Portanto, nos ajudem! Fiquem do nosso lado!

Para aqueles que nos pedem o silêncio, a obediência cega e a aceitação pura e simples, ou seja, a negação da própria essência da natureza humana, que é o direito à contestação e à indignação, nós dizemos a plenos pulmões: A luta continua!

Infelizmente o nosso governo tem se mostrado extremamente intransigente e autoritário, e mais uma vez faz uso de antigas práticas ditatoriais na tentativa de convencer a opinião pública de que nós educadores estamos fazendo esta greve por irresponsabilidade.

Lembramos também que nós não somos grevistas de ofício, nós somos educadores, formadores de opinião e, nesse momento, essa paralisação histórica é o melhor ensinamento que podemos dar aos vossos e aos nossos filhos, pois muitos de nós temos filhos estudando em escola pública, e essa luta fazemos também por eles. Segundo as palavras de Rui Barbosa : “ Quem não luta pelos seus direitos não é digno deles”.

Graças à Deus, depois de décadas de injustiças e de tantos absurdos cometidos contra os educadores e a educação catarinense, chegamos a uma situação onde já não é mais possível negar os fatos, porque a grande maioria da sociedade tem plena ciência da maneira irresponsável e até mesmo criminosa que as nossas autoridades vem tratando a educação pública deste estado. Diante de todas essas evidências, não poderíamos esperar outra atitude dos educadores catarinenses que não fosse a de dar um basta a tudo isso. Foi com esse propósito que formamos essa corrente humana que se fundiu quase que naturalmente por toda Santa Catarina, diante da força e da magnitude de nosso desespero, angústia e dor, ao vermos que a única possibilidade de salvarmos a educação pública catarinense é fazer este levante da nossa categoria.
É fundamental ressaltarmos ainda que nós somos legalistas e educadores, somos também pacifistas e sonhadores, porém, acima de tudo somos cidadãos, zelamos pela ordem, pelo respeito e estamos cientes de que este é um momento singular, que irá sem dúvida alguma, reescrever a história da educação catarinense.
Obrigado a toda sociedade.
“… Verás que um filho teu não foge à luta… “
Nossa união é nossa força!
Educadores de Nova Trento.”

Injustiça e desigualdade
18 de junho de 2011

“Para aqueles que persistem em defender o indefensável – a situação salarial vigente do pessoal da Educação Pública Estadual em Santa Catarina – aqui está o que foi feito com a população catarinense, por obra e mérito do Governo Estadual, criando uma situação onde reina a desigualdade absoluta, com reflexo direto no Sistema Escolar Público Estadual, sistema este que responde pela maioria total das matrículas de estudantes catarinenses. Essa situação evidencia um poderoso processo de desorganização, produzindo uma oferta de ensino onde todos os seus fatores de sustentação e de funcionamento estão debilitados, sem as mínimas condições de atingir padrões de qualidade compatíveis com os direitos do cidadão constituidor de uma Democracia Republicana onde tudo é de todos para o Bem Comum. Entre os fatores, sobressai como fundamento a figura do PROFESSOR, como executor final do grande projeto sócio-político de Educação para Todos. Executor este que realiza sua função acionado por várias motivações e princípios e que, sendo humano, um ser vivo completo, tem sua sobrevivência ligada a condicionantes elementares, como comer, vestir, morar, ter saúde, lazer, vida social. Nada disso cai do céu. Como profissional, sua atividade deve garantir um retorno remuneratório que lhe permita desfrutar de uma vida normal, capaz de levá-lo ao desempenho profissional que os alunos, as famílias, a sociedade, o Governo e o País necessitam e dele esperam.
Dados financeiros de pagamento de pessoal do Estado indicam que há um tratamento muito desigual quanto a valores de remuneração dos servidores, levando à observação que tal situação, por seu volume e abrangência não poderia ser um acaso, uma questão evolutiva normal, a solução de um problema momentâneo, ou algo similar. Para chegar a esta situação atual, só com muito esforço e dedicação por parte dos administradores detentores de muita clareza do que pretendiam e pretendem realizar e onde querem chegar. Isto nos leva à intencionalidade governamental de conduzir a Educação Pública e o Magistério a esta situação desastrosa: há uma decisão política e administrativa de inviabilizar a ação do Magistério e das escolas, condenado o povo catarinense a receber uma Educação ineficiente que impeça a caminhada para qualquer futuro melhor.
O que mostram os dados financeiros de um determinado mês desta época corrente.
No mês de Julho de 2010, a Secretaria Estadual de Educação e Fundação Catarinense de Educação Especial, estavam constituídas por 66.612 pessoas recebendo remuneração.
Todos os demais órgãos do Poder Executivo componentes da Administração Direta, Autarquias, Fundações e Empresas Estatais Dependentes eram constituídos por 63.772 pessoas recebendo remuneração.
A totalização indica um número de 130.384 pessoas, entre ativos e inativos.
No final do mês, essas pessoas receberam, no conjunto, R$ 374.175.696,57
A Desigualdade Social
O pessoal da Educação, que representa mais de 50% do total de servidores, recebeu, no conjunto, R$ 127.183.286,44.
Os servidores dos demais órgãos, que representam menos de 50% do pessoal, receberam, no conjunto, R$ 246.992.410,13.
Em percentuais, temos que os 51% de servidores da Educação recebem 34% do valor total dos salários, enquanto que os 49% de servidores dos demais órgãos são agraciados com 66% do valor total dos salários.
Isto está parecendo à atuação do benfeitor que vai distribuir pão aos desassistidos e para alguns coloca pães em cestos e para outros dá, na mão, apenas o necessário para que não morram de fome.
OBS: Estes dados constam na Informação 0253/10, Anexo I – Despesa de Pessoal por Órgão, Julho/Agosto – Exercício 2010, Portal do Servidor Público do Governo do Estado de Santa Catarina, onde outras informações importantes estão disponibilizadas.
Conselho de Gestão e Associados da AFASED.
Maria Eliana Steilen – Presidente da AFASED – 3237 4486 – maeliste@terra.com.br
Antônio César Becker – Vice-Presidente da AFASED – 3244 2732 – becker@ced.ufsc.br
Márcia Margarida Bratti – Secretária da AFASED – 3246 4237 – marciabratti@ig.com.br
Rita de Cássia Vieira Bleyer – 3244 9223 – ritableyer@yahoo.com.br
Vera Lúcia d´ Acampora – 3241 5712 – veraldacampora@yahoo.com.br
Beatriz Righetto – 3259 2170 – beatrizriguetto@gmail.com
Maria Marlene Alves – 3258 5640 – mmarlenealves@hotmail.com
Miraci José Valle – 3249 1303 – miracijose@yahoo.com.br
Zaíde Debortoli Ax – 3334 8054 – zaide.ax@hotmail.com

Fé na educação
18 de junho de 2011

Do professor Zamir Monteiro, que leciona História em Curitibanos, via e-mail, mensagem sob o título “NOVA ETAPA DA LUTA – PELA DIGNIDADE AOS PROFISSIONAIS DA EDUCAÇÃO”
“Nossa categoria realmente não pode vacilar diante de ameaças terroristas e propostas ridículas. Precisamos reconhecer a total perda de dignidade evidenciada nesta greve. Lutar pelo piso foi o início, mas não podemos mais admitir a completa humilhação de uma classe tão primordial ao que ainda resta de valores morais e éticos em nossa decadente sociedade.
A educação é mais um dos engodos demagógicos desta podre esfera política.
Até quando nós professores, que afirmamos estar educando cidadãos, continuaremos admitindo este descaso político, está indiscriminada corrupção que descaradamente desvia os recursos do Fundeb, e ainda tem a coragem de afirmar que devemos aceitar migalhas, perder direitos adquiridos com as lutas anteriores e o pior, voltar para o nosso trabalho, totalmente subjugados.
Sim, é hora de dar aulas de cidadania e colocar o conceito democracia na prática.
Nosso poder está em nossa honra e na defesa daquilo que “ainda” acreditamos: Educação.
Queremos muito voltar ao trabalho, continuar insistindo, mesmo na contramão das obtusas intenções políticas, mas para isto necessitamos de um tratamento, que no mínimo respeite nossas formações acadêmicas. Não somos ignorantes, temos a devida capacidade de leitura conjuntural para reconhecer entre que é nosso por direitos e estas descabidas e pérfidas propostas, que ainda não nos ofereceu quaisquer margens a uma negociação respeitosa e coerente.
Espero que estas discussões chamem a atenção de outros trabalhadores, que como nós, estão cansados de não se beneficiar com os recursos de uma das maiores cargas tributárias do mundo.
Lutamos pelo piso salarial, mas também pela dignidade aos profissionais da educação e aos demais servidores públicos .
Zamir Monteiro.”

O café de Guabiruba
18 de junho de 2011

Carta distribuída na cidade de Guabiruba, Vale do Itajaí, cujo texto foi enviado a este blog por e-mail:
“Prezadas Professoras e Professores,

Bom Dia!

Com satisfação distribuo para as duas escolas estaduais de minha cidade um Café SIMPLES, SINCERO E DELICIOSO…

SIMPLES, porque aprendi com meus antigos mestres que não precisamos complicar… basta objetividade, fundamentação e, é lógico, constante busca do conhecimento. Vocês merecem mais respeito, mais valorização;

SINCERO, porque não pressionado a fazer esse gesto, e tão pouco, espero receber algo em troca. Apenas espero que meus filhos se orgulhem de seus mestres, assim como eu sempre me orgulhei;

DELICIOSO, porque esse ‘café’ foi preparado para vocês por profissionais que receberão seus dignos salários por aquilo que produzem… assim como vocês: profissionais da EDUCAÇÃO, devem receber os seus. Não se desvalorizem. Dignidade não se compra e nem se vende… se constrói, se conquista.
Tenham um bom dia!
Guabiruba, 17 de junho de 2011.”

Vamos continuar dando um banho de civilidade, cidadania, pois dessa forma ordeira a sociedade continuará a dar apoio incondicionalmente aos nossos mestres.
ESPINHEIRA DANADA
Carlos Cear Duda Vieira

Eta espinheira danada
que o professor passa pra sobreviver
Educa os filhos do mundo
Mas sua existência não pode manter

Sonha com as grandes promessas
Que o tal do Colombo fez ao redor
Quando entrar o Tebaldi
Sair Paulo Bauer será bem melhor
Mas entra ano e sai ano
E o tal do Tebaldi ainda é pior

Esse é meu cotidiano,
Mas eu não me engano o Professor é maior

A luta não acaba aqui
A luta ainda esta de pé (BIS)
O professor estando unido
Conquistará o que bem quiser

Eta governo enrolado
Que não reconhece a educação
Ah eu queria so ver se o professor se zangasse
E desistisse amanhã

Seria um Deus nos acuda
Os tais secretários querendo atenção
Ver tanta gente graúda
Implorando a volta da educação

Mas o governo é miúdo
A coisa não muda
Não tem solução
E tudo que a gente deseja
É piso, é carreira
Para a educação

A luta não acaba aqui
A luta ainda esta de pé (BIS)
O professor estando unido
Conquistará o que bem quiser PARÓDIA ( BEBER CAIR E LEVANTAR)
Carlos César Duda Vieira

VAMO SIMBÓRA LUTAR
O PISO É LEI EU VIM BUSCAR
VAMO SIMBÓRA LUTAR
O PISO É LEI EU VIM BUSCAR
O PISO É LEI EU VIM BUSCAR
O PISO É LEI EU VIM BUSCAR
O PISO É LEI EU VIM BUSCAR
O PISO É LEI EU VIM BUSCAR
O PISO É LEI EU VIM BUSCAR
O PISO É LEI EU VIM BUSCAR
O PISO É LEI EU VIM BUSCAR

ELE É DANADO
ELE É TRANQUEIRA
NÃO VALORIZA ESSA GENTE ORDEIRA
GENTE DIREITA O CABRA NÃO QUER
NÃO PAGA O PISO AINDA FAZ O QUE BEM QUER
NÃO QUIS NEGOCIAR COM O PROFESSOR
A GREVE CONTINUOU
E A LUTA AGORA É MEU LUGAR

NÃO QUIS NEGOCIAR CO M O PROFESSOR
A GREVE CONTINUOU
E A LUTA AGORA É MEU LUGAR

E SE VOCÊ QUISER ME ACOMPANHAR
EU VOU TE CONVIDAR PRA IR PRA ONDE (VAI, VAI, VAI)

VAMO SIMBÓRA LUTAR
O PISO É LEI EU VIM BUSCAR

VAMO SIMBORA LUTAR
O PISO É LEI EU VIM BUSCAR
O PISO É LEI EU VIM BUSCAR
O PISO É LEI EU VIM BUSCAR
O PISO É LEI EU VIM BUSCAR
O PISO É LEI EU VIM BUSCAR
O PISO É LEI EU VIM BUSCAR
O PISO É LEI EU VIM BUSCAR
O PISO É LEI EU VIM BUSCAR”

“Dom Quixotes e o fim dos moinhos”
18 de junho de 2011

“Ficar a toa?
Nada, milhões de ideias e estratégias, muitas reuniões, encontros e assembleias! Nunca li tanto, me informei tanto e discuti incansavelmente educação em toda a minha vida como professora.
Durante esse tempo ”ocioso” vi muitos monstros no armário e tive medo! Mas nunca deixei de ter a certeza de que estou do lado certo, fazendo o que é certo. E mesmo não estando na sala de aula, estou fazendo muito pela educação. Pois em todo esse tempo apareceram tantos erros cometidos, tantos desvios, tantas falcatruas! A sujeira toda veio à tona.
A oportunidade de discutir com professores de todo o estado e ver refletida a situação da sua escola na dele, está sendo única… Ímpar. Depois dessa greve a educação não será mais a mesma, foi uma sacudida e tanto!
Descobrimos que somos importantes! Acho graça quando lembro que o governo colocou pessoas famosas em horário nobre dizendo: “Professores são importantes”, até musiquinha fofa colocaram… Deu resultado! Lembramos que somos importantes, erguemos a cabeça e fomos à luta! Estamos nas praças, nas ruas, nos jornais, na tv (por segundos, mas estamos), na Internet, gritando a nossa importância! Porque há direito ao grito, Gritamos!
Alô sociedade! O dinheiro da educação está sendo desviado, estamos sendo enganados. A luta não é mais por um mísero piso! É pelo plano de carreira, é pela eleição para diretor é por melhorias urgentes na educação, é para que seja dada a educação a devida importância.
Agora, só agora, o governo reúne seus deputados e vem com uma conversa todo doce, de quer negociar, que está aberto ao diálogo, preocupado com os alunos catarinenses! Ai dá-me paciência! Onde estava à preocupação até agora? Passeando pela Europa, em Brasília na posse da ministra, planejando loucas tabelas salariais que mais parecem piada. Comovente essa preocupação! Será tão levada a sério quanto às cartas ameaçadoras, a ordem de voltar pra sala de aula em 24 horas e a ameaça de descontos! Ou seja, não estamos nem ai! Nossa preocupação sim é verdadeira! Nós que estamos carregando a Educação, sozinhos por tantos anos, vendo-a ser sucateada, vendo os professores adoecendo, desistindo… Nós ficamos lá ao lado dos estudantes catarinenses tentando fazer milagres!
Continuamos preocupados com os estudantes catarinenses, só mudamos nossa estratégia. Estamos lutando por eles! E como Dom Quixotes, somos teimosos, não desistimos de uma luta! Não até que todos os moinhos sejam removidos. Patrícia Reis Silva.”

“Escravos de Jó”
18 de junho de 2011

“E a greve se inicia.
Até então, estávamos na zona de conforto, o governo nos cozinhando em banho maria. Primeiro afirmou já pagar o piso, depois afirmou a intenção de pagar, mexeu e remexeu na nossa tabela salarial, “esculhambou” nosso plano de carreira, que confesso, já não é grande coisa. A sensação é que estamos naquela brincadeira antiga “escravos de Jó” aonde as pedras vão e voltam de acordo com a musica.
Escravos de Jó
Jogavam Caxangá
Tira,
Põe,
Deixa ficar
E assim foi, tira regência, diminui aula excedente, uma proposta pior do que a outra! Nos jornais, Nós, professores, somos vilões. “Coitadinhas das criancinhas 20 dias sem aulas, os professores não aceitam o piso e toda a generosidade do governo.” Professores maus!
Mas a verdade é, estamos cansados! Irritados, até! A cada proposta a irritação aumenta. Não entramos em greve pra brincar! Não entramos pra mexer em nosso plano de carreira, entramos por um direito garantido por lei. Lei aprovada pela maioria no senado. E, ainda mais, esperamos dois anos para vê-la cumprida. Dois anos até que fosse julgada pelo supremo tribunal federal!
Nossa regência de classe e “todos os penduricalhos” que estão na nossa folha de pagamento são direitos, são conquistas adquiridas ao longo de muito tempo!
Se, Santa Catarina, quinto em arrecadação no Brasil, não tem como pagar a tabela salarial estipulada pelo MEC, quais estados têm? Pra que então existir uma tabela? Pra que criar uma lei que não será cumprida?
A greve inicia-se verdadeiramente, hoje! Sinto muito senhores pais. Sinto muito pelos meus alunos. Mas, sentiria muito mais se não estivesse lutando pelos meus direitos. Pelo direito de ver uma lei cumprida! Pra ver ser feito justiça a uma categoria tão importante quanto é a minha, os professores!
É uma luta histórica, e é sim por melhorias na educação, só manteremos os bons professores nas escolas públicas se tiverem salários dignos! Acredito que a comunidade não ficará ao nosso lado. O que é uma pena! Seria uma bela lição de cidadania a todos! A imprensa na verdade deveria ser imparcial, e normalmente, quando não é, não fica ao lado do trabalhador!
Então, lutemos nós, solitários, com as armas que temos: Dignidade, união e indignação! Não estamos pra brincadeiras nem para “negociar” só queremos que a lei seja cumprida sem que nenhum dos nossos direitos suprimidos!
Vamos continuar nossa luta contra os moinhos de vento!
Profª: Patrica Reis. E.E.B. Bulcão Viana, Praia Grande.”

Inédito: “Você tem experiência?”
17 de junho de 2011

Professora Elisete Gadotti envia uma profunda reflexão sobre uma experiência como professora. O texto é longo, mas merece leitura e análise. Confira: “Moacir: Todas as vezes que procuro no seu blog informações sobre nosso movimento, fico imaginando o que pode pensar um jornalista quando recebe tantos textos, manifestações de apoio e até comentários desagradáveis, sobre uma categoria com tantas razões para lutar e ao mesmo tempo nem sempre entendida na sua busca. Mas o que mais me deixa satisfeita é saber que seu trabalho esta unindo numa só corrente professores do sul e norte, do leste e do oeste de Santa Catarina não só na luta mas também na possibilidade de ser informado quase em tempo real dos fatos ocorridos neste incansável trabalho do SINTE e Comando de Greve, junto a intransigência do Governo Colombo. Criticas sempre irão surgir, mas com certeza teremos maturidade para analisar, concordar, discordar sem ofender..
E-mail deveriam ser breves, rápidos mas não consegui conter minha vontade de falar, escrever e encaminho para você o texto que hoje elaborei:
No processo de seleção de várias empresas, os candidatos precisam responder a seguinte pergunta:
‘Você tem experiência’?
O texto abaixo foi adaptado por mim, de uma redação verdadeira desenvolvida por um dos candidatos a cargo em uma grande empresa. Ele talvez tenha sido aprovado e seu texto está fazendo sucesso, e eu refletindo sobre esse texto coloquei aqui a minha experiência enquanto professora da rede estadual de educação de Santa Catarina.
Esta é a minha versão sobre o tema EXPERIÊNCIA:
Já desafiei o meu Pai e insisti em fazer curso superior na área de Educação.

Já aprendi com meus mestres da FURB – BLUMENAU, inúmeras práticas para trabalhar com Ed. Física, sempre com o melhor material.

Eu já peguei carona com várias pessoas em Blumenau para chegar ao local das aulas sem custos e sem atrasos. E assim consegui me formar em 1985, com muito estudo, esforço e determinação. Usando como espelho os meus professores do ensino fundamental e médio.
Já trabalhei em diversas escolas como ACT, até me efetivar por concurso na rede estadual de educação.

Já vibrei com o aluno que conseguiu pela primeira vez pular num pé só ou pular corda pela primeira vez.

Já vibrei junto com as professoras das séries iniciais, quando os alunos conseguiram ler as primeiras sílabas, e muito mais quando conseguiram escrever as primeiras palavras sozinhas.
Já corri para não perder o ônibus, para chegar no horário na escola.

Já passei do ponto muitas vezes, por ter dormido no ônibus.
Já tomei banho de chuva junto com meus alunos no pátio da escola, jogando bola.
Já almocei durante vários anos na escola.

Já trabalhei 60 horas.

Já fui diretora de escola, onde comunidade e escola caminhavam no mesmo sentido.

Já vendi rifa, bingo, já fui levar alunos para passeios de formatura em Hotel Fazenda.

Já fui a velórios de pais e avós de alunos e até de ex-alunos. E o mais doído, já fui a velórios de alunos.

Já levei alunos para competições, já subi em telhado para tirar bola, para arrumar telhas. Já subi em escadas para pendurar bandeirinhas de festa junina, e já coreografei várias danças.

Já trabalhei na APAE, e levei os alunos para competições onde ficaram alojados fora de casa.

Já organizei Corrida da Amizade, onde a pessoa dita normal corria ou acompanhava o portador de necessidades especiais no percurso estabelecido
Já comprei uniforme para dar aos meus alunos, já coloquei meu carro a disposição deles para não perder horário de competições.

Já participei de campanhas de alimentos para alunos carentes e até para professores.

Já fui buscar aluno em casa.

Já fui pegar aluno gazeando na rua.
Já chorei ouvindo a história de vida de meus alunos.
Já esqueci o nome de muitos alunos…

Já conheci os filhos dos meus alunos e até já dei aula para eles.
Já subi em árvore com meus alunos para pegar fruta.

Já tomei soco de aluno e ouvi do promotor público: “Ele é de menor”, não dá para fazer nada.
Já pensei em chutar o balde e desistir.
Já chorei sentado no chão do banheiro da escola, quando meu pagamento veio errado.
Já li mensagens do tipo: “Antes que chore a minha mãe, que chore a sua”.

Já enfrentei diretoras impostas pelo Governo, já organizei eleição de Diretores, Grêmio e Conselho Deliberativo.
Já comprei cuecas para alunos se trocarem, pois a GERED não licitou papel higiênico.

Já fiz denúncia para ouvidora do Estado e nada foi resolvido.

Já procurei o Ministério Público para denunciar obra da quadra inacabada e ainda não montei o processo.

Já vi meus amigos de profissão em greve (2008) e eu cumprindo horário.

Já vi traficantes na frente da escola, e quando busquei o apoio da Polícia e do Conselho Tutelar não tive respaldo.

Já vi meus alunos envolvidos com drogas… E muitas vezes sem força e apoio para tirá-los.
Já vi meus alunos adolescentes bebendo e fumando sem medo e nem responsabilidade…

Já separei briga de alunos, alunas e até de pais…

Já vi meus alunos dirigindo carro próprio…

Já senti medo de aluno e já enfrentei muitos.
Já os defendi em muitas situações.

Já socorri vários alunos machucados e com fraturas.
Já apostei corrida na praia com meus alunos, já joguei queimada, futebol, vôlei, handebol e basquete com meus alunos.

Já participei de gincanas, passeatas, manifestações.
Já precisei driblar paixões de alunos e alunas.

Já fiz material de sucata, para ser usado por alunos.

Já trabalhei com muito material disponível e com nada para trabalhar.

Já trabalhei em pátio de chão batido, grama, na rua, na praia e em quadra. Mas nunca trabalhei em local fechado, sempre em local aberto. E com isso já passei frio, já me queimei com o sol, já vi trovões e muita chuva.

Já dei aula em sala e no refeitório…

Já fiz escolinha de xadrez e levei meus alunos para competições.

Já fui chamada de Dona,de Profê, e até de Pro.

Já vi meu alunos acordarem as 3horas da manhã para recolher material reciclado, trabalhar até as 12:00 e estudar no período da tarde.

Já vi pais tirando alunos da escola para irem trabalhar…

Já vi alunos desanimados e sem objetivos…

Já vi pais irresponsáveis…

Já vi alunos chorarem pelo primeiro amor…

Já deitei na quadra com meus alunos para ensinar elefantinho, aviãozinho e outras artes mais

Já chorei ao ver amigos partindo da escola ou mesmo desta vida.

Já vi meus colegas chorando pelos filhos doentes, pelos filhos partindo.

Já acompanhei amigos de profissão lutando contra câncer, depressão e outros males. Eu mesma luto contra Síndrome do Pânico.

Foram tantas experiências, momentos fotografados pelas lentes da emoção.
E agora ao ler este e-mail fico pensando, relembrando essas experiências e os anos dedicados à educação e só uma pergunta ecoa no meu cérebro: experiência… experiência… Será que é necessário ter experiência?
Será que ainda vale a pena sonhar …
E encerrando esta releitura do texto preciso perguntar:

EXPERIÊNCIA PARA QUE?
SERÁ QUE ESCOLHI A PROFISSÃO ERRADA?
CURSOS, FORMAÇÃO CONTINUADA PARA QUE?

Como fiz a releitura de um texto que recebi, usei o mesmo na primeira pessoa, mas minha experiência não seria nada sem os colegas de Profissão: professores, especialistas, serventes, merendeiras e direção.
Será que um dia Educação será prioridade para algum governante desse Estado?
Será que são os professores que estão errados?
Será que a experiência que temos, que vivemos será desconsiderada e transformada em poucos reais?
Sinceramente….
Profª Elizete Ana Gadotti,E.E.B. Anita Garibaldi,Meia Praia – Itapema.

Ser professor
17 de junho de 2011

“Ser professor em um país onde o ócio e a ignorância prevalecem;
Ser professor em um país onde estudar e esforçar-se não gera reconhecimento;
Ser professor mediante a corrupção e a hipocrisia;
Ser professor em lugares sem recurso, ermos, distantes e esquecidos;
Ser professor em um estado que não é nação;
Ser professor e tentar mudar mentes que tem a ignorância como bandeira de orgulho;
Ser professor em um país onde isso é visto como humilhante;
Ser professor tendo um quadro e um giz para transformá-lo em nação;
Ser professor é acreditar no impossível e torná-lo possível;
É irradiar prazer em ensinar e aprender;
É multiplicar conhecimento e cuidar de um país que não cuida dele;
É amar pessoas que os veem como inimigos;
É levantar a cabeça cada manhã e saber que é um guerreiro;
Um guerreiro cuja as armas são: sua voz, seus livros, seu quadro, seu giz e seu amor em ensinar.

Ass. Elisângela Mazzucco Bianco, professora de História da rede pública estadual.”

A impotência dos educadores
17 de junho de 2011

” Da professora Maria Aparecida Lehmkuhl, via e-mail, 53 anos de idade e 32 de magistério, sobre a greve:
Caro Jornalista Moacir Pereira
Em primeiro lugar quero renovar meus agradecimentos pela imparcialidade e espaço que tens proporcionado aos educadores neste período tão singular, em que as mazelas históricas dos governantes estão vindo à tona, bem como as humilhantes condições de vida, trabalho e alimentação de milhares de educadores catarinenses.
Tenho acompanhado através do teu blog as angústias dos educadores das diversas regiões e sua luta em manter sua dignidade neste momento histórico e adverso, mas entendo que é na crise que podemos repensar nossa prática e melhorar a oportunidade de crescimento.
Tenho 53 anos de idade e 32 de magistério e estou tirando minhas últimas licenças-prêmio para me aposentar. Comecei no magistério no início dos anos 80 em que um educador em começo de carreira ganhava o equivalente a dez salários mínimos. Desde então nosso salário foi sendo cada vez mais suprimido, até a situação atual em que a categoria tem que fazer greve para ganhar o equivalente a dois míseros salários mínimos. Como podes ver não foi obra de um só governante, mas uma sucessão de equívocos de vários ocupantes do cargo.
Há 19 anos faço parte de um segmento um pouco diferenciado: educador que atua na SED. Fui para a SED em 92 com a possibilidade de trabalhar em capacitação com educadores, em que pude conhecer colegas de praticamente todos os municípios e após cada encontro eu retornava mais animada pela garra que eles apresentavam e mais angustiada com a situação de trabalho a que eram submetidos. Não falo em salários porque o meu era idêntico aos deles.
Na condição de servidora da SED tive a oportunidade de trabalhar com gestores (secretários, diretores, gerentes) e colegas profissionais preocupados com a qualidade da educação, bem com aqueles que ocupavam cargo por questões políticas ou familiares. Para exemplificar: trabalhei com uma gerente recém iniciante do curso de Pedagogia que era filha do caseiro do Secretário da época, enquanto colegas com mestrado e doutorandos eram seus subordinados!
Em uma das capacitações em que fui docente, educadores de Criciúma relataram o caso de um aluno de 13 anos que havia cometido suicídio porque o pai e outras pessoas abusavam sexualmente dele em orgias. Os educadores e colegas dele não tiveram nenhum respaldo da SED ou Regional de Educação para trabalharem essa situação preocupante. De retorno à SED comentei o caso com o meu diretor da época, solicitando que fossem tomadas providências para amenizar problemas como esses, para que pudéssemos proporcionar uma rede de proteção para a comunidade escolar poder prevenir e/ou amenizar estas situações, com psicólogos e assistentes sociais. Equipes volantes contratadas poderiam atuar em diversas escolas com cronogramas estabelecidos. Ele simplesmente respondeu que estes profissionais não faziam parte do quadro do magistério e ficou por isso mesmo.
Quero com isso dizer que a sensação de impotência que muitos educadores nas escolas sentem, também são partilhadas pela maioria de educadores que atuam no órgão central e regional. Perceber desmandos e interferência político-partidária na fazer pedagógico e não poder agir, também é muito frustrante.
Desejo que essa greve mude para sempre o olhar dos governantes e sociedade para esta função fundamental em qualquer sociedade que é a educação, e que seus profissionais recebam tudo que lhes é devido: financeiramente e reconhecimento social.
Tenho também formação superior em Enfermagem, porém optei pelo magistério para ficar mais perto da vida, da esperança, da alegria e principalmente da mediação do conhecimento, que é o objeto do nosso trabalho. Obrigada.”

“Vida de grevista”
16 de junho de 2011

“Em minha vida de grevista,
Acordar cedo, o que pra mim é sacrifício, eu que amo a marola do sono e do sonho que vai e vem pela manhã! Pôr uma roupa básica, um tênis, necessário para um dia cansativo. Respirar fundo e… Sair da minha Ilha, rumo a outra.
A outra ilha, que é uma ilha de verdade, estava linda! Como sempre, mas esse dia era especial. Pouco a pouco foram chegando, pessoas de toda parte, as mais diversas, em aparência e idade, mas alguma coisa no olhar, na atitude fazia com que se reconhecessem, mesmo junto aos outros habitantes da ilha. Afinal, pisaram sobre as rosas, acabaram com o jardim e todos estavam lá para protestar!
Lindo! Lindo de ver todo aquele colorido ir tomando conta da passarela e depois tomar conta das ruas! E iam gritando suas decepções, suas angustias, suas aspirações, desnudando pela rua toda uma vida de luta, indignação, decepções! Perante as pessoas que passavam, lá se iam de cabeça erguida, tirando uma a uma, as repressões sentidas por tanto tempo, não mais de cabeça baixa, não mais como os “vadios” , não! De cabeça erguida, de coração aberto, agora como classe trabalhadora, orgulhosa de saber o quão é importante, agora como soldados de uma guerra pela cidadania!
Não é mais uma luta por um piso salarial, é um resgate da dignidade perdida, por uma classe massacrada a tanto tempo!
É um grito a sociedade: “Não somos vadios, cruzamos os braços para que reconheçam, precisam de nós. Muito! Não só para tomar conta de seus filhos enquanto trabalham, mas para que eles tenham um futuro melhor”.
E assim, a cada passo, a cada grito, recuperou-se o orgulho de ser professor, a consciência da importância que temos e quanto, quando unidos, podemos ser fortes e mudar o rumo de uma história!
Em termos salariais, foi apenas mais uma jogada no tabuleiro, mais um moinho de vento derrubado. Mas em termos de conquista foi uma belíssima vitória em uma guerra onde as únicas armas usadas foram a vez e a voz.
Que bom que eu estava lá! Prof: Patricia Reis. E.E.B. Bulcão Viana, Praia Grande.”

A greve dos professores de SC e as bondades do Sr. Colombo

Por Marcos Aurélio da Silva

“toda gente sabe que os revolucionários praticam reformas,

que os reformistas conservam o´status quo`

e que os conservadores recuam”

(Enrico Ferri)

Outro dia, por ocasião do tratamento dispensado aos professores na atual greve do magistério catarinense, defini o governador Raimundo Colombo como um empedernido conservador. Em sua coluna de ontem no Diário Catarinense, o jornalista Moacir Pereira oferece uma imagem do governador bem menos desonrosa.

Segundo ele, é curioso “observar que antigas reivindicações dos professores, que encontravam obstáculos insuperáveis em governos anteriores, foram encaradas com naturalidade por Colombo.” Como exemplo, assinala o fato de Colombo não questionar “o pedido de abertura de concurso público para ingresso no magistério, pauta de todas as greves”.

Ora, tamanha “afabilidade” do governador catarinense pode ser lida sem se observar a dimensão que alcançou a atual greve?

De fato, a pergunta não é sem sentido - a não ser que ainda acreditemos não ter a máxima do sociólogo e criminalista italiano Enrico Ferri, aplicação prática no Brasil, como assinalou há meio século o economista Ignácio Rangel, de onde retiramos a epígrafe acima. De lá para cá as coisas mudaram um pouco, de modo que, se é certo que revolucionários continuam por aí a morrer na defesa de reformas, já vai longe o tempo em que os conservadores as punham em prática.

Senão vejamos.

Esta é talvez a greve mais forte que os professores do magistério catarinense já conseguiram organizar. De dimensão semelhante a esta, talvez apenas a greve realizada na segunda metade dos anos 80. Naquela ocasião, todavia, a greve fora forte principalmente na Grande Florianópolis, que resistiu até os últimos instantes, enquanto o interior, após quase dois meses, começou a abandonar o movimento.

Hoje a greve segue forte por todo lado, e um indicador disso é o fato inédito de que até os diretores de escola estão do lado dos grevistas. Mesmo a imprensa e diferentes setores da sociedade, de comerciantes a pais de alunos, é hoje mais favorável ao movimento.

Recorde-se que as primeiras ações do governo não foram nada afáveis. O próprio jornalista aqui citado relatou o ofício assinado pelas senhoras Elizete Melo e Gilda Mara, respectivamente diretoras de Desenvolvimento Humano e de Ensino Básico e Fundamental da Secretaria de Educação, com ameaças aos grevistas e diretores de escola.

Além disso, as últimas propostas do governo aos professores são risíveis. Quer “pagar” o salário-base determinado pela lei 11.738 fazendo recuar conquistas históricas dos professores. Os prêmios Educar e Jubilar, de R$ 200,00, seriam suprimidos, bem como o prêmio assiduidade, enquanto a regência de classe, hoje em 25% e 40%, seria reduzida a 15%. Despir um santo para vestir o outro, esta é a proposta do governador. No fundo, ainda uma forma marota de encarar o salário-base como remuneração.

O Sinte-SC, legitimado pela força da greve, não aceita esta proposta (para ver a contraproposta do Sinte clique aqui). E, ao que parece, o governo será levado a negociar o parcelamento do pagamento integral, como o fez o governador Tarso Genro no RS, sem que para isso tivesse que esperar a pressão de um movimento grevista.

A conclusão é cristalina: ainda estamos aí às voltas com as conseqüências de eleger para o governo do estado um filho dileto do que há de mais conservador na política brasileira. Não passarão!

A GREVE DOS PROFESSORES EM SANTA CATARINA
01 de junho de 2011
Celso Deucher*

“Pagamos mais para mudar o passado do que para preparar o futuro”. (Escritor Nilzo Andrade)


Não estava com vontade de escrever uma linha sequer sobre este assunto, mas a consciência não me permitiu ficar calado. Desde o dia que decidi ser também professor, assumi compromissos com a sociedade que me obrigam a dizer o que penso, mesmo quando parece que a unanimidade afirma o contrário. Entre meu drama como profissional mal remunerado pela atividade que abracei e o de cidadão que não consegue ver uma coisa apenas por um ângulo, decidi que prefiro não me calar diante de certas visões politiqueiras da realidade que cerca a situação da educação neste país, grande em território, mas pequeno na valorização dos seus cidadãos.

Entre outras decisões também decidi que não devo apoiar o peleguismo consciente do Sinte/SC (Sindicato dos trabalhadores em educação de Santa Catarina), exatamente por que ele é um dos principais órgãos que ajudam a mascarar, junto com o governo estadual, uma realidade macabra, no que diz respeito às políticas educacionais no continente brasílico. Esta decisão só veio depois que olhei além da reivindicação momentânea por um piso salarial nacional de R$ 1.187,90 para professores com 40 horas semanais em início de carreira.

Este piso é uma vergonha em qualquer lugar do mundo onde as sociedades pretendem alguma coisa boa para o futuro. Para nós, um devaneio idealista que gera até greve. É como se fossemos os mendigos que se arrastam e se acotovelam embaixo de uma mesa farta. Quando cai uma migalha nos engalfinhamos esfomeados na esperança de que possamos dividir em milhares de pedacinhos e ao menos amenizar a fome que nos consome. Encima da mesa a festança continua e os protagonistas fazem questão de não olhar o que acontece lá embaixo. Afinal tanta coisa melhor que há para se olhar e degustar encima da mesa...

Onde estaria então este tal problema que me refiro e que este bando de covardes (leia-se Sinte/SC e o governo de Santa Catarina) não tem coragem de mexer? O problema está exatamente na arrecadação e na distribuição dos impostos. É neste incompreensível processo de exploração dos povos brasílicos que reside o impasse gerado tanto para o governo, quanto para os professores. Mas, nem um, nem outro, querem mexer neste vespeiro, por que senão tanto um quanto o outro corre o risco de ficar chupando no dedo quando a rainha de plantão no poder central resolver engrossar o caldo. A arrogância imperial do governo central brasileiro tem feito isso desde 1.500 e tem funcionado perfeitamente até nossos dias. Ninguém tem coragem de falar na inversão da arrecadação dos impostos. Ninguém tem coragem para denunciar que de cada R$ 100,00 que Brasília arranca de nossos bolsos aqui no estado, só retornam cerca de 15% para o estado e pouco mais de 8% para o município. Para onde vai o restante desta “grana” é desnecessário dizer, mas se alguém duvidar assista o noticiário diário e veja com seus próprios olhos o que aconteça na capital imperial, Brasília.

Assistindo a um debate entre um deputado governista e uma deputada defensora dos professores (e da base de apoio do governo federal) tive o desprazer de ouvir do deputado, que Santa Catarina teria recolhido para o Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação), algo em torno de 2,1 bilhões no ano de 2010 e que este dinheiro havia sido totalmente enviado ao governo federal e que de lá, teriam retornado para o estado apenas cerca de 1,7 bilhão. Na mesma linha, assinalou o jornalista Moacir Pereira no Diário Catarinense do último dia 25 de maio, apresentando números iguais. Ou seja, Santa Catarina foi roubada, só em 2010 em 400 milhões e apenas neste fundo, o Fundeb.

Imagine-se o quanto Brasília não rouba em relação aos demais fundos e ao restante da arrecadação. “Os dados sobre o Fundeb revelam, mais uma vez, o prejuízo brutal de Santa Catarina continua tendo com a centralização e o escasso retorno federal em relação à arrecadação tributária”, afirma Moacir Pereira, um dos poucos jornalistas do Estado que mantém a sensatez na análise da farsa federalista brasileira. Mas, uma pena, essa conversa nem o governo e nem os nossos amados mestres, meus colegas de sala de aula, conseguem entender. Foram cegados pelo Sinte/SC que prefere manter o foco na politicagem encima do estado, seu desafeto político.

Dito isto, a pergunta que precisamos fazer é a seguinte: Por que os pelegos do Sinte/SC e o governo catarinense não se unem para ao menos questionar este sistema opressor que põe na sarjeta não apenas os professores, mas o povo catarinense como um todo, em especial os mais pobres que pagam cerca de 42% de tudo que produzem de impostos? Por que, tanto governantes quanto entidades que deveriam nos defender, são tão covardes quando se trata de atacar o âmago vermelho da questão?

Quanto ao Sinte/SC já temos a resposta na ponta da língua. Esta entidade está atrelada ao atual governo federal e de modo algum irá mexer na arrecadação tributária, preferindo fazer politicagem aqui pelo estado, contra um governo incompetente que até este momento posiciona-se na oposição ao federal. Por este motivo, não fará absolutamente nada que vá contra as ambições por poder e a roubalheira dos seus “companheiros” lá de cima. Afinal estes R$ 400 milhões podem render na próxima eleição ao menos mais meia dúzia de novos deputados, senadores e outros comparsas que vão engrossar esta verdadeira quadrilha organizada.

Mas e o governo catarinense por que não faz nada se realmente quer o bem da população? Os motivos, salvo melhor juízo, também não são difíceis de se enumerar. Em primeiro lugar, esse jogo de situação e oposição é coisa prá inglês ver. Tanto o governador, quanto seu grupo (estadual e nacional) estão fundando novo partido (o PSD) objetivando ficarem mais “maleáveis” para conjunturas futuras (leia-se, maracutaias e atividades sorrateiras de apoio ao próprio comando do poder central que hoje se dizem oposição). Além do mais é tradição nos governos estaduais uma verborragia oposicionista, mas ao final, sempre caem de joelhos diante da corte numa submissão vergonhosa a Brasília. Nem o ex governador Luiz Henrique da Silveira (hoje senador) que tanto falou em federalismo e descentralização de poder, durante seu mandato, agora lá encima não dá um pio sequer para nos defender ou ao menos discutir a questão da arrecadação tributária.

Em outras palavras, para nós professores e a população em geral, se correr o bicho pega, se ficar o bicho come. Não se apresenta outra alternativa que não seja ficar, lutar e seja o que Deus quiser. E lutar, neste contexto significa antes de mais nada, mostrar nosso repúdio contra Brasília e suas práticas neocolonialistas. Afinal de que adianta colocar um piso salarial neste valor se é ela que arrecada e não manda o suficiente para que seja pago? Seria para enfraquecer ainda mais o estado e deixá-lo ainda mais vulnerável as suas ordens?

Nós temos que repudiar com veemência a covardia dos poderes estaduais, que se tornaram comparsas do poder central na exploração dos povos brasílicos. Repudiar com todas as forças entidades como o Sinte/SC e outras que se dizem defensoras dos fracos e oprimidos, mas que na verdade cospem na nossa cara toda manhã que entramos em sala de aula. Além dos trocados que os governos nos repassam, não ganhamos mais que o abraço carinhoso dos alunos.

Caso um dia tenhamos realmente um sindicato combativo e lúcido ele irá lutar por um piso salarial de R$ 5.000,00 para educadores com 40 horas semanais. Se faltar bibliografia para a companheirada ler, por favor peguem o estudo que a Unesco divulgou no ano passado fazendo um comparativo em 38 países e onde aparece quanto cada um paga aos seus professores. Adivinhe onde ficamos? Em terceiro lugar, perdendo apenas para a Indonésia (que pega U$ 1.624 por ano) e o Peru (que paga U$ 4.752 por ano) no posto de pior salário. Em média os países mais bem colocados pagam aos seus mestres U$ 33.209 por ano.

Para finalizar vale citar aqui o escritor Nilzo Andrade (in O Líder dos sonhos) que também fez um comparativo no mínimo interessante. Segundo ele, um Juiz do Supremo Tribunal Federal do Brasil, que tem título de Ministro, recebe U$ 148 mil por ano. “Quem faz conta de cabeça percebeu que uma pessoa formada para julgar crimes, uma função reativa, ganha quase 30 vezes mais do que uma pessoa formada para educar, uma função preventiva. Temos um sistema que investe menos no profissional que poderia diminuir o trabalho do profissional que existe para resolver coisas acontecidas. Pagamos mais para mudar o passado do que para preparar o futuro”.

*O autor é professor de filosofia, geografia e história na Rede Publica Estadual em Brusque, SC.


Joao Batista Broering - Pobres infelizes

Infelizes são aqueles que buscam alcançar o entendimento de toda uma sociedade para aquilo que eles até acham que é certo mas todos nós Catarinenses sabem que não é. Sr. Governador e Secretario da Educação, os Catarinenses a muito tempo sabem que Educação nunca foi prioridade, nem em governos anteriores e nem nesse governo que sabemos que é um Governo de continuidade. Sabemos também que o Dinheiro que seria exclusivo para a Educação está sendo descentralizado assim como todas as Secretarias que foram criadas com objetivos claros de servir não melhor toda a sociedade mas apenas para servir de cabides de empregos e planos eleitoreiros. É uma pena. Sendo assim Sr. Governador, aconselho que sejam contruidos mais presídios para atender a demanda. E enquanto isso, ficaremos aguardando o desfecho final, mesmo sabendo antecipadamente como será o fim.

osé Eraldo Rovaris - - Quero meu Direito Constitucional
Professores(as), quero participar dessa luta. Essa imprensa estadual não está falando o que é certo, eles estão escondendo o orçamento. Esse é o que temos que atacar, e vamos começar pela Classe dos Professores, esse orçamento que foi aprovado no governo passado esta cheio de irregularidades, inclusive já solicitei à PF e MPF todos de Brasilia e CNBB que verifiquem minhas solicitações, se for verdade o que estou investigando todos os politicos da região sul do estado terão muita coisa a explicar. Por isso que digo, eu tenho uma irregularidade do orçamento que envolve muita coisa, muita coisa mesmo. Esses caras não tem mais condições de aprovar mais nada nesse estado e nesse país.Vamos tirar esses caras daí, eles são uns monstros. A classe dos Professores tem a missão de informar à população catarinense, a respeito do que esta acontecendo nesse estado, isso não pode ficar assim, é roubo para todo lado, todos os órgãos estão corrompidos, sem excessões. Professores(as) a Classe dos Professores tem que exigir o que esta na Constituição, qual a reserva para Educação no Estado, qual o percentual da Educação.Se está na Constituíção então é de direito, vamos acabar com essa palhaçada na contabilidade, vamos colocar todos os recursos da Constituíção na conta da Educação. Vamos acabar com essa roubalheira no estado. Estou a disposição do Sinte. Esqueci de avisar eles sabem o que estou falando, eles não indenizaram as famílias em Timbé do Sul local da barragem, porque começei a questionar a respeito das indenizações e todos ficaram calados, ninguém responde meus questionamentos. Marquem uma reunião com Delegado Renato Heining, Tiago Silva (PROCON municipal) a Deputada Angela Albino, todos sabem o que esta ocorrendo nessa politica suja, chegou o momento não da mais aguentar essa roubalheira no Estado. Aguardo retorno. Urgente. Att, José Eraldo Rovaris Florianópolis SC

Marcia Margarida Bratti - - AFASED
Colegas de Profissão! Hoje a AFASED homenageia todos os colegas PROFESSORES do Estado de Santa Catarina citando expressões fortes da letra do Hino de Santa Catarina. Dentre essas expressões destacamos a primeira “Quebram-se férreas cadeias, Rojam algemas no chão” porque esta em nosso modo de pensar transdisciplinar demonstra o sentimento de libertação conquistado pelo exercício da autonomia do conhecer; a segunda “Pela força do Direito, Pela força da Razão, Cai por terra o preconceito, Levanta-se uma Nação!” porque esta demonstra a vontade de fazer cumprir as leis; a terceira “Não mais diferenças de sangues e raças, Não mais regalias sem termo fatais, A força está toda do povo nas massas, Irmão somos todos e todos iguais!” porque esta demonstra o querer aplicar o princípio constitucional da igualdade e a quarta “Quebrou-se algema do escravo, E nesta grande Nação, É cada homem um bravo, Cada bravo um cidadão!” porque esta demonstra o sofrido aprendizado do exercício da cidadania individual e coletiva da velha e da nova geração de profissionais da Educação. Conselho de Gestão da AFASED

Profº Renato Luiz Menze - 312235-2-05 - Má formação
É simplesmente indigesto, caros amigos. 1º- O Raimundo Colombo era senador à época da votação do piso, e votou a favor. 2º- Agora é resiliente em pagar-nos o piso que ele mesmo votou a favor! Não é um paradoxo? Ademais, vai prestigiar a posse de uma ex-sindicalista e deixa o estado ao viés do tempo. Isto é de extrema irresponsabilidade e incompetência desse sr., não sabe deliberar assuntos urgentes ou não sabe nada sobre administração pública (isto que já foi ao exterior estudar sobre administração pública!), gazeou as aulas. 3º- De acordo com a Secretaria da Fazenda (DC nº 9.177), como explicar à sociedade catarinense aonde foi aplicado R' 2.795.232.179,02 do fundo criado por Lei Federal destinado ao pagamento dos salários dos professores ativos e inativos, manutenção das escolas públicas e afins? E vem às mídias diversas com o "coitadismo beligerante" de que o estado não tem dinheiro para honrar o Piso Nacional do Magistério? Se LHS não honrou à formação que teve (que volte a ler -O Salário Perverso- 1983), o problema não é meu, meus IMPOSTOS estão em dia. Para mim, demonstra imaturidade com a cousa pública, má gestão e/ou malversação do erário público, incompetência administrativa-política-social, desdém com os catarinenses. Deveria, juntamente com a equipe de (in)competentes "pedirem o boné" e voltarem de onde vieram.

Claudete Di Domenco - - Indignação
É lamentavel que em pleno século XXI os profissinais em educação precisem recorrer a greve para conseguir valorir seu proventos. A educação deveria ser tratada com muito mais seriedade pelos nossos governantes, mas eles estão ocupados, precisam encontrara o maior número possível de filiados para para o novo partido criado pelo nosso Envergonhíssimo Sr Governador. Mas ali fca uma lição para todos nós eleitores, o cara vestiu um terno e uma gravata e falava bonito , pronto ganhou as elições, nem ao menos sabíamos de onde vinha. Estamos pagando o preço. Sou mãe de aluno em idade escolar do Colégio Gomes Carneiro em Xaxim/SC, paoio o movimento grevista, os professores estão com todo direito, por outro lado sinto uma revolta, é inadmissível isso não seria necessário, os professores deveriam receber um salário muito gratificante, digno, pois são responsáveis pela educação das crianças do futuro do Brasil. Deveriam ser respeitados pelos nossos Envergonhíssimos governante. E aí me pergunto. O uqe será do futuro de nossos filhos? E este ano letivo, será que vão acaber perdendo? Um grande abraço a Todos! Há, vcs vão conseguir fazer este cara abrir a mão quando mexerem no bolso, cauxas prejuizoz, por exemplo pessas apoio as empresas, parem as rodovias..... Claudete

Sênio Mendes do Amaral diz:
2 de julho de 2011 às 11:49 pm
VIDA DE PROFESSOR
Tenho alunos de todos os tipos, as pessoas são únicas, mas há sempre algums tipos que parecem insistir em prevalecer: tenho aluno esperto, tenho aluno que sofre bullying, tenho aluno com facilidade de aprendizagem que só tira dez em quase todas as disciplinas, tenho alunos com muita,mas muita dificuldade de aprendizagem, tenho aluno com dislexia, aluno com dislalia, aluno com deficit de aprendizagem, aluno com epilepsia, aluno compulsivo, aluno popular, aluno que vem sujo na escola,com a roupa sempre amassada, aluno que vem perfumado, aluno que tem problema de visão, aluno carinhoso, aluno agressivo, aluno com mau hálito, aluno com deficiências especiais, alunos preconceituosos, alunos fraternos, alunos convesadores, alunos brincalhões, alunos com virtudes e defeitos, assim como eu e todos nós, que possuem seus valores e que nunca deveriam deixar de acreditar no papel da figura do professor. Em cada sala, em cada 48 minutos que se fica, tenho de estar alerta, a cada um, aos 35 que enchem a sala, tenho de controlá-los, orquestrá-los, fazer com que os 35 fiquem quietos por 48 minutos, lendo , escrevendo, concentrados, sair dali sem que não deixem de se respeitar, que acreditem no que nossa humanidade acredita existir de valor, de nobre, de importante. Amo meus alunos, sejam da forma que forem, como se fossem meus filhos, defendo cada um que seja injustiçado pelos próprios colegas, faço isso a todo momento, faço com que se desculpem, que sejam amigos, tenho de matar um leão a cada minuto, e acreditem, é a cada minuto mesmo ! No fim do dia, após 10 aulas dadas em sala, saio feliz, leve, com o sentimento de dever cumprido, amo minha profissão, mas sinto-me profundamente desvalorizado pelo governo, humilhado em todas as formas possíveis. Estou no fundo do poço, como se diz :” é como se estivesse no inferno, abraçar o capeta não custa nada !” Apenas saio da greve quando minha categoria votar democraticamente aceitar uma proposta decente! Lutar faz parte da vida de alguém que se diz professor!

A madrugada dos acampados
3 de julho de 2011

Do professor João Gabril Rentel,via e-mail: “

”Caro Moacir estamos diretos aqui do acampamento do magistério informando a todos os colegas da situação. Conseguimos uma audiência com o governo.

MADRUGADA INCANSÁVEL

Caros colegas professores não ta fácil. Choveu muito a noite e várias barracas alagaram. Foi muita chuva e vento. Mas a energia aqui é muito forte. Os professores aqui acampados estão todos motivados para que o governo apresente uma proposta que corresponda aos anseios da categoria. A noite é interminável, pensamos que com o fim da chuva as coisas pudessem melhorar aqui no acampamento. Contudo, veio o vento, meu Deus e que vento, várias rajadas de 70 a 80 km. Algumas barracas acabaram desabando e tivemos que acolher os nossos companheiros demais barracas. Ficamos amontoados todos, aquecendo o corpo uns dos outros. Não é à força do vento, e nem da chuva que irá nos tirar do acampamento da educação aqui de Florianópolis. Companheiros chamam uns pelos outros durante a madrugada, verificar como estavam. Estão todos bem, alguns com medo, mas com muita energia para o governo nos atender.”




OPINIÃO: O PISO E A GREVE
''O confronto entre os professores da rede estadual de ensino e o governo catarinense tem, este ano, características bem diferentes dos embates registrados em greves passadas'', avalia Moacir Pereira

Fonte: Diário Catarinense (SC) e Jornal de Santa Catarina (SC)

* MOACIR PEREIRA

O confronto entre os professores da rede estadual de ensino e o governo catarinense tem, este ano, características bem diferentes dos embates registrados em greves passadas. De um lado, os dirigentes do Sindicato dos Trabalhadores em Educação (Sinte), revelando bom senso, capacidade de diálogo e, sobretudo, visão e maturidade política.

Está visível a representação real do magistério, não mais motivação partidária e ideológica ou radicalismos infrutíferos. De outro, o governo também com a disposição de negociar. Indica estar, ao menos parcialmente, ciente da gravidade do momento e da delicada conjuntura na Educação.

Alguns pontos são inegociáveis pelos professores. Um deles é o da tentativa do governo de considerar o piso o conjunto da remuneração. Este, aliás, foi um dos equívocos da proposta salarial do secretário da Educação, Marco Tebaldi, submetida à assembleia estadual dos professores.

Afinal, eles sabem ler e estão bem-informados. A Lei 11.738 diz claramente que piso é vencimento básico. E o STF, questionado em ação direta de inconstitucionalidade sobre esta particularidade, não deixa dúvida. Piso é vencimento básico. O governo, agora, parece convencido dessa realidade. Por isso, insiste na publicação do acórdão.

Isto ficou claro outra vez na reunião dos dirigentes do Sinte com Raimundo Colombo e Eduardo Moreira, no Centro Administrativo, logo após a transmissão do cargo de governador. Agiram acertadamente os dois governadores, recebendo os líderes do movimento.

Eles sabem que a reivindicação é justa, que o magistério está ao lado da lei e com a firme determinação de parar as atividades. A ida do comando de greve ao Executivo e a abertura para a audiência foram gestos convergentes inéditos. Nos oito anos do governo Luiz Henrique, isto nunca aconteceu.


Análise de uma greve em andamento: o caso do magistério catarinense

Passa Palavra - [Matheus Pinho Bernardes] O fato das assembleias serem soberanas está sendo fundamental ao êxito da mobilização, uma vez que a base mantém-se como suporte e propulsora do movimento, sendo um reflexo do posicionamento da categoria.

Deflagrada em meados de maio, a greve do magistério catarinense já vigora há quase um mês, como uma das maiores – senão a maior – paralisação já realizada pela categoria no estado. Este breve texto visa esboçar uma análise a respeito da greve, numa tentativa preliminar de reflexão sobre o tema. Entretanto, não se preza uma análise neutra, uma vez que reconhece-se a impossibilidade e mesmo a má-fé desse tipo de pretensão. Procura ser uma análise objetiva, além de um conclame para a manutenção do estado de greve pelos trabalhadores em educação e pelo contínuo apoio da sociedade.

Nesse sentido, o escrito está organizado em três seções: 1) pauta e motivos – um curto apanhado sobre as origens da greve; 2) dinâmica – principais características da greve, centrada principalmente na relação grevistas-Estado; 3) ponderações complementares – demais aspectos significantes acerca da conjuntura do movimento.

***

1. Pauta e motivos

Embora o princípio básico da greve seja a reforma de diversos aspectos da educação, pode-se afirmar que ela se pauta em dois eixos-chave, por assim dizer: a qualidade da educação, em termos absolutos, e as condições de trabalho dos profissionais da educação (professores, técnicos e assistentes pedagógicos, orientadores, etc.), em termos relativos. As reivindicações apresentadas a seguir vêm no sentido de especificar os pontos de pauta do magistério catarinense, uma vez que as precárias condições da educação brasileira são por todos conhecidas ou, pelo menos, imaginadas:

a. Realização de concurso público (desde 2005 o estado de Santa Catarina não realiza concurso público para efetivação de professores. Isso se contrapõem à legislação vigente por dois motivos: tais concursos devem ocorrer a cada dois anos e o número de ACTs (Admitidos em Caráter Temporário), supera em muito o previsto em lei – em torno da metade do quadro docente);

b. Revisão da lei dos ACTs (o Estado catarinense regula a função dos ACTs através da Lei Complementar nº 456/09, que possui feições draconianas. Os que assinam este contrato de trabalho são subitamente demitidos com o fim do ano letivo, têm sérias restrições a usufruir de licenças médicas, mesmo que atestadas, e ficam impedidos de participar de processos seletivos se tiverem sofrido alguma sanção);

c. Anistia das faltas da greves de 2008 (tais faltas atuam como um empecilho à progressão horizontal do professorado efetivo);

d. Gestão democrática e eleições diretas para a direção das escolas (as funções de direção são cargos de confiança, escolhidos pelo governo, sendo portanto a direção majoritariamente formada por afiliados políticos do partido da situação);

e. Não terceirização da merenda escolar (o setor da alimentação vem passando por um processo de terceirização, que, além de extremamente oneroso e de qualidade inferior ao prestado pelo Estado até então, não pode ser consumido pelo quadro de funcionários da escola – e vai antes ao lixo do que consumido pelos profissionais);

f. Aumento do quesito hora-atividade (os professores são consumidos por diversas horas trabalhadas em ambiente domiciliar além do programado em sala de aula; aumento para 1/3 da jornada de trabalho destinado à atividades extra-classe – tal qual planejamento de aulas, correção, aperfeiçoamento, cursos de formação, etc.);

g. E, principalmente, a implantação do Piso Nacional Federal.

Este último é indubitavelmente o grande propulsor da paralisação da categoria. A reivindicação não vem por menos: tem o aval institucional da maior instância do judiciário nacional, o Supremo Tribunal Federal. Ocorre que em 16 de julho de 2008, através da Lei 11.738/08, foi aprovada a criação de um Piso Nacional Federal, a ser aplicado por toda a rede pública de ensino (federal, estadual e municipal), a partir do janeiro seguinte. A medida, entretanto, não foi aplicada em Santa Catarina – diferente da maioria dos estados da União. O motivo desta excepcionalidade foi a intervenção de uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADIN). Juntamente com os estados do Paraná, do Rio Grande do Sul, do Mato Grosso do Sul e do Ceará, o governo catarinense procurou se contrapor ao estabelecimento do piso federal, mediante tal recurso judicial. [1]

Passados mais de dois anos, em 6 de abril de 2011 o Supremo Tribunal Federal julgou a constitucionalidade do Piso Nacional para os profissionais da educação, dando ganho de causa à implantação do piso ao magistério catarinense. Mesmo após tal decisão o governo não deu indícios de implementação do piso. Pelo contrário. As reuniões com os dirigentes do Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Santa Catarina (Sinte/SC) não surtiram efeito. Falhas as negociações, a greve da categoria tornou-se a alternativa mais contundente à letargia governamental. É de seu andamento que nos deteremos na sessão seguinte.

2. Dinâmica da greve

A Assembleia Estadual, realizada no dia 11 de maio de 2001 em Florianópolis, votou pelo indicativo de greve para dali a uma semana (18 de maio), caso o governo não se manifestasse pela implementação do piso. [2]

A argumentação inicial da Secretaria de Educação era de que o texto da lei aprovado pelo Supremo Tribunal Federal não era suficientemente claro. Seria necessário a entrega do acórdão – o texto da lei revisado, com parecer de cada um dos ministros do Supremo. Enquanto o governo mantinha sua inércia, considerando precipitado o início da greve e reiterando a necessidade dos trabalhadores da educação em esperar a resolução do acórdão, a paralisação eclodiu por todo o estado, cumprindo a deliberação da Assembleia.

Deflagrada a paralisação, o primeiro encontro entre os dirigentes sindicais e o governo ocorreu no dia 23 de maio. Na ocasião o vice-governador Eduardo Pinho Moreira ficou encarregado junto à Secretaria da Educação de negociar com o comando de greve estadual (o governador Raimundo Colombo havia viajado a Europa).

Não pode-se dizer que houve propriamente negociação neste encontro, senão um informe por parte do governo: uma proposta de reajuste apresentada como única a ser disponibilizada – sem margem a questionamentos. Tal ideia era reforçada em afirmações do calibre de “o governo não negocia com categoria parada” e “a educação não é uma das prioridades da sociedade” – “pérolas” de Marco Tebaldi e Eduardo Deschamps, respectivamente secretário da Educação e adjunto ao cargo.

A “outorga” dessa tabela pelo governo foi um subterfúgio numérico ao cumprimento do piso. Pretendia acatar a decisão federal através de um nivelamento “por baixo”. Isso se dava da seguinte forma: o executivo se propunha a pagar o piso a todos profissionais para os quais o vencimento total não alcançasse os R$ 1187,00. [3] Em contrapartida, concluía que os trabalhadores da educação que recebiam o vencimento igual ou maior àquela cifra já se encontravam automaticamente contemplados pelo piso.

Ou seja, dava um reajuste salarial a uma parcela da categoria e não à sua totalidade. Na prática, esse aumento salarial atingia em torno de 8 mil professores do estado – os que se encontravam nos primeiros níveis de titulação do magistério – enquanto promovia um achatamento do plano de carreira de todos os níveis, acabando a longo prazo com todas progressões e estímulos profissionais.
Se por um lado o Estado catarinense mostrava seu aspecto evasivo, demagógico e de total irresponsabilidade para com a educação catarinense, em paralelo corria sua vertente repressiva. A coerção se fez presente desde o início da greve, quando no dia 19 de maio uma Comunicação Interna (C.I.) foi enviada à direção de todas as escolas. O documento (Ofício Circular n° 691/11) dava instruções de procedimento aos gestores da educação durante a vigência da greve. Destacam-se o envio de uma relação diária dos grevistas, a proibição do uso dos espaços das escolas para reuniões dos mesmos, a ameaça de não renovação de contratos dos ACTs que terminassem durante a greve (se a ela aderissem), bem como o fato de ressaltarem aos diretores e assessores de direção que seus cargos são “de confiança e […] este é o momento de exercer e fortalecer a liderança inerente ao cargo […] [e] corresponde[r] à expectativa que o Governo do Estado deposita em cada um de vocês”. [4]

Voltou a se manifestar publicamente por uma propaganda veiculada na mídia entre os dias 23 e 24 de maio, onde displicentemente (des)informava que a greve havia acabado e solicitava que os alunos regressassem às escolas. Foi, por fim, seguindo essa mesma cartilha que pretendeu-se instituir a tabela mencionada, mediante a aprovação de uma medida provisória direcionada à Assembleia Legislativa do Estado de Santa Catarina (ALESC), de forma a institucionalizar a ação e tornar praticamente irreversível sua alteração.

Para o governo a medida não surtiu o efeito desejado. Não houve refluxo da categoria e até os índices de paralisação assumidos pelo governo, revelam a crescente adesão da categoria à greve. Equiparar o vencimento de um professor formado no magistério ao de um professor de formação superior e pós-graduação mostrou-se um erro estratégico que só estimulou o aumento do número de grevistas. As estimativas publicizadas pelo governo, de 31,8%, 50% e 70% de adesão, são indicativos de uma proporção superior, haja em vista que em nada beneficiaria assumir os percentuais reais. [5]

O achatamento da tabela salarial e o desmantelamento do plano de carreira servia para confirmar a mobilização de uma categoria que já mostrava a marca histórica de 10 mil profissionais presentes na Assembleia Estadual no 11 de maio. [6] A categoria continuou a realizar semanalmente Assembleias Regionais e, enquanto os comandos de greve prosseguiam suas passagens em escolas informando a conjuntura e a necessidade da luta aos que continuavam a lecionar, eram realizados atos públicos para esclarecimento da população. Estes atos públicos variavam desde informes em rádios, cartas abertas dirigidas à sociedade e passeatas, que complementam-se com “queima de diplomas” (como modo a questionar a equiparação do vencimento entre diferentes níveis de formação) e “marchas fúnebres” ao plano de carreira – não raras vezes levado dentro de um caixão, rumo ao sepultamento.

Logrado que o governo voltasse à mesa de negociações por meio da pressão dos professores e o apoio da sociedade, tem início uma nova fase da paralisação a partir do 2 de junho. O motivo para definir este como um novo momento tem a ver com o início das negociações que, só a partir de então, começam efetivamente a acontecer, com contrapropostas de ambos os lados. Sucinta e factualmente, a rodada de negociações inicia-se com uma nova proposta do governo no dia 2. Prosseguiu com um encontro no dia 3, onde em menos de 24 horas o comando de greve estadual teve de apresentar uma contraproposta. Encerrou-se temporariamente no dia 6, com a resposta do governo à contraposta dos educadores.

A proposta do dia 2 de junho tem as seguintes características: manter o canal de negociação aberto através da criação de um grupo de trabalho entre o Sinte/SC e o governo para, no prazo de 180 dias, “implementar projetos para resolução de problemas estruturais, de segurança e mobilidade nas escolas”, revisar a lei dos ACTs, bem como o decreto 3.593/2010 que trata da progressão funcional e a “atualização da tabela salarial com base no piso salarial nacional, considerando as novas fontes de recursos”. Apesar de, por exemplo, garantir também o abono das faltas da greve, o impasse voltava a manifestar-se quando era o plano de carreira e a tabela do piso que passavam a ser debatidos.

A justificativa de Colombo era a de que a tabela da medida provisória destinava-se ao pagamento do piso, conforme a lei federal, e a nova tinha o compromisso de “pagar melhor os professores, mas […] [o governo] tem limitações financeiras e fiscais”. É importante salientar que antes desse encontro o governador Colombo havia ido a Brasília solicitar recursos para a implantação do piso (1º de junho). Aqui esmera-se o novo argumento governamental: o piso reivindicado pelos professores ultrapassa os recursos financeiros do Estado. A negociação com o Ministério da Educação (MEC), baseada na complementação do piso pela União, foi um fracasso, haja em vista as condições financeiras do Estado catarinense serem extremamente contrastantes com a dos Estados que efetivamente precisam desse auxílio. De sua ida à capital, retoricamente o governo buscava legitimar seu argumento de que não podia enxugar mais os cofres públicos com a educação do Estado.

Eis a proposta: aumento do vencimento com base na incorporação de benefícios existentes (prêmios Educar, Jubilar e assiduidade), reduzindo para 15% os percentuais de regência de classe [7] e reduzindo em 50% os adicionais pelas horas excedentes. Não há uma concreta descompressão da tabela salarial, antes um arranjo sobre a anterior, que aumenta para 19 milhões – 5 milhões a mais que a precedente – mas não traz significantes mudanças no quadro salarial.

A contraproposta do Sinte/SC (Ofício 081/2001), apresentada no dia 3, reivindica, além de alguns pontos já acordados pelo governo, a “anistia das faltas da greve de 2008 e todas as outras mobilizações a partir de 2007”, a redução do grupo de trabalho para o prazo de 60 dias, prevendo realização de concursos públicos considerando a jornada da hora-atividade para 1/3, o aumento do vale alimentação e o aumento gradual do piso da carreira até novembro de 2011. A isso acrescenta-se a “manutenção de todas as gratificações constantes na carreira do Magistério” e “a incorporação dos Prêmios Educar, Jubilar e Assiduidade em percentual e de imediato”.

Como mencionado, esse posicionamento vai de encontro à postura do governo quanto ao percentual de gastos a ser direcionado à educação. Partindo da constatação anterior que aqui pouco ou nada se altera, elencamos o mais notório da resposta do governo à proposição do comando de greve estadual, realizada no dia 6 de junho: avançam as negociações quanto ao vale alimentação, a revisão da lei dos ACTs e da progressão funcional, a anista das faltas da greve de 2008 e o abono das faltas (alguns destes pontos ainda serão submetidos ao grupo de trabalho). As discordâncias estão quanto o prazo de duração do grupo de trabalho Sinte-Governo, quanto à forma de implementação do concurso de ingresso, quanto ao cumprimento da jornada de 1/3 da hora-atividade e, logicamente, quanto à implementação do piso de maneira gradual. Este último é categoricamente descartado ao afirmar que “se o Governo vislumbrasse a possibilidade de realizar esta ação teria proposto antes de deflagrado o movimento e paralisação”. Assim, aumentando de 19 para R$ 22 milhões/mês, incluindo a redução da regência de classe de 40% para 25% e de 25% para 17%, a nova tabela nada mais é do que – uma vez mais – uma tímida alteração de sua precedente.

Compartilhando da mesma opinião sobre o caráter da proposta do dia 6, os professores decidiram pela manutenção da greve. Vale informar que – além de dados gerais conhecidos sobre a economia catarinense – há indícios de que o governo não aplica os 25% que deveria na educação e tampouco repassa na íntegra o percentual destinado ao FUNDEB [8] (que são encaminhados a outras esferas do setor público), fatos que atestariam, até ao maior dos crédulos, a falsidade acerca da impossibilidade de maiores investimento na educação. Este é um ponto-chave para a continuação da greve, que mantém aceso o movimento.

Entretanto, tanto a mobilização atual como a deliberação da permanência da greve só podem ser compreendidas se levadas em conta as características da Assembleia Estadual realizada no dia 9 de junho. Ocorrida após ameaça do fim das negociações e da aprovação da medida provisória do 23 de maio caso os professores não voltassem às aulas, a Assembleia, realizada na Passarela Nego Quirido em Florianópolis, teve a histórica marca de 14 mil presentes, que, por unanimidade, deliberaram pela manutenção da greve. Sua posição, surpreendentemente alastrada por uma passeata que tomou, de fato, as ruas da cidade, ficou registrada oficialmente ao governo com uma proposta que concordava na implementação do vencimento, de forma gradual, baseada no respeito aos valores de progressão da tabela. [9]

Depois desta manifestação de coesão e força, é difícil acreditar que o posicionamento do governo se mantenha tão pouco flexível. O apoio da sociedade ao movimento, juntamente com a mobilização da categoria, podem implicar numa séria ameaça ao futuro político dos administradores públicos. Apesar de sua estabilidade, a ausência de negociações também desgasta o governo. As tentativas de refluxo até agora não surtiram efeito e a categoria segue firme em sua luta, demonstrando que sua resistência ainda tem fôlego expressivo.

3. Ponderações complementares

A greve do magistério catarinense tem se caracterizado por notável desempenho em sua extensão. Mesmo que tenha se guiado mais pelo critério econômico, o crescente que ela vem tomando é expressivo do nível de mobilização alcançado. Não são poucas as avaliações de grevistas de longa data, que inferem sobre a força e o tamanho do movimento atual sem encontrar paralelos nas experiências passadas.

No decorrer da paralisação alguns elementos têm-se mantidos constantes. O entendimento do que constituía o piso já podia ser notado como importante ponto não consensual entre governo e grevistas desde o início. Do ponto de vista do governo o piso era sinônimo do vencimento total (o salário na íntegra) enquanto os professores entendiam que o piso era o vencimento base, excluído os demais benefícios da categoria (regência de classe, prêmio Educar, Jubilar, IP, etc.). [10]

Isso significa que aparentemente os esforços do governo Colombo de levar adiante o viés torpe e arrogante de seu predecessor, Luís Henrique da Silveira, foram exitosos: mesmo com o fracasso da ADIN, conseguira transformar um projeto de reajuste salarial na destruição do plano de carreira de uma categoria. Em sua persistência em arcar com o menor custo possível, a tendência é a de que, quanto maior a coesão se mantiver, maiores a possibilidades de maiores conquistas.

Outro ponto constante é o apoio da sociedade. Diferentemente da opinião corrente a respeito de greves, houve uma empatia da população em geral pela paralisação da categoria. Este tem sido um elemento importante de pressão ao governo. Agregue-se a isso as várias moções de apoio de outras entidades sindicais e outras entidades. [11]

No tocante à dinâmica do movimento, pode-se afirmar que sua democracia interna tem sido fundamental. O fato das assembleias serem efetivamente soberanas está sendo fundamental ao êxito da mobilização, uma vez que a base mantém-se como suporte e, ao mesmo tempo, propulsora do movimento, sendo um reflexo do posicionamento da categoria.

Do ponto de vista da categoria em si, o magistério tem suas peculiaridades. Grosso modo, quantitativamente o professor é um profissional que tem ciência a respeito de suas péssimas condições de trabalho e sua parca remuneração – noção que, inclusive, o senso comum compartilha. Entretanto, problemas como a abstenção aos movimentos de paralisação ou seu posterior abandono, quando não a ausência de uma perspectiva de melhoria de sua situação profissional – ocasionada pela pouca incidência de conquistas – induzem ao um quadro de conformismo significativo. Nesse sentido, o percentual quantitativo desta greve é um marco na história do movimento. E mais: sua resolução terá um peso decisivo ao futuro da categoria e da educação catarinense. Na atual conjuntura, lograr significativamente suas principais metas pode significar um período de ascensão no movimento reivindicativo do magistério; do contrário, corre-se o risco de um desmantelamento do movimento, que só encontraria organização após décadas de apatia.

E é desta forma que esta manifestação política por parte dos professores tem uma conotação histórica ímpar em Santa Catarina, haja em vista que direta ou indiretamente ela irá ditar futuramente as condições de vida de seus profissionais e da educação como um todo.

A luta continua!
Todo apoio ao magistério catarinense!

"Onde você vê um obstáculo,

alguém vê o término da viagem

e o outro vê uma chance para crescer.

Onde você vê um motivo para se irritar,

alguém vê a tragédia total

e outro vê uma prova para sua paciência.

Onde você vê a morte,

alguém vê o fim

e outro vê o começo de uma nova etapa...

Onde você vê fortuna,

alguém vê riqueza material

e outro pode encontrar por trás de tudo, a dor e a miséria total.

Onde você vê a teimosia,

alguém vê a ignorância,

um outro compreende as limitações do companheiro.,

percebendo que cada qual caminha em seu próprio passo.

E que é inútil alguém querer apressar o passo do outro,

a não ser que ele deseje isso.

Cada qual vê o que quer, pode ou consegue enxergar.

Porque eu sou do tamanho do que vejo.

E não do tamanho da minha altura."

(Fernando Pessoa)

Comunicado de greve no Blog da E E Luiz Bertoli de Taió

Entregamos grande parte de nossas vidas em favor de nosso trabalho PELA ESCOLA. Não contamos as horas extras de trabalho em casa! Não contamos os anos de estudo! Não medimos o cansaço! Alguns professores inclusive, já estão com mais de 10 anos de estudo contando as faculdades, pós-graduações e cursos suplementares para oferecer qualidade no trabalho e para fazer de Santa Catarina, um dos Estados que se destaca pela qualidade de Educação. Enfim, nos entregamos totalmente ao que nos cabe, que é construir um mundo melhor através da escola.
O que temos em troca no momento? Um dos piores salários do Brasil! Não podemos mais nos calar e não podemos caminhar sozinhos. Precisamos do apoio de todos vocês neste, que é um dos momentos mais importantes da História da Educação Catarinense.
Nós, professores em greve não retornamos à escola ainda, pois o Governo Estadual não cumpriu,como deveria cumprir, a Lei de pagar aos professores o Piso Salarial Nacional. Os anúncios na televisão e em alguns jornais não mostram totalmente a verdade e por isso queremos conscientizar a todos sobre isso.
Os professores com mais estudo, com mais anos de trabalho e os professores de Primeiro ao Quinto Ano, período tão importante na formação de uma pessoa, estão sendo desvalorizados pela proposta que o Governador ofereceu. Estamos em greve, por este e por mais motivos.
Entendemos que todos têm direito ao estudo e nós também já estamos angustiados para voltar pois cada dia de falta , representa descontos em nosso pagamento. Estamos enfrentando isso tudo e não é uma missão fácil.
Queremos apenas que o Governo cumpra logo a Lei! Não é uma questão de ESCOLHA. É uma questão de OBRIGAÇÃO.
Amamos estar nesta escola e amamos mais ainda estar com vocês nela, mas: SERÁ QUE TEMOS O DIREITO DE EXIGIR QUE VOCÊS SEJAM PESSOAS DE BEM E QUE EXIJAM SEUS DIREITOS, SE NÓS, PROFESSORES, NÃO FAZEMOS ISSO?
Queremos ser exemplo de luta, de ÉTICA, e de coragem para todos vocês. Que vocês levem esse exemplo para o resto da vida pois isso TAMBÉM É EDUCAÇÃO. Queremos que no futuro, vocês possam realmente dizer: "o mundo melhorou, pois NOSSOS PROFESSORES lutaram para que isso acontecesse".

"Não existe isso que se chama escrever bem. Existe é pensar bem. Escrever é pensar. Quem pensa mal, escreve mal." Paulo Leminski

"Um chefe de Estado não administra cifras, não faz cálculos estruturais, não prolata sentenças, nem deve escrever seus próprios discursos. Cabe-lhe liderar os povos e conduzir os estados, e isso dele exige muito mais do que qualquer formação escolar: exige a sabedoria que desconfia do conhecimento, e o conhecimento que se esquiva das informações não confiáveis." Mauro Santayana

LIVROS
Há quem faça orações para isso, para aquilo, há quem pendure galho de arruma atrás da porta, enfim, as crendices são infinitas. Digamos às nossas crianças que a grande “mandinga” na vida está nas páginas dos livros, na leitura. Livros fazem milagres, abrem portas, todas as portas, sim?


38%
Um economista do MEC diz que só 38% dos professores da rede pública acreditam no possível sucesso de seus alunos, alunos pobres. Quem tem que acreditar são os pais, os irresponsáveis que fazem filhos e os largam na porta do colégio ou nas ruas, pedindo… Mas é bom não esquecer que vergonha na cara e trabalho operam “milagres”, ainda que na mais dolorosa miséria… Luiz Carlos Prates

MÉDIA
A média de leitura do brasileiro, incluindo livros didáticos, é de um livro por ano. Sem comentários. Isso explica o Brasil. Luiz Carlos Prates


DEPOIS SERÁ TARDE!
As famílias, e estou me referindo aos que têm um pouco mais de recursos no bolso, estão dando aos filhos tudo o que podem de bom e caro. A começar pelo colégio. Mochilas caras, carros na porta, mesadas para as merendas e dengos, muitos dengos. Estou falando da maioria, não de todos os pais.

Educação, que é bom, não dão. Estão pensando, esses pais, que colocar os filhos num colégio caro e particular lhes resolve o problema e assim o dos filhos. Não resolve nada. Colégio instrui para a futura vida profissional; educação não é de responsabilidade da escola, é da família.

Educação é a transmissão de valores morais, permanentes. Quem transmite educação são os pais, ninguém mais. Ou o filho, a filha, sai de casa educada, advertida, ou o professor vai ter um trabalho dos diabos em sala de aula. E assim a polícia na noite, na noite das baladas… Mas vamos combinar, para pai e mãe discutirem valores, ética, educação com os filhos, eles próprios têm que ter esses valores. E têm?

E há também os pais ingênuos que pensam que os filhos adolescentes na noite não fazem o que não devem. – Ah, mas os meus filhos são diferentes, diz-me um pai. Cuidado com essa aposta, melhor é não apostar. E os “amigos” deles, dá para pôr a mão no fogo por eles? Fogo queima…

Quem quer deitar e dormir à noite educa os filhos desde cedo, desde o tempo dos chocalhos no berço. Depois dos sete anos é muito difícil, na adolescência é impossível, não tem mais volta. O caráter está formado, reto ou torto. Melhor é prevenir do que tentar remediar. Remediar é com o delegado…

CABELO
Nas minhas aulas, guri com cabelo estilo “Neymar” não entra. Volta para casa, vai cortar o cabelo ao estilo “cadete”, o único aceitável para um guri. Está insuportável ver fedelhos que não estudam com cabelo arrepiado, achando-se em sala de aula. Devem ser órfãos…

MÉRITO
O Zezinho é um bom aluno, professor? Faz tudo como deve, é educado, tira boas notas? Proclame isso na frente de todos, encha a bola do Zezinho. O que não faz sentido é tratá-lo por igual a um vadio, mal-educado. O mérito no pódio, a cada um segundo suas obras. E o mundo vai melhorar.

EU
Ah, hoje tu estás infernal, Prates, cruzes, que horror! Faço minha parte, leitora, não agüento mais ler e ouvir gente boazinha, na aparência… Precisamos de uma revolução cultural, a dos costumes.

23 May, 2011 at 15:06 by Luiz Carlos Prates


Paródia da Greve dos Professores de Santa Catarina 2011

De que me adianta, ficar trabalhando quando meus direitos não são respeitado
Vejam meus colegas como a educação, despencou pro chão, está um atraso
Por isso unidos não somos vencidos, nós queremos mesmo é ser valorizados
Pelo professor passa o doutor, o agricultor e o empresário
Hei Governador não é de favor que reivindicamos o nosso salário

Sempre trabalhamos e nos empenhamos, buscando o melhor para a educação
Uns ganham demais, nós sempre de menos, do piso queremos a implantação
Se a educação é o alicerce, para o crescimento de uma nação
Devem investir para garantir desta caminhada a continuação
Estamos em greve e vamos lutar para valorizar a nossa profissão

Existe uma lei que vem garantir justiça e igualdade ao educador
Mas ignoraram e desprezaram, por isso externamos essa nossa dor
Valor e respeito é nosso direito está bem grafado na constituição
Somos cidadãos que vem exigir, a lei que duas vezes teve a aprovação
Investir sem medo é o grande segredo, que quem acredita na educação

Ficamos sabendo que estão investindo o nosso dinheiro em outros setores
Por isso colegas vamos reforçar, aderindo a greve dos professores
A hora é agora temos que lutar, bem firmes ficar até conseguir
Que o governador se inteligente for, na educação saiba investir
É justo e certo, o nosso protesto, a lei é para todos, deve-se cumprir.

Vania Casagrande Cichowicz - - Sem Título!
É isso mesmo,pensei muito não achei um título para o meu manifesto: Queria poder falar com o Governador pessoalmente,sei que é impossível ele mal recebe a classe mais importante do Estado,os EDUCADORES,imagina se vai me receber,me ouvir,logo eu, mãe de aluno de Escola pública,que mal sabe se expressar. No entanto:com vírgulas,assentos,parágrafos e erros dos mais diversos colocados no meu desabafo,lá vai... Sr.Raimundo... Pobre de nossos filhos,pobre de nosso futuro... Sem Educação!Vendo só corrupção... Sem ESTADO!Que noção terão do mundo? Faixas negras como as dores... Sim são elas! E não as crianças, que vejo nos corredores... Rostos amargos,aflitos andando em procissão, Eu queria bandeiras brancas,mas o que desfila é um cruel caixão! Oh Moreira! De outrora conheces bem,a luta,a batalha o sofrimento... Se antes estavam só,sem amparo,engolindo um" te enganei!" Agora nós e eles,a sociedade sabe, tem amparo de uma Lei! Marco Antonio Tabaldi! No fundo,bem no fundo... Tu sabes,passou pela tua vida um Professor... Abnegado,valente,pouco remunerado,quase um voluntário... Mas ele foi nobre,guerreiro,competente, Fez de você um secretário! Raimundo... O Sr. Teve um professor? Eu imagino que sim... Triste seria se tivesses que provar, assim como o Tiririca...(personagem) Que teu cargo é de protesto,de sabedoria poucos traços... Que ao invés de votar num político sábio, Elegemos um palhaço! ( Meu respeito aos circences) Oh Pinho Moreira! As salas estão vazias... Vazias de esperança! Arranque delas as negras faixas, mande de volta as crianças... Pulando nos corredores,com alegres professores, Com direitos respeitados... Do contrário Senhores governantes,entraremos na peleia... Gritaremos todos juntos, Fechem logo as escolas, E abram então CADEIAS.
Vania Casagrande Cichowicz Mãe de aluno da E.E.Bom Pastor Chapecó SC.




Escolas, gaiolas e asas
19 de junho de 2011

Da Professora Ju Treviso: “Esclarecimento
Caro Moacir, senhores pais em especial senhora JUH:
Gostaria neste depoimento de esclarecer algumas dúvidas da senhora Juh e de outros pais da nossa sociedade.
Peço desculpas se serei um tanto dura, mas chega a um ponto que nosso coração dói após tanta pressão, tanta falta de compreensão. Em primeiro lugar agradeço aos pais que compreendem nossas razões e que mesmo sabendo das perdas de conteúdos dos seus filhos, estão nos dando força e apoiando nessa busca por justiça. Agradecer também de coração por termos esse espaço para mostrar a realidade destes profissionais da educação, que estão sendo tão criticados por pessoas que estão tendo apenas uma dimensão do grande problema.
Peço licença para senhora Juh para usar partes de seu depoimento para tornar mais claras algumas dúvidas aqui apresentadas:
“Venho como mãe de alunos que estão sendo privados de buscar conhecimento… E pergunto, o estatuto da criança e do adolescente não diz que a educação é um direito adquirido dos mesmos, então se os professores reclamam que os direitos deles estão sendo feridos. E os alunos, dirão o que”?
Bem, para iniciar gostaria de colocar que a busca do conhecimento não se dá apenas no ambiente escolar, ninguém, nem mesmo os alunos estão “privados” de buscar conhecimentos, aliás, aqueles que realmente são bons alunos, não esperam apenas da escola e dos professores. O interesse em aprender vem de dentro. Na escola acontece a sistematização e organização dos pensamentos acerca das ideias e dos conceitos que possuem. Cito um pensamento do nosso querido Rubem Alves:
Há escolas que são gaiolas e há escolas que são asas.
“Escolas que são gaiolas existem para que os pássaros desaprendam a arte do vôo. Pássaros engaiolados são pássaros sob controle. Engaiolados, o seu dono pode levá-los para onde quiser. Pássaros engaiolados sempre têm um dono. Deixaram de ser pássaros. Porque a essência dos pássaros é o vôo.
Escolas que são asas não amam pássaros engaiolados. O que elas amam são pássaros em vôo. Existem para dar aos pássaros coragem para voar. Ensinar o vôo, isso elas não podem fazer, porque o vôo já nasce dentro dos pássaros. O vôo não pode ser ensinado. Só pode ser encorajado”. Rubem Alves.
Outro ponto que gostaria de destacar, é que a educação não é apenas responsabilidade da escola e dos professores, mas de toda a sociedade, portanto, dos pais também. Não estou querendo tirar minha parcela de responsabilidade não, até porque tenho consciência de que minha profissão só existe por causa dos alunos, e é por eles também que estou lutando. Antes de ser professora, sou mãe, e também me preocupo com a educação da minha filha, contudo não posso jogar a culpa de determinadas situações a apenas uma pessoa ou categoria, também sou responsável por ela. Nós professores recorremos à greve como último recurso para fazer com que fosse cumprida uma lei que foi aprovada em 2008 e até agora não tivemos nossos direitos respeitados. Veja bem, não se trata de apenas UM MÊS de perdas, mas de pelo menos DOIS ANOS, fora todos os outros em que não tivemos nem um aumento sequer. E o que estamos reivindicando agora não é aumento, mas, o cumprimento da Lei do Piso respeitando nosso plano de carreira. Sabemos que os alunos estão sendo prejudicados com a greve, mas está não seria necessária e até teria terminado se tivéssemos nossos direitos respeitados. Os alunos também tem direito a educação e devem lutar por isso. Como? Podem se organizar, juntamente com os pais e cobrar do governo e não apenas de nós professores uma valorização da educação e o respeito a esse direito. Reitero, assim como temos obrigações devemos “todos” ter os direitos respeitados. Quem não está respeitando inicialmente isso, é o nosso governo estadual.
“… onde muitas vezes o aluno precisa aturar certos “professores”, pois não tem a mínima condição de estarem em uma sala de aula, então culpam o mau salário, mas disso o aluno não tem culpa”
Desculpe-me, mas, o professor antes de se efetivar passa por um estágio probatório de três anos, sendo avaliado durante esse período, portanto se existem professores “incompetentes” para o cargo, a falha está na avaliação de todo um sistema educacional. Além disso, existem profissionais desumanos, incompetentes que não mereceriam o salário que recebem, em todas as esferas da sociedade. Não podemos generalizar e condenar toda uma categoria por isso. Outro ponto que vale ressaltar, é que professores também são obrigados a conviver com inúmeras situações problemas dentro de uma sala de aula, onde estão sozinhos, não com um, mas, com 20 ou 30 alunos. Enfrentam muitas vezes o desrespeito de alunos, são muitas vezes agredidos fisicamente ou moralmente como se vê todos os dias nos noticiários e quem faz alguma coisa pra isso ser resolvido?
“Acho que o nosso atual governo não deveria só melhorar o salário dos professores, pois existem muitos que merecem um aumento significativo, mas é para aqueles que amam a sua profissão, não reclama ao ter que entrar na sala de aula, dão aulas de qualidade, repartem com o aluno todo seu conhecimento, tem sentimentos pelos alunos, seja este como for, tem orgulho em dizer que é um transformador de vidas, que são PROFESSORES, um mestre em mudar e criar situações que marquem a vida de seus alunos até que eles sejam adultos e possam se lembrar com carinho deste mestres, porque marcaram a vida deles de forma positiva”.
Professores são antes de tudo, seres humanos, dotados de sentimentos, e, com certeza, são os que mais se preocupam com seus alunos, se assim não fosse, não iriam em busca de formações continuadas, de licenciaturas, e especializações, estão constantemente estudando, procurando melhorar o desenvolvimento de seu trabalho. Porém, também tem o direito de em alguns momentos se sentir cansados, desanimados e reclamar da situação desgastante em que se encontram. Sim, porque professor muitas vezes tem que ser também pai, mãe, psicólogo, médico e resolver muitos problemas que não seriam de sua função, mas o fazem por amor a seus alunos e por se sentirem responsáveis por eles.
“…pois como profissionais concursados tem estabilidade, ele se sente no direito muitas vezes de fazer o que bem quer. Por isso essa estabilidade é realmente positiva”?
A estabilidade tem vários lados, não sei se a maioria da sociedade sabe, mas o professor depois de fazer uma prova de conhecimentos em que ele tem que atingir determinada nota para passar no concurso, passa mais três anos sendo avaliado (estágio probatório) neste período ele pode ser demitido se não for capacitado à sua função. Depois desse período passa a ter estabilidade, só pode ser demitido por justa causa. Contudo o que a sociedade talvez não saiba, é que se um professor quiser desistir de dar aulas, ele não tem direito a seguro desemprego, nem mesmo após vinte ou trinta anos de trabalho ele também não tem direito a fundo de garantia e até onde sei, nem a PIS ou PASEP. Talvez seja por isso que a grande maioria ainda não desistiu dessa profissão, porque sairá dela, sem benefício nenhum.
“Porque nós pais, nossos filhos, como podemos apoiar uma greve, quando o direito dos nossos filhos são tomados, é algo estranho de se pedir, que apoiemos a greve”.
Não acho que os pais tem que apoiar a greve, não estamos querendo manipular ninguém. Estamos apenas pedindo que respeitem nosso direito e que, se há uma preocupação com seus filhos, se o objetivo tanto de pais e professores é o mesmo, dar uma educação de qualidade aos filhos (alunos). Então sim, deveriam juntar forças aos professores e ir à busca do cumprimento desse direito.
“Professor Hélio Moritz, fiquei aliviada em ver que ainda há professores coerentes, sábios e com lembranças que já ouveram tempos bem piores”.
Realmente houve tempos bem piores. Mas, outros muito melhores, onde o professor era respeitado e valorizado, tanto pelo governo, quanto pela sociedade, infelizmente hoje não é mais assim, esse é um dos motivos pelos quais a educação está nessa situação de desvalorização, de abandono e de descaso.
“Quero fazer um pedido aos professores, que quando colocarem valores dos salários, coloquem o valor total com os benefícios, parem de enganar a população, colocando apenas o salário base. Tragam as informações corretas, senão vocês correm o risco de serem igualados aos políticos, que como vocês mesmo dizem são manipuladores de informações”.
Vou dar o meu salário como exemplo, pois não preciso enganar ninguém: Sou ACT, tenho formação superior e especialização, mas como não é na área que atuo, recebo apenas como ensino médio. Meu vencimento é de exatos R$ 350,08 outros benefícios que recebo: 1 triênio de 3%= R$ 14,80, Gratificação de regência de classe R$ 25% = 87,52, auxílio alimentação R$ 66,00, Prêmio Educar R$ 100,00, totalizando R$618,40 menos 8% de desconto de INSS R$ 49,47 sendo meu salário R$ 568,92(salário de 20 horas, todas as noites completas) Vale lembrar que no caso de licenças saúde, prêmio ou aposentadoria, não temos direitos aos benefícios de vale alimentação, prêmio educar o que diminui significativamente o salário. Pelas propostas do governo eu seria uma das mais beneficiadas, contudo não estou sendo egoísta e lutando apenas por mim, mas por toda uma classe que merece respeito, valorização e dignidade. Lembro que não temos os benefícios no fim de carreira, os quais citei no parágrafo da estabilidade.
“Se a profissão de professor está tão ruim, salários baixos, falta de incentivo, etc. Por que há tantos professores que ainda tem o sonho de fazer concurso público, por que no início do ano os mesmos ficam desesperados por vagas nas gerências no início de cada ano, por que há tantas salas de licenciaturas lotadas, existe algo de muito errado em tudo isso”.
Concursos públicos, para ter uma garantia de continuidade, quem consegue viver sabendo que num ano vai ter emprego e no outro pode não ter mais? Quem tem que sustentar uma família não pode ficar numa situação tão vulnerável.
Dona Juh, a Senhora não deve ter acompanhado as últimas escolhas de vaga para professor, se tivesse saberia que não existe mais desespero nessas escolhas, existe desespero com a falta de professores principalmente de disciplina como física, química, matemática, em que muitas escolas ficaram até um mês ou mais com falta desses professores.
As salas de licenciaturas não andam mais tão lotadas assim, e olha que hoje as vagas não são tão disputadas como na época em que fiz faculdade, que era de 4 a 5 candidatos por vaga.
…” pois na maioria dos casos esses profissionais que dizem ganhar tão pouco, se declaram como classe de miseráveis”,
Não somos, nem declaramos ser uma classe de miseráveis, somos sim uma classe em busca da valorização do seu trabalho, do respeito, da dignidade. Se vocês pais percebem quanta falta faz um professor nesses dias de greve, o quanto somos importantes para o futuro dos seus filhos, então nos valorizem como tal, nos também temos consciência da nossa função, sabemos melhor do que ninguém que temos responsabilidade direta com a formação e educação dos seus filhos, e é por isso que pedimos respeito e consideração.
Uma pergunta que me deixou um tanto triste foi: … “mas na sua maioria andam bem vestidos, tem carros bons, como se se faz essa matemática”?
Então por sermos professores não temos direito a ter carro, nem a andarmos decentemente vestidos? Isso me parece um tanto preconceituoso. Só para ter uma ideia o valor que investi até hoje em licenciaturas e especializações daria o valor de um carro novinho, carro que eu particularmente ainda não tenho. E abri mão de muitas coisas para poder estudar e exercer essa profissão. O que quero simplesmente, é que agora depois de tantos sacrifícios, tantas horas de sono perdidas, tantos momentos longe de minha família, tanto estudo, tanta dedicação a minha profissão, apenas espero o reconhecimento e a valorização de tudo isso. Será que estou pedindo demais?
Obrigada Meu Deus por sua benção e proteção!”


Esse texto de Paulo Freire que reflete o momento em que nos educadores estamos vivendo… e que siga também de reflexão para todos!
obrigada! Renata( Assistente de Educação da grande florianópolis)

Verdades da Profissão de Professor

Ninguém nega o valor da educação e que um bom professor é imprescindível. Mas, ainda que desejem bons professores para seus filhos, poucos pais desejam que seus filhos sejam professores. Isso nos mostra o reconhecimento que o trabalho de educar é duro, difícil e necessário, mas que permitimos que esses profissionais continuem sendo desvalorizados. Apesar de mal remunerados, com baixo prestígio social e responsabilizados pelo fracasso da educação, grande parte resiste e continua apaixonada pelo seu trabalho.
A data é um convite para que todos, pais, alunos, sociedade, repensemos nossos papéis e nossas atitudes, pois com elas demonstramos o compromisso com a educação que queremos. Aos professores, fica o convite para que não descuidem de sua missão de educar, nem desanimem diante dos desafios, nem deixem de educar as pessoas para serem “águias” e não apenas “galinhas”. Pois, se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela, tampouco, a sociedade muda.

A greve em nível nacional
Pois é, quem é o secretário agora, o dESCHAMPS?

Veja o que diz matéria no site do G1:

Em entrevista ao G1, o secretário-adjunto da Secretaria de Educação de Santa Catarina, Eduardo Deschamps, disse que a defasagem no piso foi corrigida com uma medida provisória enviada à Assembleia Legislativa no dia 23 de maio.

Segundo ele, os professores com formação de nível médio vão passar a receber salário-base de R$ 1.187. Os salários dos docentes com nível superior também foram corrigidos, afirma Deschamps.

“Como o acórdão [do STF] ainda não foi publicado, enviamos uma medida provisória para alterar a tabela do magistério. Os governos anteriores trabalharam com adicionais e não incorporaram o salário. Agora estamos corrigindo isso”, justificou.

O secretário afirmou que haverá uma folha de pagamento suplementar referente às diferenças do reajuste e que o próximo salário referente ao mês de junho já terá o novo valor.

Pela nova tabela, segundo o secretário, um docente com formação superior receberá entre R$ 1.380 até R$ 2.317 dependendo da titulação, sem contar abonos e adicionais de regência.

Deschamps também disse que um plano de reforma estrutural e pedagógica nas escolas será apresentado nos próximos meses e que um concurso público será feito em até um ano. “A expectativa é de que os professores retomem as atividades ainda nesta semana.”

Ministro da Educação, Fernando Haddad em visita a Unesc, Criciúma

O sindicato dos trabalhadores, no entanto, diz que ainda pretende discutir a tabela de salários.

O brado dos que lutam




A força da multidão em êxtase
Expelindo o grito revoltado
Por anos sentindo seus anseios
Sufocados
Nas ruas,
Os passos caminham
Certos na sua luta
Os braços erguidos cantam em uníssono
O brado dos que lutam
Buscando a vitória
Admirados,
Transeuntes saúdam a multidão
Um rol sem fim de rostos
Um mar de olhares insatisfeitos
Um vendaval decidido
A lutar por seus direitos
Os passos se avolumam
As vozes ecoam pela avenida
E o sentimento coletivo é tão intenso
Que arrepios correm por nossos corpos!
A aquarela de desejos composta pela multidão
Fortalece o ensejo
Da união
O movimento entra para a história
Tomando todas as ruas
Rugindo em comunhão
O brado feliz da vitória!

Aos grevistas da educação em Florianópolis, 09 de junho de 2011
Professor Wagner Fonseca

Carta ao Ministro da Educação Sr. Fernando Haddad.
Segue abaixo carta entregue ao ministro Fernando Haddad pelo comando regional de greve de Criciúma.
Numa cerimônia disputada, o ministro recebu em mãos o presente documento elaborado pelos professores que se encontram em greve desde o dia 18 de maio reivindicando o cumprimento da Lei 11.738, a conhecida lei do piso nacional do magistério.
Leia na ín
tegra o conteúdo da carta:

Carta ao Ministro da Educação Sr. Fernando Haddad.
Os trabalhadores em educação do Estado de Santa Catarina com um índice de 90% de greve desde o dia 18/05/2011, pela valorização da educação pública vêm através desta denunciar e repudiar a precarização da educação em nosso estado.

PRECARIZAÇÃO DO ENSINO:
Como nos demais estados brasileiros em Santa Catarina faltam professores, funcionários e o governo não realiza Concurso Público, materiais pedagógicos, os prédios estão mal conservados, há sobrecarga de trabalho em todas as funções e os diretores de escolas são indicados de modo completamente autoritário pelas oligarquias políticas locais.
GOVERNO COLOMBO NÃO CUMPRE A LEI DO PISO (LEI Nº 11.738 DE 16/07/2008):
Não bastasse essa situação caótica, aqui se paga um dos piores vencimentos para os trabalhadores em educação R$ 609.00, mesmo sendo o sexto estado em arrecadação do país. O governo Colombo desde a aprovação da Lei do Piso Nacional Salarial dos professores da Educação Básica, aprovado pelo Supremo Tribunal Federal em abril de 2011, insiste em não cumprir a Lei. O governo alega não ter recurso para garantir a lei do piso, ao mesmo tempo em que existem solicitações de averiguações das verbas do FUNDEB.
CORTE DE 3,1 BILHÕES PELO GOVERNO FEDERAL NO ORÇAMENTO DA EDUCAÇÃO:
Entendemos ainda que a educação deve ser prioridade para a construção de uma nação forte e com cidadãos conscientes. Portanto o corte de 3,1 bilhões de reais da educação anunciado pelo governo Federal em nada ajudará neste objetivo. A educação pública deve ser prioridade de qualquer governo e não o alvo permanente dos cortes no orçamento.
10% DO PIB PARA A EDUCAÇÃO BRASILEIRA:
Do mesmo modo percebemos que para tratar com seriedade os problemas da educação neste país necessitamos da garantia de mais verbas. Neste momento temos vários estados brasileiros demonstrando o descaso de todos os governos com a qualidade e o compromisso com uma educação PÚBLICA, GRATUITA E DE QUALIDADE. Por isso exigimos a imediata implantação de 10% do PIB na EDUCAÇÃO brasileira.

Comando de Greve dos Trabalhadores em Educação da Regional de Criciúma
Criciúma, 16 de junho de 2011.

Tente outra vez

10 de julho de 2011

Uma homenagem aos professores catarinenses foi remetida no comentário pela professora Val. Enviou a letra de uma bela poesia e outra da música “Tente outra vez”, de Raul Seixas. O blog decidiu incorporar-se à inciativa postando a interpretação do próprio Raul Seixas.

A poesia é de autor desconhecido.

“EXPERIMENTE OUTRA VEZ

Quando as coisas vão erradas
não pense que todos os seus esforços
tem sido em vão.
Talvez tudo foi para melhor;
por isso sorria…
e experimente outra vez!
Pode ser que seu aparente fracasso
venha ser a porta mágica que o conduzirá para uma nova felicidade
que antes jamais conheceu.
Você pode estar enfraquecido pela luta,
mas, não se considere vencido…
Isto não quer dizer derrota.
Não vale a pena
gastar o precioso tempo
em lágrimas e lamentos.
LEVANTE-SE…
e enfrente a vida outra vez…
e, se você guardar em mente
o alto objetivo de suas aspirações,
os seus sonhos se realizarão…
Tire proveito dos seus erros,
colha experiências das suas dores,
e, então um dia você dirá:
GRAÇAS A DEUS
EU OUSEI EXPERIMENTAR OUTRA VEZ!”



Canção do Novo Mundo

10 de julho de 2011

O professor Jorge Barros enviou a belíssima letra da “Canção do Novo Mundo”, de Beto Guedes e Ronaldo Bastos. O blogueiro traz a interpretação de Miltom Nascimento para encerrar o domingo e a semana com uma mensagem de pura poesia e humanismo. Uma excelente noite a todos, com o carinhoso abraço de agradecimento por todas as mensagens excepcionalmente generosas deste domingo. Curtam a letra e depois a música.

¨Canção do Novo Mundo”
(Beto Guedes e Ronaldo Bastos)

Quem sonhou
Só vale se já sonhou demais
Vertente de muitas gerações
Gravado em nossos corações
Um nome se escreve fundo

As canções em nossas memórias vão ficar
Profundas raízes vão crescer
A luz das pessoas me faz crer
Eu sinto que vamos juntos

Ó nem o tempo, amigo
Nem a força bruta pode um sonho apagar

Quem perdeu o trem da história por querer
Saiu do juízo sem saber
Foi mais um covarde a se esconder
Diante de um novo mundo

Quem souber
Dizer a exata explicação
Me diz como pode acontecer
Um simples canalha mata um rei
Em menos de um segundo

Ó minha estrela amiga
Por que você não fez a bala parar?

A música acima é uma homenagem a John Lennon, que sempre lutou pela não violência.

Porém em 8 de dezembro de 1975, John foi assassinado em Nova York por Mark David Chapman, quando retornava do estúdio de gravação junto com a mulher.

A história parece se repetir: Com uma canetada, estão querendo matar a EDUCAÇÃO em Santa Catarina.



“Se a vida fosse a Escola”

10 de julho de 2011

“Nobre jornalista, Moacir Pereira,

Neste momento, de dúvidas, onde muitos corações batem angustiados, onde os sentimentos demonstram estar abalados, onde as emoções ficam desordenadas, apesar de tudo, tenho algumas certezas: não somos os mesmos, estamos vivos e podemos fazer escola.

Se Paulo Freire estivesse fisicamente conosco nesta batalha diria que: “A primeira condição para que um ser possa assumir um ato comprometido está em ser capaz de refletir. (…) Se a possibilidade de reflexão sobre si, sobre seu estar no mundo, associada indissoluvelmente à sua ação sobre o mundo, não existe no ser, seu estar no mundo se reduz a um não poder transpor os limites que lhe são impostos pelo próprio mundo, do que resulta que este ser não é capaz de compromisso.” Freire (2007a, p.16)

Graças a DEUS, pude aprender com este cientista da educação que a resistência nos preserva vivos, que não podemos nos conformar e alienar diante das perseguições. Somos seres inacabados e a rebeldia em face das injustiças nos afirma enquanto categoria. Vamos mais um pouco minha gente, mais um êito, vamos agora fazer escola… vamos contribuir com a humanidade das pessoas!

Segue agorauma poesia de minha autoria, intitulada: Se a Vida fosse a Escola (integrante da minha dissertação de mestrado).

Se a Vida fosse a Escola

Se a Vida fosse uma Escola deveria ser alegre,

Como um encontro esperado a tempo entre pessoas

Queridas e conhecidas, semelhantes e diferentes.

Se a Vida fosse uma Escola deveria respeitar a diferença,

Pois há quem gosta de flores e há quem prefira

Comidas, filmes, novelas, músicas, outros credos e amores.


Se a Vida fosse uma Escola deveria querer bem ao bebê de colo,

Também ao ancião solitário e analfabeto.

Se a Vida fosse uma Escola deveria possibilitar

Às pessoas experiências infinitas, momentos de exposição

E apreciação de conhecimentos, troca de saberes e sabores.

Se a Vida fosse uma Escola deveria permitir ‘espaços’ à curiosidade.

Se a Vida fosse uma Escola deveria ter princípios democráticos e de igualdade social,

Se a Vida fosse uma Escola deveria dispor de ‘mais’ espaço

À emoção e à brincadeira, à invenção e à descoberta.


Se a Vida fosse uma Escola não haveria hierarquia

Entre o movimento e o trabalho, a dança e a poesia, a ciência, a filosofia e a arte.

Se a Vida fosse uma Escola respeitaria a natureza,

Com princípios éticos e civilizadores.

Valores e atitudes seriam critérios avaliativos.

Se a Vida fosse uma Escola aceitaria a dúvida, a incerteza, o erro…

Estudaria a luz elétrica e o chá caseiro…

Discutiria política e marginalizaria a demagogia.


Se a Vida fosse uma Escola possibilitaria o sentimento de artista.

Se a Vida fosse uma Escola não negaria a tradição, mas discutiria novos conceitos.

Se a Vida fosse uma Escola não se inquietaria com a corrupção,

Denunciaria toda e qualquer tentativa de alienação.

Se a Vida fosse uma Escola gostaria de ser para sempre aprendiz,

Imortal como as atitudes, recordada como esta escrita…

E se a escola fosse a Vida?

Mas, como se diz o ditado: não é vivendo que se aprende?

Professora Cristina Sutil.”



Seja um Professor
Publicado em 20 de junho de 2011 por santiago
O MEC (Ministério da Educação) possui um sítio com o título “Seja um Professor”. Nele, é feito um convite para a profissão do magistério dizendo: “Seja um professor. Venha construir um Brasil mais desenvolvido, mais justo, com oportunidades para todos”.

Será que o MEC sabe como os governos de vários estados brasileiros pensam a educação e qual a política de (des)valorização dos professores?

Isso é que é CORAGEM, convidar as pessoas para uma profissão que poucos de fato respeitam. Aposto que tem governo que nunca entrou neste sítio ou se entrou deve estar rindo até agora.

http://sejaumprofessor.mec.gov.br/

Se pudessem fariam um site dizendo aos professores: “seja um missionário – salário para que?” http://www.santiago.pro.br/blog/

“Amigos professores e comunidade de Santa Catarina,

Estamos em GREVE lutando não por aumento de salario, mas para fazer com que o Governo Estadual pague o que nos deve. O Supremo Tribunal Federal determinou que o Governo Raimundo Colombo pague a tabela salarial aprovada pelo MEC. Para que isto se torne possível, O GOVERNO FEDERAL envia 300 milhões de reais por mês que são destinados à EDUCAÇÃO ( se chama FUNDEB ) desde 2008, porém este dinheiro é desviado para outros fins como por exemplo para a Assembleia Legislativa, etc…, ou seja, para eles mesmos. O Governo Colombo insiste em dar para os professores apenas 22 milhões de reais, diz que paga o piso para enganar a população, mas na realidade, tira direitos adquiridos por nós profissionais da Educação como Regência de classe e outras gratificações. No final de tudo, não existe aumento para a maior parte da categoria, pois ele tira o que já conquistamos e o salário fica o mesmo. É uma fraude!

QUEREMOS UMA CPI PARA SABER PARA ONDE REALMENTE VÃO AS VERBAS DESTINADAS À EDUCAÇÃO.

AUDITORIA NO GOVERNO COLOMBO JÁ!

OBS: Repassem este e-mail para seus amigos, familiares e toda a comunidade catarinense. Vamos iniciar uma campanha de conscientização.

ASSINADO: Educadores da Rede Estadual de Santa Catarina”

http://www.santiago.pro.br/foto/
Jadir Barzan diz:
20 de junho de 2011 às 5:49 pm
A nossa categoria já passou por várias greves.
No entanto, esta greve é diferente.
É fundamental deixar claro que esta greve não é para pedir aumento de salário.
Esta greve é para exigir o cumprimento da Lei.

Há uma Lei federal que estabelece o piso da nossa categoria.
E há uma Lei estadual que estabelece o plano de carreira do magistério.
Por uma decisão do Supremo Tribunal Federal, o Piso Nacional dos Professores
deve ser tomado como o valor inicial do plano de carreira.

Nossa greve é para que se apliquem as Leis.
Nossa greve é para que se cumpra a determinação do STF.
Quanto a isso, não pode haver nenhuma negociação.
Nenhum sindicato, nenhuma categoria e nenhum governo tem legitimidade para
se sobrepor à Lei e às decisões do STF.
Nesse sentido, a nossa greve não pode ser uma greve para “pedir” o que quer que seja.
A nossa greve é para exigir o cumprimento da Lei. Podemos negociar com o governo do Estado?
Sim, podemos.
Podemos, por exemplo, abrir mão do Prêmio Educar. Até porque ele nunca foi de fato um prêmio. Ele sempre foi uma estratégia do governo para iludir a opinião pública. O governo deu o prêmio para não dar aumento. Agora que o nosso aumento já foi garantido por uma Lei federal e consolidado por uma decisão da mais alta corte de justiça do Brasil, esse prêmio pode ser dispensado.
Também podemos negociar a forma e o prazo de recebermos os atrasados. A forma e o prazo de recebermos aquilo que a Lei já nos assegura desde 2008 e que o governo deixou de pagar, mas que inegavelmente nos deve e terá que pagar.
Também podemos negociar uma padronização da regência de classe.
Tudo aquilo que não fere a Constituição, nem fere os direitos já estabelecidos e consolidados por Lei nos podemos negociar.

O que nós não podemos negociar é a nossa cidadania.
Nós somos formadores de cidadãos. Nós somos exemplo para milhões de crianças e adolescentes. Por isso nós temos o dever profissional de ensinar-lhes o correto.
E o correto é lutarmos pela aplicação das leis, sempre que tais leis sejam a expressão de direitos legítimos.

Por isso, eu repito:
Esta greve é para exigir o cumprimento da Lei.
Esta greve é para que se aplique o piso nacional dos professores ao nível 1A da tabela do plano de carreira do magistério e que os percentuais estabelecidos nesse plano sejam cumpridos.
Em 2008, o governo podia ter chamado os professores para negociar a forma de pagar o que é legítimo. Mas o governo não quis negociar. Preferiu recorrer ao Supremo Tribunal Federal. E perdeu. O STF se manifestou a favor da legalidade. Agora não há mais o que negociar no que se refere à validade e aplicação da Lei.
Portanto, só nos resta dar para a sociedade uma demonstração de coerência entre nosso discurso e nossa prática.
Só nos resta dizer que, enquanto o governo do Estado de Santa Catarina estiver fora da lei, nós professores continuaremos fora da sala de aula.

roberto carlos diz:
20 de junho de 2011 às 6:24 pm
Caro Sr. Moacir
Estou acompanhando todas as manifestações e ponderações feitas nesse canal extremamente democrático, e agradeço-lhe pelo espaço aberto para expressão de opiniões e opressões, nesse momento de conturbação da Educação no Estado. Também sou professor da rede pública, também estou lutando por meus direitos, também estou sendo oprimido por ineficácias do governo.
Constata-se nesse momento um equívoco no qual o próprio Governador do Estado deixa de cumprir a Lei, e se faz detentor de uma prepotência que nos obriga a submetermo-nos a um arbítrio por ele criado, no qual estamos errados em nossas condutas e devemos retornar ao trabalho, pela opressão que se faz nos cortes dos dias de protestos que estamos realizando. Como pode ele exigir-nos o cumprimento das funções, se nem ele cumpre a sua, na qual enfatiza-se o cumprimento das Leis que ele está sobrepondo-se e dos direitos do cidadão? Quem lhe deu a liberdade para instituir uma opressão sobre aquilo que nos é mais necessário, em um momento que temos vários tipos de despesas, inclusive as quais fazemos em prol da Educação (combustível, alimentação, prestação de veículos, outros)?. Já vivemos de maneira tão precária, que muito influencia para que as dinâmicas profissionais e pessoais se conduzam da mesma forma em algumas vezes. O ser humano quando frágil em sua formação e condutas, será instigador disso em seu meio. O que dizer então da conduta de um profissional da Educação, oprimido assim dessa forma?
É lamentável que nossos governantes até então, não percebem a necessidade de um processo dinâmico na educação que ajude a transformar o meio social tão desequilibrado e cheio de desigualdades, que demonstre ao cidadão que para fazer parte das conquistas sociais precisa primeiro cumprir com obrigações quais proporcionam direitos a todos de forma igualitária. É na escola que se principiam as condutas que condicionam o sujeito a ser cumpridor das Leis que o proporcionaram direitos. Como ensinar isso se não podemos nem nos adequar a isso? Qual o sentido da Educação? Onde o Sr. Governador estudou não lhe ensinaram isso?
Onde estão os Procuradores de Estado e Desembargadores que não demonstram ao Governo o equivoco de suas funções, quando ele próprio não cumpre as Leis, que nada mais são que mecanismos com fins comuns de organização e delegação de direitos e obrigações a todos? O Governo de Estado está acima disso? Ou deveria ser ele o meio de demonstrar aos cidadãos, a legitimidade desses?
Sr. Governador, o Sr. ocupa esse cargo por intenção. Não lhe cabe julgar-nos e oprimir-nos, nós que fazemos parte do quadro efetivo do Estado. Cabe-lhe sim, cumprir a Lei. Seja o primeiro exemplo ao cidadão, que é o que esperamos do Sr.. A um gestor cabe a resolução, e não desculpas evasivas e sem sentido, em um tempo em que recursos sempre existiram, pois a muitos anos são repassados ao Estado. Onde são e foram aplicados? Quem se apropriou indevidamente desses recursos? É a esses que o Sr. deve oprimir e julgar.
Se essa equipe que hoje administra nosso Estado, não tem capacidade para resolução nem mesmo desse impasse que é apropriação correta dos repasses Federais da Educação, que esperar então de outras resoluções que lhes são outorgadas? Se for dessa forma, por favor, abram caminho para pessoas mais competentes. Nosso Estado precisa e merece isso. Não podemos deixar que a incapacidade seja gestora de um momento que precisamos de uma Nação forte, com um povo que luta constantemente para que isso aconteça, sejam oprimidos e destituídos de seus direitos.

Roberto Carlos
Professor e Mestre em Biologia – rcmafra5@hotmail.com
EEB Valentin G. Ribeiro – Monte Castelo

“Vale a pena estudar?” Sem dúvida, sempre!
20 de junho de 2011

Professora Leila Bambino faz uma reflexão sobre o esforço do estudo e do aprendizado. Confira o texto:
“A cada dia que passa fico mais assombrada com as coisas que acontecem ao meu redor. Talvez seja fruto da evolução/involução humana. Desde pequena ouvia dos meus pais a seguinte frase: “Você precisa estudar, cursar uma universidade para ser alguém na vida”.
E cresci, cursei uma universidade, fiz duas especializações e só não recorri ao mestrado por falta de dinheiro. Mas cheguei a uma conclusão triste: estudar não ajuda em nada!!!
O leitor deve estar pensando: “Esta pessoa deve estar maluca”. E olha que me formei em Pedagogia e sou professora das séries iniciais. Será que estou maluca mesmo ou esta minha conclusão tem outra razão de ser? Vou tentar explicar.
Sou professora da rede pública estadual já há 15 anos. Todos os anos faço inúmeros cursos, sempre em busca de um aprimoramento pessoal e salarial, claro. A minha área está sempre evoluindo no que diz respeito a teorias e técnicas de como tornar o ensino mais prazeroso. Vivemos em um mundo globalizado e isto fez com que muitos educadores adquirissem o hábito de se conectar a estas novas realidades. Tudo isto tem um custo: aquisição de computadores, cursos de aprimoramento, noites sem dormir – pois muitos educadores ainda temem sentar-se a frente de uma tela – etc. Mas tudo isso em nome da Educação. São sinais dos tempos modernos.
O livro, esta antiga ferramenta, faz parte do nosso universo desde sempre. Precisamos dele para nos atualizar, pesquisar ou simplesmente viajar na imaginação de quem os escreve. Eles não são gratuitos.
Todas as manhãs acordo cedinho com a missão de atender aos meus 45 alunos da melhor maneira possível. Crianças em torno de 6 e 7 anos que chegam das mais variadas formas. Uns vêm de famílias estruturadas, com seu material escolar em dia e seus cadernos encapados (cada dia mais raro). Outras vêm com fome, descabeladas e, pasmem, sem nem a mochila escolar. Mas tenho que dar conta daquilo que me propus, tendo como meta atingir a todos.
As condições de trabalho não são aquelas maravilhas: alunos desinteressados, pais omissos, onde temos que ser assistentes sociais, enfermeiras, mães, médicas, psicólogas e muitas vezes ensinar como cuidar da sua higiene pessoal. Além, é claro, de ensinar, corrigir e elaborar atividades. Ufa!
Sou professora e também tenho necessidades básicas de alimentação, moradia, saúde, locomoção, gastos com roupa e ainda estar constantemente me reciclando e indo em busca de novidades. Só que o salário do professor não ajuda. Eu ganho muito pouco para tudo isso, mas aperta daqui e dali e lá estou adquirindo uma nova coleção de livros ou investindo em mais um curso de capacitação, na esperança de que um dia isto reverta em um aumento salarial digno.
Mas isto não acontece… Moro em Santa Catarina e no momento em que escrevo este desabafo, estou em greve. Sim, meu estado está com suas atividades paralisadas, pois desde 2008 não recebemos o piso estabelecido pelo Governo Federal. Isto mesmo, Santa Catarina não paga o que é nos é de direito. Entramos em greve. Depois de algumas negociações o governador resolveu fazer o seguinte: os professores que tem apenas o magistério receberão o mesmo que eu, que sou formada e com tantos anos de sala de aula.
Entenderam o porquê da minha indignação? Será que estudar tanto vale a pena?

Vale à pena estudar?

A cada dia que passa fico mais assombrada com as coisas que acontecem ao meu redor. Talvez seja fruto da evolução/involução humana. Desde pequena ouvia dos meus pais a seguinte frase: “Você precisa estudar, cursar uma universidade para ser alguém na vida”.
E cresci, cursei uma universidade, fiz duas especializações e só não recorri ao mestrado por falta de dinheiro. Mas cheguei a uma conclusão triste: estudar não ajuda em nada!!!
O leitor deve estar pensando: “Esta pessoa deve estar maluca”. E olha que me formei em Pedagogia e sou professora das séries iniciais. Será que estou maluca mesmo ou esta minha conclusão tem outra razão de ser? Vou tentar explicar.
Sou professora da rede pública estadual já há 15 anos. Todos os anos faço inúmeros cursos, sempre em busca de um aprimoramento pessoal e salarial, claro. A minha área está sempre evoluindo no que diz respeito a teorias e técnicas de como tornar o ensino mais prazeroso. Vivemos em um mundo globalizado e isto fez com que muitos educadores adquirissem o hábito de se conectar a estas novas realidades. Tudo isto tem um custo: aquisição de computadores, cursos de aprimoramento, noites sem dormir – pois muitos educadores ainda temem sentar-se a frente de uma tela – etc. Mas tudo isso em nome da Educação. São sinais dos tempos modernos.
O livro, esta antiga ferramenta, faz parte do nosso universo desde sempre. Precisamos dele para nos atualizar, pesquisar ou simplesmente viajar na imaginação de quem os escreve. Eles não são gratuitos.
Todas as manhãs acordo cedinho com a missão de atender aos meus 45 alunos da melhor maneira possível. Crianças em torno de 6 e 7 anos que chegam das mais variadas formas. Uns vêm de famílias estruturadas, com seu material escolar em dia e seus cadernos encapados (cada dia mais raro). Outras vêm com fome, descabeladas e, pasmem, sem nem a mochila escolar. Mas tenho que dar conta daquilo que me propus, tendo como meta atingir a todos.
As condições de trabalho não são aquelas maravilhas: alunos desinteressados, pais omissos, onde temos que ser assistentes sociais, enfermeiras, mães, médicas, psicólogas e muitas vezes ensinar como cuidar da sua higiene pessoal. Além, é claro, de ensinar, corrigir e elaborar atividades. Ufa!
Sou professora e também tenho necessidades básicas de alimentação, moradia, saúde, locomoção, gastos com roupa e ainda estar constantemente me reciclando e indo em busca de novidades. Só que o salário do professor não ajuda. Eu ganho muito pouco para tudo isso, mas aperta daqui e dali e lá estou adquirindo uma nova coleção de livros ou investindo em mais um curso de capacitação, na esperança de que um dia isto reverta em um aumento salarial digno.
Mas isto não acontece… Moro em Santa Catarina e no momento em que escrevo este desabafo, estou em greve. Sim, meu estado está com suas atividades paralisadas, pois desde 2008 não recebemos o piso estabelecido pelo Governo Federal. Isto mesmo, Santa Catarina não paga o que é nos é de direito. Entramos em greve. Depois de algumas negociações o governador resolveu fazer o seguinte: os professores que tem apenas o magistério receberão o mesmo que eu, que sou formada e com tantos anos de sala de aula.
Entenderam o porquê da minha indignação? Será que estudar tanto vale a pena? Leila Bambino.”
*
Do blogueiro: Claro que vale, Leila Bambino. E como! Ontem, hoje, amanhã e sempre. Permanentemente. Para seu enriquecimento, o aprimoramento de seus alunos, de sua família e de toda a comunidade. Se o governo não reconhece é outra história. Moacir Pereira.

Educação: “O engodo e o desconforto”
20 de junho de 2011

Comentário intitulado “O engodo do governo e o desconforto da educação”foi enviado pela professora Cristina Sutil, de Otacílio Costa. Veja o conteúdo:
“Quem pode sentir-se bem com as condições apresentadas no cenário educacional? Esses trinta e poucos dias de greve do magistério catarinense desenterraram décadas de problemas, advindos de situações precárias de trabalho e de governos descompromissados com a educação de nosso Estado.
Que bom que nós, os professores tivemos a ousadia e a coragem de abrir a caixa de Pandora da Educação. No início estávamos um pouco tímidos, mas agora nos agigantamos. Este enfrentamento dos professores com o governo está revelando o poder adormecido de uma profissão nobre da humanidade.
Já não somos mais anônimos, estamos recuperando nosso prestígio social. Recuperaremos nosso valor! Revelamos o desconforto da educação. Os holofotes estão focando o outro lado da margem e ofuscando o governo. Estamos brilhando!
Vale lembrar que esta luta é legal e justa merece o apoio e a compreensão da sociedade. Já fazia algum tempo em que os professores não se manifestavam coletivamente. Está bonito de se ver e ouvir. O momento é oportuno e único.
A união, a civilidade, a coragem, a ousadia e a organização de milhares de professores está apontando novos caminhos para a educação catarinense. Quando voltarmos aos nossos locais de trabalho, às nossas comunidades escolares teremos novos elementos e conteúdos para trabalhar nas salas de aula.
O que estamos presenciando, discutindo e descobrindo está renovando nossas expectativas, nossa maneira de ser, agir e pensar na educação. Na verdade, agregaremos esta luta aos currículos educacionais. Nossos alunos serão capazes de entender nossas demandas, com consciência política e pensamento crítico e reflexivo desenvolvido por nós.
Para finalizar esta escrita, comungarei da ideia de muitos colegas professores. Jamais poderemos ser coniventes e omissos diante da corrupção, autoritarismo e desmandos do governo. Estamos diante de uma proposta indecorosa, de um engodo. Vamos ser cautelosos e manter nosso propósito.
Não temos o poder de mídia, mas estamos apostando na dignidade, no bom senso da sociedade, na justiça do trabalho, na ética e principalmente na vitória de milhares de professores que sonham com uma educação e ensino de qualidade. Estamos esperançosos, como o saudoso Paulo Freire.
Continuaremos ousados e corajosos para enfrentar as adversidades e contradições com mais competência e menos subserviência. Vamos resgatar a vontade de transformar a sociedade, transformar as pessoas em seres mais humanos, mais autônomos e felizes. Obrigada.
Professora Cristina Sutil.”

RRD diz:
20 de junho de 2011 às 5:45 pm
Estou acompanhando este blog desde o início da greve dos professores. Não tenho dúvidas quanto à legitimidade do pleito. Os professores devem ganhar salários dignos de uma profissão tão importante para o desenvolvimento de qualquer país. Disso, ninguém duvida. Mas, gostaria de deixar aqui registrado alguns detalhes que me chamaram atenção:
1-Como os professores escrevem mal! Levei um susto com a maioria dos depoimentos: sem concordância verbal, plural, ortografia incorreta, bem como erros de digitação terríveis. Sem falar do palavreado chulo, com expressões grosseiras e irracionais (estão desejando até a morte do secretário, chamando o Governador de ….!!!).
2-Fiquei imaginando como estes professores ensinam algo que não sabem. Até porque, precisamos saber ler e escrever corretamente português para ensinar matemática, geografia, história, química, etc.
3-Também percebi que ninguém tocou em um assunto muito sério: o absenteísmo dos professores. Para quem não conhece este termo: quantidade absurda de professores faltantes. Professores que deixam seus alunos sem aulas, sem avisar os diretores que irão faltar, e depois trazem um atestado com problemas inimagináveis (aí entram os médicos que até vendem atestados). Professores que tiram licença de meses porque estão com depressão, stress, tédio, melancolia, ansiedade, síndrome do pânico, etc, etc.
4-Importante ressaltar que o mesmo professor que tira licença no Estado ou Município onde é concursado, não sai de licença na escola particular, até porque ele seria demitido.
5-Pensem bem: Se não houvesse tanto absenteísmo, o Governo não precisaria contratar tantos ACTs. Seria uma grande economia. Seria suficiente para os aumentos pleiteados? É possível!
6- Professores se dizem desrespeitados, desvalorizados, desestimulados. É importante ressaltar que o aluno respeita o bom professor, que sabe o conteúdo que está ensinando, que impõe disciplina e respeito em suas aulas. Professor que falta, que desrespeita o direito do aluno de aprender, que em horário de aula fala de seus problemas, reclama do governo, passa sua ideologia política em vez de ensinar conteúdos, não é respeitado pelos alunos e provoca indisciplina escolar.
7- Não se enganem, se o Governo dobrar o salário deste professor, que hoje não cumpre com suas obrigações e deveres, ele não passará a cumprir.
8-Uma nova política salarial, que deve ser feita urgentemente, dificilmente, resolverá o problema de imediato. Acredito que uma carreira que tenha um bom salário, status e respeito atraia os alunos mais bem preparados. Desta forma, melhorará o nível dos próximos professores, não desses que agora são ruins, fracos e incompetentes (não são todos, mas os bons pagam pelos ruins e o nível do aprendizado diminui certamente).
9-Que fique bem claro, sou a favor dos professores, inclusive sou uma delas, respeito muito a classe, só não respeito os maus professores, com péssima qualificação, que vão ganhar o mesmo salário dos que, realmente, merecem e se esforçam visando à formação plena de seus alunos.
10- Por isso sou favorável a meritocracia: O bom professor deveria ganhar mais que o mau professor.
11-Pergunto: Você iria se esforçar para ser um excelente professor se o colega que está dando aula ao seu lado, ganha o mesmo salário que o seu, não estuda, não planeja aula, vive faltando, chega atrasado e diz que os alunos que são malandros, os pais tem culpa, o governo é um monstro, etc e tal? Duvido!
12-Tenho certeza que serei execrada pelo meu depoimento, até porque os professores que clamam por democracia e liberdade de expressão ficam fora de si quando ouvem uma voz dissonante da sua (já vi alguns exemplos neste blog, até mesmo contra o Moacir Pereira que ousou, por um instante, pedir que os professores voltassem às aulas).
13-Que fique claro uma coisa: não sou contra os bons professores nem suas reivindicações. Sou contra os maus professores, os baderneiros, os insensíveis, os incapazes, os incompetentes que se aproveitam deste momento para transformar uma reivindicação nobre numa guerra sem fim!
14- Por último quero deixar aqui um conselho: O professorado correto e sério precisa atentar para desvios preocupantes nesta greve. Existem grevistas entrando nas escolas de maneira violenta, agredindo diretores, professores não grevistas e insuflando alunos a baderna. Por isso cito o grande cientista político americano Eric Hoffer: “Toda causa começa como um movimento, vira um negócio e finalmente degenera numa quadrilha!”

Prof. Msc. Vanderlei André diz:
20 de junho de 2011 às 8:03 pm
Uma pequena resposta a Sra. RRD – sem nome!

1. A indignação é tanta que as palavras fluem espontaneamente e, na pressa, enganos aparecem. Não questione a qualidade e a capacidade dos que escrevem. Pode ter supresas, certo?

2. Não entendi o ponto 2. Seja mais explícita.

3. Procure colegas seus no funcionalismo público e verá que a taxa é ainda maior em outras alas e setores. Na iniciativa privada história é outra. A maioria das vezes se entra por mérito real e é necessário fazer juz à confiança depositada, o tempo inteiro. Há profissionais que, após acessar a carreira pública, se comportam de forma errada. Maus profissionais existem em todas as categorias, inclusive no professorado.

4. Idem.

5. Não é assim. Parece que você não é da área. Se as soluções fossem tão simples, sequer haveriam problemas. Não sabes nada sobre gestão, é o que parece, Sra.

6. Como já falei,há péssimos profissionais em outrras áreas também. Venha visitar uma das minhas 19 salas de aula. Ou sua realidade é distante ou não conheces a realidade. Não fale sobre o que não conheces!

7. Opinião de especialistas afirmam que pagar bem o professor é uma das etapas para melhorar a qualidade de ensino. Adianta ganhar R$ 5.000,00 e dar aulas em uma escola que oferece diversos tipos de risco à saúde e a integridade física? Responda, por favor.

8. Idem.

9. Suas palavras não deixam dúvida: és mesmo a favor dos professores, pelo menos dos bons! Obrigado pela parte que me toca.

10. Defina, por favor, três critérios para meritocracia! Assim fica mais fácil debater. Tome cuidado, pois estamos num país que não é serio, então construa critérios que não permitam questionamento…

11. Você não me conhece! Por que me criticas? Eu sou profissional, habilitado, com Mestrado, sem nenhuma falta nos 6 anos que estou no magistério. Quem é você para criticar meu trabalho? Nem seu nome sabemos!

12. Minha querida, tens medo do debate? Por que escreves neste local então?

13. Ficou claro que você não teve bons professores!

14. Novamente, sem me conhecer, atira contra mim? Eu sou sério. Defendo minha classe! E mostro meu nome para todos…

Acho que deverias procurar outro local para escrever suas elucubrações. Suas palavras foram, defintivamente, inditosas!
És mãe? Como educas seus filhos? Para aceitar as opressões ou lutar pelo que é de direito?

Não responda, por favor. (obs.: desculpe os erros, ok?)


Os professores e seus mestres
22 de junho de 2011

“Nobre jornalista, depois de muito choro, resolvi escrever para aliviar a dor que sinto na alma. Escolhi o papael como meu confidente e você como interlocutor. Eis minhas reflexões.

OS PROFESSORES E SEUS MESTRES

Mestres!
Hoje os procuro, pois lembrei-me de vocês.
Quantas aulas, ensinamentos
que pensei terem ficado para trás
pensei que eram meras lembranças do passado.
Quantas aulas
Quantos ensinamentos
Quantas palavras que hoje sinto na pele
Quanto sofrimento que pensei apenas ter visto nas lamúrias e gritos dos escravos
No poema de Castro Alves.
Como me lembro daquela poesia forte
daquela súplica:
“Senhor Deus dos desgraçados
Onde estais que não me escutas?”
ou
a desesperança de Drummond em:
E agora José?
A festa acabou
e, arrisco-me a completar
A eleição passou
A caravana festejou
E a realidade para oprofessor se apresentou.
Como é difícil, mestre!
Abrir mão de nossos sonhos e repetir Bethânia em:
Sonhar mais um sonho impossível
lutar quando é fácil ceder
(…)
sofrer a tortura implacável…
Mestres,
Pensamos lembrar vocês
nas nossas vitórias
nos nosso direitos de cidadãos como vocês tanto pregaram
nos exemplos de retidão
na humildade
no valor da palavra empenhada
no respeito
na dignidade
na justiça que não se vende e não se compra
e a cima de tudo na força da palavra EDUCAÇÃO.
Felizmente vocês me ensinaram o valor de tudo isso,
mas, infelizmente hoje, toda a virtude aprendida
repousa apenas nos velhos livros de moral e cívica de suas aulas.
Agora, impera a nossa desvalorização
o descaso
o descrédito
a desesperança
a injustiça
o desrespeito
a insignificância de ser professor
o pouco caso com a EDUCAÇÃO.
Meu Deus,
nunca pensei que os versos de Fagner pudessem fazer tanto sentido
pudessem imprimir em mim
a secura, a fragilidade do ser
a possibilidade de ser…
“Se hoje sou deserto
é que eu não sabia
que as flores com o tempo
perdem a força
e a ventania
vem mais forte…
Tão forte que arrasa tudo o que vem pela frente
me coloca à margem do real sentido de educar
e, silenciosamente, me rouba de mim mesma.
Tdo isso mestres,
faz-me lembrar que hoje somos professores
impotentes
sem voz
sem brilho nos olhos
sem esperança do cumprimento de leis (naquele tempo isso era sagrado)
com sorriso apagado
consequência de não termos levado a sério o que Drummond, em tom de brincadeira, escreveu:
“Mundo, mundo
vasto mundo
Ah, se eu me chamasse RAIMUNDO
seria apenas uma rima
Não uma SOLUÇÃO.”
Queridos mestres!
Ouçam o meu desabafo e me perdoem, porque
eu lhes perdoo por não terem me ensinado a não ser professor.
Perdoo-lhes porque sei que, naquela época, vocês não conheceram o que é, hoje,
a DOR e a DESESPERANÇA de ser professor.
Perdoo-lhes, porque como vocês nos ensinaram, só podemos ensinar aquilo que aprendemos.
Essa não foi a realidade de vocês,
mas, inacreditavelmente, é a nossa.
Sou professora, somos professores.”


O conceito de moralidade pública tem sua historicidade e varia de acordo com os princípios e valores de uma determinada época, do grau de participação dos indivíduos na sociedade e da direção política. Hoje ele é usado como sinônimo de ética.
Repensem seus atos, a caixa preta esta aberta e não tem mais como esconder, agora é boca no trombone, a sociedade vai ver quem é pelo povo.

Olha vi hoje o contra cheque de uma amigo aposentado como professor do nosso estado, e fizemos uma calculo simples, os 200 reais tirado do abono vezes 66.000 professores da 13.200.000,00 ou seja, na realidade o governo esta cumprindo a lei com o dinheiro do proprio professor, fora as porcentagens que ele tirou da regencia de classe, na realidade o governo não esta investindo nada.

Hoje, depois de ler só tragédia que este governo sem respeito a esta categoria traz, foi a primeira notícia boa, de atitude. Demorou… mas veio em boa hora. Agora é so esperar e acredito que, assim como o sol há de iluminar novamente depois desta chuva, poderemos sair nas ruas e cantarmos o Hino de Santa Catarina num só coro na frente da Assembléia e seremos com certeza aplaudidos pela população que está sofrendo, sentindo o desamparo de quem deveira estar do nosso lado… sala vazia… bolso vazio…mentes cheias…


“Chora magistério”
22 de junho de 2011

“Boa tarde caro Moacir, mais uma vez agradeço por este espaço e pela consideração conosco. Gostaria de lhe fazer um pedido: que você colocasse essa poesia na página principal é uma singela homenagem aos meus colegas. Obrigada! Att professora Margot.

CHOVE CHUVA, CHORA MAGISTÉRIO!!!

Hoje da minha janela vejo muita água a correr
São as lágrimas do meu magistério que chora por perceber:
Não há valorização da sua carreira;
Numa tabela sem eira nem beira
Não há cumprimento da lei integralmente;
Só um governo que mente.
Não há recursos para o governo pagar o que nos deve
Mas há desvio de finalidades no FUNDEB
Não há dinheiro para do piso a implantação
Mas esqueceram os 25% que devem ser investidos na educação
Não há justiça para categoria
Que pela decisão do STF era só alegria.
Chora meu magistério! Chora!
Que as tuas lágrimas vão molhar a terra
E fazer germinar a semente da esperança
A esperança no amanhã e na justiça
Ministério onde agora paira um mistério:
Julgarão ILEGAL o magistério???
Estamos nós descumprindo uma lei federal?
Não! Somos uma classe unida numa greve constitucional e totalmente legal
Pela observância de uma lei federal
Saímos numa marcha sem igual, foi sensacional…
Chora meu magistério! Chora!
Estás cansado e te sentes humilhado
Pelo governo és ameaçado
Querem te fazer ficar calado
Até teu salário, o pão da tua mesa, te foi tirado
Só por teres lutado e tua situação denunciado.
Chora meu magistério! Chora!
Muitas pessoas agora já estão te julgando
Não percebem que de ti sempre estão precisando
Mas, ergue-te novamente que és salvador
Da sociedade és agente transformador
De todas as profissões és tu o formador
Chora meu magistério! Chora!
Hoje choras a tua dor
Gritas pedindo socorro querido professor
Mas a alegria virá ao amanhecer
Pois a verdade vai prevalecer
Amanhã acordarás triunfante…
Serás pra sociedade novamente figura tão importante
Pois nesta batalha, lutasse feito um guerreiro
A defender a educação dos teus alunos pelo estado inteiro
Chora magistério! Chora!
Mas chora de alegria
Pois a vitória será da democracia. Quem diria….
Começa agora a construção de uma nova história
Esses dias ficarão para sempre em nossa memória
Chora meu magistério! Chora!
Agora chora de emoção, pois hoje toda população
Bate palmas pra ti, bate palmas pra ti
Cantando a tua eterna canção (Professores, protetores das crianças …)
Certamente tu mereces!

Recebam minha singela homenagem colegas do magistério catarinense. Professora: Margot.”


NOS DAR,BJS

lucimar madel diz:

21 de junho de 2011 às 10:12 pm
Schroeder, 15 de junho de 2011

Desabafo de alunos do ensino médio

Caros Senhores!

Somos alunos da rede Estadual de ensino de Santa Catarina e pedimos que nos ouçam por um instante.
Todos observam calados os professores reclamando seus direitos, e os governantes dando desculpas para não pagar o que é justo e previsto por lei. Enquanto essa trama se enrola, nós alunos somos jogados de um lado para o outro, colocados em último plano.
Somos a favor da luta pelos direitos de nossos mestres, mas um protesto de forma organizada que trará resultados. Nos decepciona sentir nossos professores desanimados, sem estímulo, sendo sugados e desvalorizados. Mas, a nossa maior decepção é ver alguns professores, profissionais considerados brilhantes, tomando atitudes desrespeitosas, constrangedoras e sem efeito para a causa. Todos os profissionais da educação sofrem com o descaso, porém na hora da luta muitos se sentem pressionados, amedrontados e até ameaçados, outros se acovardam e não apoiam a classe por motivos banais.
Todos os dias vamos para a escola sem saber se teremos alguma aula. Pois alguns professores entram e saem da greve do dia para a noite, e a direção não consegue se organizar em meio a tudo isso.
Temos nojo dessa politicagem barata e a repudiamos . Homens e mulheres eleitos que não valorizam os professores da rede pública não tem seus filhos estudando em escolas públicas, se tivessem saberiam o que nós passamos. Nossos pais se revoltam com a situação, nossa vida familiar também é prejudicada.
Pedimos as autoridades que nos respeitem! Parem de repetir que nós, jovens, somos o futuro. Não coloquem sobre nossos ombros tamanha responsabilidade. Nós somos o presente, estamos vivendo e precisamos disso hoje. E a responsabilidade é de vocês, afinal foram eleitos para esta finalidade, inclusive com a ajuda de nossos votos.
Viemos, por meio deste, pedir que descruzem os braços e tomem uma atitude, e que esta seja nobre.
Se vocês acham que nós somos o futuro, façam o que é justo. Pois o futuro é consequência de suas atitudes agora.


CRISTINA diz:

21 de junho de 2011 às 10:29 pm
VOLTA àS AULAS E INDIGNAÇÃO

Nós, professores da rede estadual de ensino de Otacílio Costa voltamos ao trabalho, mas a indignação continua forte!
Quando um governo fecha as portas de negociação, dizendo que foi transparente, enquanto encobre desvios de dinheiro público da ordem de bilhões; diz que atendeu a todas as exigências dos profissionais em educação, mas não consegue cumprir inúmeras leis, cortando direitos conquistados há décadas (percentuais na regência de classe e corte de 50% nas aulas excedentes ou horas-extras) , fazendo ameaças concretas de corte de salários dentro de uma greve legal, não temos como acreditar em poderes eleitos. Concluímos que vamos às urnas para eleger nossos futuros ditadores, diante de tanto descalabro. O governo diz para esperarmos… Só voltamos para as salas de aula por respeito aos alunos, que correm o risco de perder o ano letivo, fato com que os políticos pouco ou nada se interessam, pois seus filhos estão em escolas particulares.
Voltamos porque temos responsabilidades com pais e alunos da escola pública, mas não abdicamos de nossos direito.
Em Otacílio Costa fica registrada a maior mobilização da categoria já vista. Não desistimos. Apenas estamos dando uma trégua para que o governo cumpra os acordos que fez neste momento de greve. Se ele vai honrar a palavra, só o futuro recente da história dirá. E estaremos atentos a todos os políticos que se colocarem como inimigos da Educação! - Professores da Rede Estadual de Ensino de Otacílio Costa

Patricia C S Baehr diz:

21 de junho de 2011 às 11:37 pm
Vou ser objetiva! Primeiro, passei o dia em Florianópolis, vimos duas assembléias, para almoçar, quem nos cedeu alimentos foram deputadas porque se não ficaríamos sem comer, ficamos na fila porém graças a elas nos alimentamos!
Olha nós ouvimos tanto, tanto, cada coisa, que saímos de lá com mais raiva, porém mais forte, em saber que ao longo de 10 anos os comissionados ganharam até 764% de reajuste e nós 93%, fora a inflação que corroeu esses reajustes mínimos nosso. Cômico se não fosse trágico.
Os deputados deixaram bem claro, em alto e bom som que ha dinheiro, e outra descoberta assombrosa com essa de pagar o piso e tirar a regência, plano assiduidade e pagar parcialmente as aula excedentes ele conseguiu desembolsar mais de 30 milhões, ele conseguiu ganhar dinheiro com a greve, divertido não? Saber que a pessoas de cargo de confiança dele que trabalharam três dias, ou uma semana e no máximo um mês e se aposentaram por invalidez com um salário de 35 mil, e detalhe esses invalidoz ainda estão mamando lá no Colombo.
Quanto a homenagem, sim vaiamos, não vou mentir, porém não falamos palavrão, pense; nós queríamos resolver a situação foram pessoas de várias cidades do estado, esse senhor chegou na Câmara as 3 da tarde e nós já estávamos lá desde cedo, ficamos sentados no chão como se fôssemos apenas baderneiros, e ai o senhor vem fazer um discurso pro falecido de 15 minutos? Nós já havíamos feito o minuto de silêncio, já tínhamos ouvido falar sobre o falecimento daquele senhor, todos em silêncio, porém não aguentávamos mais, ele poderia deixar para fazer a homenagem em outro momento bem mais oportuno pois sabia que ali o assunto era outro e para nós era apenas tática para desviar nossa atenção. Não tinha como não sentir repulsa, somos professores, mais somos humanos, corre sangue em nossas veias, e já sabíamos que tinha sido descontado nossos dias, o que é inconstitucional, pois depois iríamos repor as aulas pra fechar o calendário do ano letivo, nós professores trabalharíamos em nossas reuniões e conselhos no fim de semana! Ele descontou e destruiu o ano letivo porque não precisaremos recuperar, quem irá perder? Quem ele prejudicou? Não foi apenas os professores, somos honestos temos crédito, vamos nos manter, e as crianças ele esta pensando nelas? O que temos visto é ele pagar a mídia para ficar contra nós, chegaram a mentir que Blumenau tinha voltado as aulas, um mentira grandiosa, apenas um repito UM COLÉGIO DE BLUMENAU VOLTOU, e, poucos estão em regime parcial e sem alunos e outras Escolas como a minha estão 100%. Para pagar a mídia ele tem? E por que sempre que temos um impasse ele foge? Primeiro Europa, já havia terminado seus compromissos porém adiou a volta; segundo impasse grande ele se mandou para Brasília, e hoje não foi diferente, e acredite ele não estará terça porque foge da categoria pois sabe que esta errado, quem não deve não teme, não vamos recuar não agora, nem amanhã e nem depois, estamos não só querendo ser valorizados, mais lutamos por uma educação de qualidade, escolas com infra estrutura, já que algumas nem papel higiênico tem. Estamos a 35 dias em greve que tem sido bem mais cansativo e corrosivo do que estar trabalhando que é muito melhor, tirar dinheiro de onde não temos para nos manter nesse momento! Porém o que estamos pedindo a ele é nosso é piso, é lei, e lá ainda tinha um deputado reclamando que ganhava 23 mil, sim ele reclamou publicamente, quase sentimos pena!
E você conseguiria se manter sem esboçar qualquer reação numa situação dessas? Fica pra pensar!

Danieli Emerichs diz:

21 de junho de 2011 às 11:37 pm
Caro Moacir, obrigado por estabelecer esse espaço, que virou rotina para nós professores, ficamos informados, após ler os comentários dos colegas e de amigos da Educação , não canso de me perguntar:”RAZÃO OU EMOÇÃO”…

Minha RAZÃO diz volte a fazer o que mais gosta, teu chão é a sala de aula, teus alunos te aguardam ansiosos, por incrível que pareça eles querem ter aulas, estão sendo prejudicados com toda essa situação, afinal o governo não vai cumprir a lei….meus alunos tão perdendo aula e conhecimento, estão em casa, na rua, sei lá onde…então volte para a escola e faça o que você mais AMA….

Minha EMOÇÃO, diz: como trabalhar com um insulto desse tamanho…políticos que estão com vergonha dos professores, a coisa está se invertendo, como entrar em uma sala de aula com alunos ansiosos por uma resposta? Até estou ouvindo eles:- E daí professora quanto ganharam de aumento?- Ei profê valeu a pena a greve? – O profª vamos repor os dias que descontaram da senhora? Estou até ouvindo (será que estou louca?)… e eu reponderei o que? Sim valeu a pena, meu salário diminuiu, desculpas que salário????? o mesmo foi descontado…..a regência de classe virou pó….como voltar a dar aulas tão indignada como estou, tão angustiada, louca com tudo isso… para falar a verdade apavorada com tantas aberrações e injustiça cometidas pelo nossos governantes….não minha Emoção diz:-”VAMOS LUTE!!!!” “QUE SE CUMPRA A LEI”..

Sinceramente não sei qual fala mais forte neste momento, colegas de magistério e amigos que nos apoiam nessa luta, se a RAZÃO ou a EMOÇÃO…..

Que Deus nos ilumine, nos de sabedoria e nos abençoe nessa luta que é de todos!!!!!Amém.

Profª Danieli Emerichs - Correia Pinto-SC

jose carlos sousa diz:

22 de junho de 2011 às 12:52 am
SEM PALAVRAS,,,, QUANDO VAMOS TER ESPERANÇA DE UMA MUDANÇA EFETIVA NO PROCESSO EDUCATIVO?. OQUE DIZER, PENSAR SOBRE OQUE ACONTECEU HOJE.? É COMO RETROCEDER , PERDER A ESPERANÇA DE EVOLUIR, QUALIFICAR-SE PARA A CONTINUIDADE DO TRABALHO DIARIO. VER UM CAMINHO QUE NOS ESTIMULE A PENSAR, QUE VALE A PENA. É INACEITÁVEL PENSAR QUE AO FINAL DESTA GREVE, SIM , PORQUE ELA VAI CONTINUAR, POR MOTIVOS QUE NESTE MOMENTO NÃO VOU ME ESTENDER,, ESTAREMOS VOLTANDO PARA SALA DE AULA NAS MESMAS CONDIÇÕES, CASO O SENHOR REPRESENTANTE, DO STF JULGAR NOSSA LUTA COMO ILEGAL. ME VEJO RECEBENDO ALUNOS , PAIS , E OUTROS REPRESENTANTES DA COMUNIDADE ESCOLAR, E RELATANDO NOSSA LUTA, NOSSOS OBJETIVOS , “CONQUISTAS”, “AVANÇOS”,,,, SEM CONTAR A NOSSA AUTO ESTIMA , NOSSO AMOR PROPRIO, QUE MUITAS VEZES, É O QUE IMPULSIONA NOSSO TRABALHO QUANDO TUDO PARECE DIFICIL E NÃO TEMOS Á QUEM RECORRER. COMO LEVAR A ESPERANÇA DE DIAS MELHORES, A ALUNOS VINDO DE COMUNIDADES CARENTE , DOS VALORES ESSENCIAIS NA CONSTRUÇÃO DO INDIVÍDUO? OU SEJA;,A VERDADE, O CUMPRIMENTO DAS LEIS QUE REGEM A SOCIDADE , AS CONSEQUENCIAS PARA QUEM NÃO AS CUMPRE!? . COMO ARGUMENTAR QUE O ESTUDO LEVA O SUJEITO A UMA VIDA MELHOR, SE UM DOS ALUNOS , ENGRAXA SAPATOS MEIO PERIODO , E NOS INTERVALOS DAS AULAS SOMA O RECEBIMENTO DIARIO E, SE MULTIPLICADO POR 2 CASO TRABALHASSE OS 2 PERÍODOS ULTRAPASSARIA OQUE GANHO COMO PROFESSORA COM ENSINO SUPERIOR. ,,, SEM DUVIDA A EDUCAÇÃO É A BASE PAR A FORMAÇÃO DAQUELES QUE FARÃO O FUTURO DO PAÍS. POREM HOJE, NESTE MOMENTO DEPOIS DE PANTAS TENTATIVAS , TANTA , DEMAGOGIA NÃO CONSIGO ACREDITAR

Depoimento: “Mais decepção”
21 de junho de 2011

“Moacir
A decepção é enorme. Estou sem palavras, o que dizer? Pelo que estou entendendo é que o SINTE, está achando bom isso aí? É… que dizer? Dizer que eu tinha 40% de regencia e agora vou ter 25%? Dizer que eu tinha um premio educar, eram 200,00 no meu salário mas não os tenho mais? Dizer que eu tinha 6% a cada triênio e tempos depois tiraram e estou recebendo 3% a cada triênio e agora nem sei se terei os que tenho, pois o que seriam os 15% os demais valores das gratificações? Que dizer da esperança que nos foi dada em 2008 quando um Presidente disse, que todos os professores desse Brasil teriam um piso mínimo, mas incrivelmente o sr.LHS, disse que não, porque precisaria do FUNDEB para pagar seus cabos eleitorais nas SDRs? Que dizer da alegria que tive quando o STF disse que EU tinha direito e que o governo de SC deveria pagar? Que dizer de toda essa classe de trabalhadores da educação e que sem nenhuma bandeira partidária, (e graças a Deus que não as tem, pois está cansada de ver políticos sem escrúpulos, entrando em nossa escolas, dizendo que a escola é de sigla tal de partido tal, verdadeiro horror) e esses profissionais da educação com o grito a anos engasgado, poder gritar que tem direitos e devem ser respeitados, mas sendo calados pelo Sr. Raimundo? NADA, NADA, NADA…
O que eu posso dizer é: VI UM GINÁSIO DE ESPORTES SENDO CONSTRUÍDO EM MINHA ESCOLA , QUATRO PAREDES, SEM BANHEIRO, SEM JANELAS, APENAS 4 PAREDES, E UMA PINTURA NA MESMA ESCOLA UM PRECINHO BÁSICO: UM MILHÃO E MEIO ANO PASSADO.
VI ANTES DA ELEIÇÕES CAIXAS E MAIS CAIXAS DE UNIFORMES DESDE MEIAS, TÊNIS, CAMISETAS AGASALHOS VERÃO/INVERNO, MATERIAS ESCOLARES ETC ETC PARA OS ALUNOS (nada contra que recebam, mas os mesmos já recebem a bolsa familia, bolsa escola para isso)
VI E VEJO A MERENDA ESCOLAR PRIVATIZADA E PÃES VINDO DE OUTRA CIDADE QUANDO CHEGAM A ESCOLA JÁ ESTÃO AZEDOS E AS CRIANÇAS JOGAM FORA.
VI E VEJO PROFESSORES TRAZER SUAS MARMITAS ENQUANTO SÃO JOGADOS QUILOS E QUILOS DE ALIMENTOS FORA, POIS É PROIBIDO A UM PROFESSOR O ALIMENTO JÁ QUE O MESMO RECEBE 6,00 DE VALE ALIMENTAÇÃO.
VI ANOS ATRÁS AS ESCOLAS RECEBEREM NA ÉPOCA O FUNDEF, AGORA FUNDEB, UMA VERBA E AS ESCOLAS TINHAM A AUTONOMIA PARA VER AS NECESSIDADES DE CADA UMA E USAR DA MELHOR MANEIRA E VEIO O SR. LHS TOMOU PRA SÍ E PARA SEUS CABOS ELEITORAIS E A PARTIR DAÍ OS DIRETORES PRECISAM MENDIGAR NAS SDR PRA COMPRAR UMA TORNEIRA.
VI E VEJO OS PROFESSORES PRESSIONADOS PELAS GERÊNCIAS PARA QUE SEJAM APROVADOS TODOS OS ALUNOS, POIS SE O MESMO NÃO ATINGIU OS OBJETIVOS PROPOSTOS O PROFESSOR PRECISA PRATICAMENTE ASSINAR UM ATESTADO DE INCOMPETêNCIA.
VEJO QUE EM UM PAÍS DEMOCRÁTICO QUE SOMOS, TEMOS QUE COMPARTILHAR DA DITADURA NA COLOCAÇÃO DE DIRETORES NAS ESCOLAS.
Podeeia ficar aí escrevendo a noite toda, mas o que eu POSSO DIZER É…
CHEGA MEU QUERIDOS COLEGAS, BASTA! OU ACEITAMOS PASSIVOS AOS DESMANDOS, A VIOLAÇÃO DOS NOSSOS DIREITOS OU LUTAMOS COM TODAS AS NOSSAS FORÇAS EXIGINDO DE UMA VEZ POR TODAS O RESPEITO A LEI E AO PROFESSOR.
É NUM SORRISO DE UMA CRIANÇA QUE RECARREGO AS MINHAS FORÇAS E DIGO: LUTAR VALE A PENA! - Professora Regina Ana.”

A greve e o futuro da educação. Boa noite…
21 de junho de 2011

Meu relógio marca 45 minutos do dia 21 de junho. Cheguei há meia hora no hotel de Brasilia, em missão profissional, para participar de evento da RBS. Estou viajando desde as 19 horas do dia 20. Multiplicaram-se os comentários neste blog com a notícia do governador Raimundo Colombo de pedir a ilegalidade da greve dos professores na Justiça.
Primeiro, uma explicação. Os comentários só foram liberados na escala da viagem em São Paulo por volta das 20,30 horas e agora depois da meia noite, em função da viagem. Não contamos ainda com internet a bordo. Mas cedo teremos mais este serviço, como já ocorre em outros países.
Só hoje foram mais de 400 comentários. Este blog está honrado com as sucessivas quebras de recordes nos acessos e os comentários.
A radicalização política, contudo, poderá exigir mais tempo para leitura de todos os comentários. Alguns professores estão perdendo a calma, partindo para agressivas intervenções, citando palavrões, enfim, até com textos incompatíveis com o espírito deste blog.
Tenho acompanhado, por dever de ofício, a greve dos professores antes mesmo da primeira e histórica assembléia estadual no Centrosul. Ali constatei que se tratava de um movimento legítimo, forte, coeso, pelo cumprimento da lei.
Naquele encontro de excepcional presença e conteúdo pelos depoimentos, foi possível testemunhar o primeiro equívoco político do governo Colombo em relação ao sofrido magistério catarinense. O secretário da Educação, Marco Tebaldi, fez uma proposta definindo o piso salarial como remuneração. Ignorava, assim, o espírito da Lei 11.738, que fixou claramente o piso como vencimento, e a decisão de abril de 2011 do Supremo Tribunal. A resposta foi um sonoro, gigantesco e unânime NÃO dos professores.
Veio depois um argumento que se constitui em tiro no pé e logo foi rejeitado. O de que o governo só pagaria o piso salarial – considerado como vencimento básico depois da publicação do acórdão pelo Supremo. Segunda falha primária no encaminhamento do problema.
Veio a primeira reunião entre os secretários Marco Tebaldi e Eduardo Deschamps com o comando de greve e o Sinte. Deveria ser de “negociação”. Foi, na realidade, de imposição. Os dois secretários comunicaram o teor da medida provisória que seria assinada pelo governador. Ali mesmo tiveram a rejeição. Ainda assim, foi o ato assinado e remetido à Assembléia Legislativa.
Rejeição por que? Pagava o piso para quem recebia menos de R$ 1.187,00 , cortava a regência de classe pela metade, suprimindo em parte uma conquista histórica do magistério, e achatava violentamente a tabela salarial, sepultando um plano de carreira tão duramente conquistado. E assim mais um capítulo da novela “pastelão”.
Verdade que nas negociações seguintes, o governo melhorou a regência de classe para 25% e 17%, mas ainda assim esquartejava um ganho que os professores não admitiam perder em nenhuma hipótese, além de não fixar prazos fixos para implantação do piso na carreira.
Veio a greve. Surgiu o impasse político. O governo depois admitiu alguns avanços institucionais e políticos, como realização do concurso, abono de faltas, anistia da greve de 2008, revogação da progressão funcional, etc. O essencial, contudo, que era a recuperação da regência e o calendário do piso na carreira ficou fora das conversações.
Encerradas as negociações vieram as medidas duras. Desconto nos salários pelos dias parados, retirada da medida provisória, substituição de professores e envio de projeto de lei com a tabela salarial da última proposta. E, o que vem causando mais reações, anuncia ação na Justiça para pedir a ilegalidade da greve.
Leitura simples. O governo está apostando na repetição de fatos registrados em outras greves. Isto é, desconta os salários que os grevistas voltam para o trabalho. Se isto acontecer, quem perde é a educação, porque os educadores retornarão humilhados, arrastando a barriga na soleira da calçada, com os mesmos salários baixos para as categorias com especialização e pós-graduação e sem motivação para o trabalho.
Pior: os que estão começando agora terão que incentivo para fazer cursos de pós-graduação se isto não repercutirá em melhoria na carreira e, sobretudo, salários mais dignos?
Situação delicada e grave. A desistência de outras greves pode não se repetir este ano. A unidade do movimento é forte e há um fato novo a uni-los: as redes sociais da Internet. A comunicação agora é horizontal, instantânea. Os professores estão se comunicando diretamente. Estão mais bem informados. A força da mídia tradicional não é a mesma para convencer pais, alunos e professores.
Se os professores resistirem a situação vai se agravar. E a paralisia do governo, motivada pela greve, poderá se estender. E marcar de forma negativa o início do governo Colombo.
Cenário, portanto, indefinido e sensível. O governador diz que chegou no limite. Mas seus auxiliares não conseguiram avançar no essencial. Ele tem o quadro financeiro do Estado. Terá, também, o diagnóstico do magistério e da situação das escolas estaduais de Santa Catarina?
O tempo dirá!
É difícil fazer previsões. Mas tenho ouvido opiniões de assessores diretos de Raimundo Colombo sobre o fim da greve que não condizem com a realidade das assembléias, dos comentários neste blog e nas redes sociais que multiplicam informações instantâneas por todo o Estado.
Tenho que acordar as sete para o comentário na CBN-Diário. Já é uma hora e 15 minutos da madrugada. Decidi não me recolher sem estas considerações. Feitas no improviso, pelas constatações das últimas semanas, pelas decisões de segunda-feira, mas sinceramente com o desejo de bem informar aos catarinenses, externar preocupação com o que possa acontecer e, sobretudo, marcar posição de extrema apreensão sobre o futuro da educação em Santa Catarina.
Para os corujas que me honram neste momento, uma boa noite e bom descanso.

Pausa para meditação
20 de junho de 2011

“Boa Noite, Moacir Pereira!
Com a sua permissão, gostaria de usar o espaço para uma pequena pausa e arrefecer as cabeças e os corações em momentos de turbulência.
PARA OS QUE QUEREM VOLTAR:
Pacato cidadão… É o pacato da civilização. (Skank)

PARA OS QUE ESTÃO NA DÚVIDA, VOLTAR OU NÃO:
Você disse que não sabe que não, mas também não tem certeza que sim.
Quer saber? Quando é assim… deixa vir do coração (ISSO NÓS TEMOS) (Djavan)

AGORA, PARA OS QUE PERSISTEM:
Tropa de elite …osso duro de roer. (Tihuana)
Obrigado!Abraço e UNIÃO!
Pedro Paulo de Miranda
P.S – Com o perdão de Bertold Brecht:
” Há homens que lutam um dia e são bons, há outros que lutam um ano e são melhores, há os que lutam muitos anos e são muito bons. Mas há os que lutam toda a vida e estes são imprescindíveis”

“Vale a pena estudar?” Sem dúvida, sempre!
20 de junho de 2011

Professora Leila Bambino faz uma reflexão sobre o esforço do estudo e do aprendizado. Confira o texto:
“A cada dia que passa fico mais assombrada com as coisas que acontecem ao meu redor. Talvez seja fruto da evolução/involução humana. Desde pequena ouvia dos meus pais a seguinte frase: “Você precisa estudar, cursar uma universidade para ser alguém na vida”.
E cresci, cursei uma universidade, fiz duas especializações e só não recorri ao mestrado por falta de dinheiro. Mas cheguei a uma conclusão triste: estudar não ajuda em nada!!!
O leitor deve estar pensando: “Esta pessoa deve estar maluca”. E olha que me formei em Pedagogia e sou professora das séries iniciais. Será que estou maluca mesmo ou esta minha conclusão tem outra razão de ser? Vou tentar explicar.
Sou professora da rede pública estadual já há 15 anos. Todos os anos faço inúmeros cursos, sempre em busca de um aprimoramento pessoal e salarial, claro. A minha área está sempre evoluindo no que diz respeito a teorias e técnicas de como tornar o ensino mais prazeroso. Vivemos em um mundo globalizado e isto fez com que muitos educadores adquirissem o hábito de se conectar a estas novas realidades. Tudo isto tem um custo: aquisição de computadores, cursos de aprimoramento, noites sem dormir – pois muitos educadores ainda temem sentar-se a frente de uma tela – etc. Mas tudo isso em nome da Educação. São sinais dos tempos modernos.
O livro, esta antiga ferramenta, faz parte do nosso universo desde sempre. Precisamos dele para nos atualizar, pesquisar ou simplesmente viajar na imaginação de quem os escreve. Eles não são gratuitos.
Todas as manhãs acordo cedinho com a missão de atender aos meus 45 alunos da melhor maneira possível. Crianças em torno de 6 e 7 anos que chegam das mais variadas formas. Uns vêm de famílias estruturadas, com seu material escolar em dia e seus cadernos encapados (cada dia mais raro). Outras vêm com fome, descabeladas e, pasmem, sem nem a mochila escolar. Mas tenho que dar conta daquilo que me propus, tendo como meta atingir a todos.
As condições de trabalho não são aquelas maravilhas: alunos desinteressados, pais omissos, onde temos que ser assistentes sociais, enfermeiras, mães, médicas, psicólogas e muitas vezes ensinar como cuidar da sua higiene pessoal. Além, é claro, de ensinar, corrigir e elaborar atividades. Ufa!
Sou professora e também tenho necessidades básicas de alimentação, moradia, saúde, locomoção, gastos com roupa e ainda estar constantemente me reciclando e indo em busca de novidades. Só que o salário do professor não ajuda. Eu ganho muito pouco para tudo isso, mas aperta daqui e dali e lá estou adquirindo uma nova coleção de livros ou investindo em mais um curso de capacitação, na esperança de que um dia isto reverta em um aumento salarial digno.
Mas isto não acontece… Moro em Santa Catarina e no momento em que escrevo este desabafo, estou em greve. Sim, meu estado está com suas atividades paralisadas, pois desde 2008 não recebemos o piso estabelecido pelo Governo Federal. Isto mesmo, Santa Catarina não paga o que é nos é de direito. Entramos em greve. Depois de algumas negociações o governador resolveu fazer o seguinte: os professores que tem apenas o magistério receberão o mesmo que eu, que sou formada e com tantos anos de sala de aula.
Entenderam o porquê da minha indignação? Será que estudar tanto vale a pena?

Vale à pena estudar?

A cada dia que passa fico mais assombrada com as coisas que acontecem ao meu redor. Talvez seja fruto da evolução/involução humana. Desde pequena ouvia dos meus pais a seguinte frase: “Você precisa estudar, cursar uma universidade para ser alguém na vida”.
E cresci, cursei uma universidade, fiz duas especializações e só não recorri ao mestrado por falta de dinheiro. Mas cheguei a uma conclusão triste: estudar não ajuda em nada!!!
O leitor deve estar pensando: “Esta pessoa deve estar maluca”. E olha que me formei em Pedagogia e sou professora das séries iniciais. Será que estou maluca mesmo ou esta minha conclusão tem outra razão de ser? Vou tentar explicar.
Sou professora da rede pública estadual já há 15 anos. Todos os anos faço inúmeros cursos, sempre em busca de um aprimoramento pessoal e salarial, claro. A minha área está sempre evoluindo no que diz respeito a teorias e técnicas de como tornar o ensino mais prazeroso. Vivemos em um mundo globalizado e isto fez com que muitos educadores adquirissem o hábito de se conectar a estas novas realidades. Tudo isto tem um custo: aquisição de computadores, cursos de aprimoramento, noites sem dormir – pois muitos educadores ainda temem sentar-se a frente de uma tela – etc. Mas tudo isso em nome da Educação. São sinais dos tempos modernos.
O livro, esta antiga ferramenta, faz parte do nosso universo desde sempre. Precisamos dele para nos atualizar, pesquisar ou simplesmente viajar na imaginação de quem os escreve. Eles não são gratuitos.
Todas as manhãs acordo cedinho com a missão de atender aos meus 45 alunos da melhor maneira possível. Crianças em torno de 6 e 7 anos que chegam das mais variadas formas. Uns vêm de famílias estruturadas, com seu material escolar em dia e seus cadernos encapados (cada dia mais raro). Outras vêm com fome, descabeladas e, pasmem, sem nem a mochila escolar. Mas tenho que dar conta daquilo que me propus, tendo como meta atingir a todos.
As condições de trabalho não são aquelas maravilhas: alunos desinteressados, pais omissos, onde temos que ser assistentes sociais, enfermeiras, mães, médicas, psicólogas e muitas vezes ensinar como cuidar da sua higiene pessoal. Além, é claro, de ensinar, corrigir e elaborar atividades. Ufa!
Sou professora e também tenho necessidades básicas de alimentação, moradia, saúde, locomoção, gastos com roupa e ainda estar constantemente me reciclando e indo em busca de novidades. Só que o salário do professor não ajuda. Eu ganho muito pouco para tudo isso, mas aperta daqui e dali e lá estou adquirindo uma nova coleção de livros ou investindo em mais um curso de capacitação, na esperança de que um dia isto reverta em um aumento salarial digno.
Mas isto não acontece… Moro em Santa Catarina e no momento em que escrevo este desabafo, estou em greve. Sim, meu estado está com suas atividades paralisadas, pois desde 2008 não recebemos o piso estabelecido pelo Governo Federal. Isto mesmo, Santa Catarina não paga o que é nos é de direito. Entramos em greve. Depois de algumas negociações o governador resolveu fazer o seguinte: os professores que tem apenas o magistério receberão o mesmo que eu, que sou formada e com tantos anos de sala de aula.
Entenderam o porquê da minha indignação? Será que estudar tanto vale a pena? Leila Bambino.”
*
Do blogueiro: Claro que vale, Leila Bambino. E como! Ontem, hoje, amanhã e sempre. Permanentemente. Para seu enriquecimento, o aprimoramento de seus alunos, de sua família e de toda a comunidade. Se o governo não reconhece é outra história. Moacir Pereira.

Educação: “O engodo e o desconforto”
20 de junho de 2011

Comentário intitulado “O engodo do governo e o desconforto da educação”foi enviado pela professora Cristina Sutil, de Otacílio Costa. Veja o conteúdo:
“Quem pode sentir-se bem com as condições apresentadas no cenário educacional? Esses trinta e poucos dias de greve do magistério catarinense desenterraram décadas de problemas, advindos de situações precárias de trabalho e de governos descompromissados com a educação de nosso Estado.
Que bom que nós, os professores tivemos a ousadia e a coragem de abrir a caixa de Pandora da Educação. No início estávamos um pouco tímidos, mas agora nos agigantamos. Este enfrentamento dos professores com o governo está revelando o poder adormecido de uma profissão nobre da humanidade.
Já não somos mais anônimos, estamos recuperando nosso prestígio social. Recuperaremos nosso valor! Revelamos o desconforto da educação. Os holofotes estão focando o outro lado da margem e ofuscando o governo. Estamos brilhando!
Vale lembrar que esta luta é legal e justa merece o apoio e a compreensão da sociedade. Já fazia algum tempo em que os professores não se manifestavam coletivamente. Está bonito de se ver e ouvir. O momento é oportuno e único.
A união, a civilidade, a coragem, a ousadia e a organização de milhares de professores está apontando novos caminhos para a educação catarinense. Quando voltarmos aos nossos locais de trabalho, às nossas comunidades escolares teremos novos elementos e conteúdos para trabalhar nas salas de aula.
O que estamos presenciando, discutindo e descobrindo está renovando nossas expectativas, nossa maneira de ser, agir e pensar na educação. Na verdade, agregaremos esta luta aos currículos educacionais. Nossos alunos serão capazes de entender nossas demandas, com consciência política e pensamento crítico e reflexivo desenvolvido por nós.
Para finalizar esta escrita, comungarei da ideia de muitos colegas professores. Jamais poderemos ser coniventes e omissos diante da corrupção, autoritarismo e desmandos do governo. Estamos diante de uma proposta indecorosa, de um engodo. Vamos ser cautelosos e manter nosso propósito.
Não temos o poder de mídia, mas estamos apostando na dignidade, no bom senso da sociedade, na justiça do trabalho, na ética e principalmente na vitória de milhares de professores que sonham com uma educação e ensino de qualidade. Estamos esperançosos, como o saudoso Paulo Freire.
Continuaremos ousados e corajosos para enfrentar as adversidades e contradições com mais competência e menos subserviência. Vamos resgatar a vontade de transformar a sociedade, transformar as pessoas em seres mais humanos, mais autônomos e felizes. Obrigada.
Professora Cristina Sutil.”

22/6/2011 - Governo recua e retira ação de ilegalidade da greve
Sinte entra na justiça para evitar descontos dos dias parados
Nesta 4ª feira, 22 de junho, às 15h30, o SINTE/SC, através de sua assessoria jurídica, ingressou com uma ação na Justiça para suspender os descontos promovidos pelo Governo do Estado contra os grevistas e pela ilegalidade da greve. O Governo, aleatoriamente, promoveu os descontos dos dias parados sem respeitar a liberdade de organização sindical dos servidores públicos estaduais.
A pressão do SINTE/SC foi importante para que o Governo do Estado voltasse atrás na decisão solicitar a ilegalidade do movimento de greve do magistério público estadual, que hoje completa 33 dias. O anúncio do recuo do governo foi feito no final da tarde de hoje e mostrou grande avanço na luta dos trabalhadores para restabelecer o diálogo com o Governo Estadual.
A suspensão da ação do governo, além de mostrar a força da greve, deixou claro a possibilidade de voltarmos a negociar nossa pauta de reivindicação, que tem como ponto chave a implantação do Piso na carreira sem alteração da tabela salarial.
A mobilização do magistério na ALESC resultou na interlocução dos deputados em intermediar a pauta do magistério que luta pela valorização profissional e pela educação pública de qualidade para todos.
Outras manifestações de apoio à greve do magistério também tem sido feitas; o Conselho Estadual de Educação, reunido na tarde de hoje, abriu espaço para o SINTE/SC e demonstrou disposição em intermediar junto ao governo o atendimento da pauta da magistério.
Também hoje, o SINTE/SC esteve reunido com o presidente do Tribunal de Contas do Estado, Luiz Roberto Herbst, que respondeu positivamente à solicitação de uma audiência para discutir a distribuição dos recursos do FUNDEB no estado. Outros órgãos, como o Tribunal de Justiça. O Ministério Público, UDESC e ALESC também devem receber o SINTE/SC em audiência.


Deputada lança nota de apoio aos professores
22 de junho de 2011

“NOTA DE APOIO AO MAGISTÉRIO CATARINENSE

Florianópolis, 22 de junho de 2011

A atual greve dos professores é um dos fatos mais marcantes da luta dos trabalhadores no nosso estado, com a maior mobilização e adesão registradas nos últimos 20 anos. Ao exigir do governo do Estado o cumprimento da lei e o pagamento do Piso Nacional Salarial, o magistério catarinense mostrou união e mobilização. As reivindicações justas desses profissionais por respeito e dignidade ao exercício do seu ofício obteve o apoio da maioria da sociedade.

Nossas crianças e adolescentes estão fora das salas de aula há mais de 30 dias por responsabilidade de um Governo que precisa, urgentemente, cumprir com suas promessas de palanque e corresponder ao que os catarinenses esperam: o comprometimento com os serviços essenciais, como a Educação pública de qualidade.

Diante do rompimento do diálogo, de forma unilateral por parte do Governo de SC, que pretende resolver o impasse com os professores na base de ameaças, medidas autoritárias e ilegais, entendemos necessário reiterar nosso posicionamento:

- Não vamos compactuar com a ilegalidade da Medida Provisória Nº 189 enviada pelo Executivo Estadual para a Assembleia Legislativa. O conteúdo dessa MP modifica vencimentos, altera gratificações, absorve e extingue vantagens dos professores da rede estadual do ensino;
- Repudiamos veemente a postura do Governo do Estado que não se dispõe a negociar o pagamento do Piso Nacional dos Professores, conquistado democraticamente e garantido por lei;
- Da mesma forma, nosso mandato repudia a atitude, que consideramos ilegal, de descontar os dias parados dos professores que buscam, além de melhorias das condições de trabalho, também maior qualidade na Educação;
- Defendemos que a Assembleia Legislativa do Estado de Santa Catarina não delibere sobre nenhum projeto de lei de autoria do Executivo enquanto não houver uma solução para a greve dos professores. Nada é mais urgente, neste momento, que garantir a Educação para milhares de estudantes e adolescentes do nosso estado;
- Por último, apelamos para que o Governo restabeleça o diálogo com o Magistério, permitindo a constituição efetiva de uma Mesa de Negociações, viabilizando recursos para o pagamento do Piso Nacional à categoria. Destacamos que o relatório do Tribunal de Contas do Estado aponta que o Governo não cumpre os 25% estabelecidos na Constituição para a Educação. Os recursos, que deveriam ser aplicados na manutenção
e desenvolvimento do ensino, estão sendo utilizados pelo Governo em despesas não relacionadas com a Educação.ANA PAULA LIMA
Deputada Estadual – PT.”

Pessoal leiam abaixo um comentário de um advogado ( ele postol no blog do Moacir Pereira )quanto ao julgamento de ilegalidade da greve do magistério. Se pensamos que so os professores, pais e alunos estão ligados, ai vai uma prova que todo o estado esta acompanhando e até torcendo por nós.
Abraços!!!
Lucia


AdvogadoAnônimo diz:


21 de junho de 2011 às 6:03 pm
Resta aos agentes do magistério acreditar no poder dos magistrados, o poder soberano do juiz de direito, que com seu bom salário, cultura e conhecimento não se sujeita facilmente à propina. Cabe aos professores depositar o resto de suas esperanças no sistema judiciário brasileiro que já decidiu pelo Supremo Tribunal Federal a Constitucionalidade da lei, e que possui uma autonomia maior em relação aos poderes executivos e legislativos que se entrelaçam e hamornizam-se demasiadamente. Resta a esperança de que os devaneios que assombram o magistério sejam efetivados com um possível indeferimento do magistrado, resguardando e comprovando que de fato, vivemos em um Estado Democrático de Direito e não em uma retroação a um período arcaico, onde vigora o sistema absolutista do qual os indivíduos são sujeitos as arbitrariedades de apenas um chefe. No papel é este o motivo da separação dos poderes, regular e estabelecer um equilíbrio para que um dos poderes não exceda. Descobriremos, se judiciário fará seu papel.



A solidariedade dos diretores do sul
23 de junho de 2011

“Carta enviada por email A TODOS OS PROFESSORES….SOLIDARIEDADE DOS DIRETORES,

Criciúma, 27 de maio de 2011.

Exmo. Governador do Estado de Santa Catarina
Sr. Raimundo Colombo

Nós, diretores e assessores da 21ª GERED – Gerência de Educação, no anseio de buscar sempre a melhoria da qualidade da Educação Catarinense, preocupados com o desempenho do Governo do Estado do qual participamos ativamente da campanha eleitoral, e temos trabalhado sempre na intenção de que este governo dê certo, fazendo uma excelente administração. No entanto, de alguma forma, compreendemos também que, em algum momento, o governo não teve o suporte necessário para munir-se de informações suficientes, a fim de conhecer a realidade vivida por dezenas de escolas e milhares de professores catarinenses. Na continuidade deste relato, tentaremos explicitar estas angústias que compartilhamos juntos, já que, embora estejamos na situação de gestores, somos, acima de tudo, docentes que amam sua profissão!

O Plano de Carreira dos profissionais da Educação é um fato. É fruto do trabalho docente, de uma categoria que esteve sempre em luta por seu merecido respeito e reconhecimento, tanto da Educação quanto do Governo. O que percebemos no atual momento é que este Governo não chegou a, de fato, ouvir o que esta categoria tem a dizer! Pela leitura feita das discussões em torno da nova tabela salarial, junto aos Governos Estadual e Federal, compreendemos que o nosso Plano de Carreira deveria ter sido respeitado e, pelo acompanhamento que temos tido pela mídia, a intolerância tem partido sempre do Governo! Temos certeza de que, caso apareçam as suficientes informações para que as negociações de fato aconteçam, teremos um outro quadro no Magistério catarinense em breve e a greve cessará rapidamente.

Como gestores, ainda gostaríamos de listar alguns problemas que temos compartilhado há algum tempo, sem retorno, e que nos têm deixado bastante preocupados e já sem muitos argumentos diante da comunidade escolar, justamente porque tentamos manter a boa imagem do Governo do Estado de Santa Catarina:

1) Primeiramente, o ano letivo iniciou-se conturbado, devido à falta de professores (tanto efetivos quanto de ACTs).
A percepção geral foi a de total falta de organização na Secretaria de Educação.
Houve muita demora na indicação dos diretores, o que causou certo desconforto entre os atuais gestores, secretárias e corpo docente.
A licitação de material de expediente, que até hoje não aconteceu, é um dos mais graves problemas que a escola vem sofrendo até o momento: como trabalhar sem materiais como folhas de papel, caneta esferográfica, clipes, lápis…?

2) Em segundo lugar, a estrutura de inúmeras escolas vem sofrendo com a falta de muitas coisas.
As instalações elétricas são inadequadas. O princípio de incêndio é iminente em várias Unidades de Ensino, cujas instalações já foram fotografadas, feitos relatórios, projetos, mas nada ainda foi resolvido. Não queremos e não podemos aguardar uma tragédia ocorrer e parar na mídia negativa, precisamos evitar estes acontecimentos o mais depressa possível.
As reformas estão sendo aguardadas há muito tempo. Há problemas na estrutura física, paredes rachadas, calçadas quebradas, falta de manutenção em prédios antigos, janelas e portas apodrecidas, azulejos quebrados, pisos de sala de aula com tacos antigos, cheios de cupim ou faltando unidades, o que passa a ser perigoso ao bem-estar tanto do aluno quanto do professor; além de visivelmente negativo quando aberto ao público, dando mais uma vez, uma impressão negativa da escola (Projetos como Feiras, Gincanas, Escola Aberta, Concursos Públicos, Palestras, Reportagens…).
Há trabalho sem material suficiente, falta material de higiene pessoal e limpeza, cujas licitações até hoje também não foram realizadas!

3) Em terceiro lugar, gostaríamos de falar quanto à qualificação de nossos pares, os profissionais da Educação, o que incluem os ACTs.
É preciso ressaltar que estamos muito preocupados em como administrar a escola com a falta de profissionais habilitados em sala de aula. Precisamos de docentes que sejam formados em Licenciatura; uma vez que temos recebido muitos profissionais liberais e/ou sem formação docente na área de atuação, o que compromete a qualidade de ensino.
É importante ressaltar ainda que, se Santa Catarina registra importantes e positivos índices no cenário Nacional, isso se deve aos professores efetivos e/ou habilitados que, mesmo não contando com melhores condições de trabalho, fazem um excelente trabalho, dando o melhor de si em sala de aula. Mérito desta mesma categoria que luta pelo seu Plano de Carreira e salários um pouco melhor!

4) Em quarto lugar, queremos registrar, mais uma vez, a necessidade de demonstração de respeito ao profissional de Educação.
O achatamento da tabela salarial, apresentado no projeto enviado, vai desmotivar ainda mais esta categoria, inviabilizando ao professor formado a contínua Especialização. Qual o profissional da Educação quererá seguir em uma Pós-Graduação? E o professor que terminou a Especialização, como terá estímulos para seguir um Mestrado ou Doutorado? E o que já é Mestre ou Doutor, por quais motivos quererá permanecer no Magistério, tendo outras oportunidades que lhe pagarão mais?
Esse desrespeito da nova tabela implicará em um grande esvaziamento de habilitados, falta de procura por cursos de licenciatura nas universidades e um queda irreparável na Educação, trazendo mais mídia negativa e outros inúmeros problemas de ordem comportamental na escola, uma vez que os que estarão lecionando, não terão metodologia nem didática para lidar com os problemas escolares.

5) Em quinto e último lugar, mas não menos importante, precisamos deixar a pergunta: como administrar a escola, diante da negativa do Governo Estadual, após a greve?
Nós, antes de sermos cargos comissionados, somos professores. Diante desse desrespeito, como lidaremos com nossos colegas, na volta da greve? Como administraremos o retorno de nossos companheiros que também estarão lutando por um salário que também é nosso, já que daqui a algum tempo, estaremos de volta às salas de aula?

São questões delicadas como estas que nos deixam preocupados, pois queremos garantir a ordem e o respeito ao Governo do Estado, mas queremos também garantir que seremos todos respeitados como docentes, profissionais de carreira.

Por todas as observações e justificativas acima elencadas, gostaríamos de fazer um pedido nada mais que justo: que fossem reabertas as negociações, mas que, desta vez, o grupo de professores fosse de fato ouvido e que fosse levado em consideração o Plano de Cargos e Salários desta categoria, uma vez que é ele quem garante a formação continuada do profissional da Educação e a conseqüente e permanente qualidade do ensino no Estado de Santa Catarina.

Por termos a certeza de que seremos atendidos e as negociações reabertas, despedimo-nos, mui respeitosamente.

Atenciosamente, Diretores e Assessores da 21ª GERED.”



“Serenidade é a palavra de ordem”
23 de junho de 2011

O título é de Carlos Duda Vieira. O texto segue:

“Caro Moacir, Senhores Professores, o Brasiltem acompanhando diariamente o embate entre a exigência do cumprimento da lei do piso do Magistério e o descaso com uma decisão federal por parte do governo Colombo/Pinho Moreira.
A luta dos nossos professores e mestres por dignidade e valorização ultrapassa décadas, assim como a luta de outras categorias do executivo como saúde, segurança, etc.
Sou da Saúde e participei de movimentos desde a década de 80, alguns ultrapassaram 50 dias de greve e de luta. Mesmo nos momentos mais rígidos de governos pós ditadura imperava o respeito e a consideração por uma parcela da sociedade catarinense que lutava por melhores condições de trabalho e melhorias salariais.
O que estamos assistindo em nosso estado é inominável. Um Governo com seis meses no poder, que se elegeu afirmando que colocaria as pessoas em primeiro lugar impor uma cota de sacrifício desumano a uma parcela significativa de catarinenses, muito deles eleitores do próprio governo.
O desconto de 23 dias nos contra cheques dos nossos mestres é o mesmo que impor necessidades básicas a milhares de famílias. Nenhum governo ousou tanto, nenhum foi tão cruel como Colombo/Pinho Moreira, mas este governo é diferente, mas o governo das pessoas em primeiro lugar contribuirá para que crianças, idosos, jovens e professores mantidos com os salários dos nossos mestres passem por momentos tão deprimentes. IMPERDOAVEL Senhores Colombo/Pinho Moreira.
Toda ação corresponde a uma reação de igual ou maior valor. O pedido de decretação de ilegalidade da greve e o desconto de 23 dias por parte do governo terão com certeza reações que fugirão ao controle dos líderes. A hora que começarem a chegar as contas de água, luz, telefone, farmácia, e faltar os valores para efetuarem os pagamentos e comprar alimentos, todos saberão quem impôs tal situação (Colombo/Pinho Moreira/Serpa/Tebaldi).
Urge a necessidade dos nossos aguerridos professores manterem a cabeça erguida, continuar no movimento de forma ordeira, como tem sido até o momento, pois todas essas ações cruéis objetivam desarticular a categoria, jogando uns contra os outros, jogando a sociedade contra os professores, porém não conseguirão. A legitimidade do movimento esta na lição de cidadania que os professores tem mostrado nas manifestações, sobretudo nas que ocorrem nas ruas. Essa forma ordeira conquistou o apoio incondicional da população e precisa continuar, Serenidade é a palavra de ordem.
Vamos neste final de semana para as esquinas dos bairros de todas as cidades distribuir notas de esclarecimento a população, fazer pedágios, angariar recursos para o fundo de greve, a luta continua. Firmes até a vitória.
Carlos Duda Vieira – Saúde/SC.”

Governador da educação?
24 de junho de 2011

“Prezado Jornalista:
Sinceramente creio que esta greve está sendo benéfica ao sistema educacional catarinense, apesar dos graves prejuízos momentâneos. Há desgaste dos professores que estão com os nervos a flor da pele ante cinismo do governo em lhes retirar os direitos adquiridos, ameaças de descontos em folha das faltas, terrorismo enfim. O Governador caiu no descrédito, e até no ridículo por estar mal assessorado, cercado de bajuladores incompetentes que o fazem “avançar” de manhã e recuar a tarde….Ele deve também estar com os nervos em frangalhos. A comunidade discente tem perda temporária, pois que, se os professores realmente conseguirem manter a greve e o governador se cercar de gente justa e competente chegará a conclusão satisfatória a greve acabará em poucos dias. As premissas são:1- Pagar o piso e todos os direitos adquiridos. 2- Atender as reivindicações da classe no que se refere a: concurso imediato, eleições diretas de diretores.
Dinheiro se arruma, afinal é devolução do que foi afanado do FUNDEB . A ALESC não seria inconsequente de não aprovar remanejamento de verbas. É só ter vontade política para isto.
Os alunos em pouco tempo iriam recuperar o prejuízo, por terem professores motivados e competentes ( atualmente “catam-se” ACTs até em pessoas sem a mínima cultura). Todos os outros avanços viriam de acréscimo. Desta forma o sr. Governador, de cabeça erguida seria proclamado como Governador da Educação. Aloísio Antoni.”

“Minha filha quer ser professora”
24 de junho de 2011

“Quando vi minha folha de pagamento hoje, levei um susto. Realmente o desconto veio, mas afinal, quando se entra numa luta sabe-se das conseqüências. Me recompus e comecei a pensar em estratégias para honrar compromissos anteriormente assumidos. Afinal, honestidade e honra é o que passamos aos alunos e filhos. E falando em filhos… minha filha de 23 anos quer ser professora!!!Professora! Certamente outra mãe tentaria tirar da cabeça este pensamento, mas eu………Penso nos 25 anos já trabalhados,no exemplo da minha mãe, também professora, nas escolas onde passei, nos alunos que encontro ao longo da vida e perguntam se ainda sou professora, se não me aposentei,se não desisti. Penso nos alunos que agora são colegas de profissão, pois se espelharam muitas vezes em nós.Nas amizades que se conquistam no ambiente de trabalho e que nos dão força em todos os momentos da nossa vida, tristes e alegres. Penso novamente em minha filha, que também foi minha aluna e não consigo encontrar palavras contrárias , apesar de tudo.Penso nas palavras de Paulo Freire”…Ser professor é também reconhecer que somos, acima de tudo, seres humanos, e que temos licença para rir, chorar, esbravejar.”…E eu chorei……….
Leticia Mara Ferreira Gonçalves( professora da rede pública estadual, Canoinhas).”

“Antes da Primavera”
24 de junho de 2011

Enviado pelo internauta Gustavo Silva:
“Olá Moacir, segue abaixo o texro de um professor de conheci em um curso…um belo texto que serve exatamente para os dias de hoje, peeço que publique se possível. obrigado.

“Antes de terminar a primavera, Josué cumpria sempre o mesmo ritual, que no seu entender de homem simples e organizado, era de sua obrigação. Assim como era obrigação do homem do lampião acender todas as noites, pontualmente às sete horas, todos os lampiões da vila. Assim como era obrigação do guarda noturno velar pelos sonhos alheios.
Josué era um homem de obrigações, obrigações que lhe foram chegando com os anos vividos… Era também um ser solitário, pois os seus também foram partindo com os anos vividos. E ele ficara sem entender como a solidão se aconchegou em sua alma.
Na pequena vila, distante de tudo e de todos, Josué levava uma vida pacata, que mudava quando a primavera estava para acabar, e a presença das flores ainda coloria o vale.
Era então chegada à hora de Josué cumprir a sua tarefa, era o momento sublime da vida rotineira e solitária de Josué.
O homem então, dentro da sua razão de homem incumbido de algo divino a realizar, esperava ansioso o dia amanhecer, e quando o homem do lampião apagava o último lume, quando o guarda noturno dava seu último apito, Josué saia pelos campos orvalhados pela noite, acompanhado de suas idéias e obrigações, ia colhendo com cuidado todas as flores que encontrava pelo caminho e guardava-as em um saco já bastante surrado pelos anos de uso. Assim, Josué passava o resto do dia, catando flores e mais flores, até o anoitecer.
Aí então, ele esperava a vila dormir e o guarda noturno cochilar nas escadarias da igreja (segredo que só Josué conhecia) e saía pelas ruas espalhando as flores colhidas durante o dia… Espalhando-as generosamente nas calçadas, na frente das casas do comércio, na cadeia local, na pequena escolinha, e até mesmo na área de uma casa, que segundo suspeitas dos moradores locais, funcionava um cabaré!
O saco aos poucos, ficava vazio, preenchido pelo forte perfume das flores.
Quando a vila acordava Josué já estava longe, já não tinha mais obrigações!
E o povo da vila mais uma vez despertava com o perfume das flores embriagando suas vidas, e ninguém conseguia descobrir o autor de tão maravilhosa obra.
E assim Josué foi enterrado em uma vala comum, na terra úmida e escura. E não me lembro de ter visto algum vaso com flores na sua sepultura!
E também nunca mais o povo da vila acordou com o perfume das flores…

Sejamos todos nós, professores, entregadores de flores… Não importa o lugar, não importa quem as receba, nem mesmo se seremos recompensados pelos governos que passarão diante de nossos olhos.
O mais importante é que em nossas mãos ficarão os perfumes das flores ofertadas, e os nossos ensinamentos se perpetuarão nos corações dos nossos educandos.
AUTOR: Professor Angelo de Souza. Apae de Braço do Norte.”

Humilhações
24 de junho de 2011

“Boa noite Moacir Pereira !
Solicito-lhe, mais uma vez, um breve espaço em seu valioso blog.

” Em algum momento perdido no tempo… “

Seus olhos atentos,
E nós,
E eu, diante de tantos, no casulo da sala de aula…
Em que momento perdido no tempo, cada um deles estava lá, sentado a nossa
frente ?
Quantas vezes, inúmeras delas, se dirigiram a nós com interrogações sobre a
vida ?
O que lhes respondi ?
Qual minha parcela de culpa ?
Onde me omiti explicando-lhes sobre valores,
respeito,
consideração,
conduta correta,
caráter ?
Acaso, todos os que neste momento no poder, nos humilham, não estiveram em
bancos escolares ?
Foram estes indivíduos que formamos ?
Algo deu errado…
Algum ingrediente foi esquecido sobre a escrivaninha…
Algo se perdeu no recôncavo do livro fechado…
Palavras abraçadas ao quadro negro, viraram pó de giz…
Algum carinho deixamos de demonstrar-lhes…
Algum beijo perdido não foi sentido em suas frontezinhas suadas ou já
caras barbadas…
Talvez não.
Talvez não sejamos os culpados.
O homem é livre na escolha de seu caminho.
É provável que a ganância tenha predominado sobre o bom senso e o desejo
de poder suplantado a bondade.
E assim sendo, nos será difícil elucidar onde reside nestes governantes obtusos
os valores perenes da educação.

Obrigada. Marina da Silva Pazzini / Brusque.”

Momentos de reflexão
9 de julho de 2011

“Catarinenses, a educação está vivendo um momento mágico, quem esteve na Passarela, Nego Quirido em Florianópolis, em 06/07/11, pode detectar o que cito. Segundo Tânia Zagury o professor tem sido refém da má qualidade de ensino que ele próprio recebeu. Refém do tempo de que necessita, mas de que não dispõe. Refém das pressões internas que sofre do sistema. Refém da própria consciência, que lhe revela sua impotência. Refém dos alunos, que hoje o enfrentam em muitos casos. Refém da família, que perdeu a autoridade sobre os filhos. Refém da sociedade, que surpreende professores e gestores com medidas cautelares, mandados de segurança e processos, etc. Senhores algo necessita ser efetivado para que possamos reverter esse quadro que aí está. Vivemos em uma sociedade conduzida pelo modo de produção capitalista e nessa sociedade quer acreditemos quer não, somos avaliados, valorizados pelo salário que recebemos e não temos tido tempo de fazermos as grandes discussões que necessitam serem feitas no que tange a educação catarinense e brasileira. Aquele que deveria conduzi-la necessita trabalhar 100 horas por semana para receber um salário de fome. Por favor, senhores que conduzem a mídia nos respeitem e procurem ter empatia e entender esse movimento que hora ocorre em nosso estado e vários estados da federação brasileira. NÃO FIQUEM CONTRA O NOSSO MOVIMENTO, pois este ocorre agora, porque as coisas chegaram ao fundo do poço. Na natureza no universo, as coisas somente se revertem quando o caos é instalado. A este propósito é isso que vêm ocorrendo com a educação, por isso merecemos respeito e necessitamos que outros segmentos da sociedade, inclusive a mídia nos auxiliem para que possamos reverter esse quadro. O Senhor secretário de Estado da pasta da Educação provavelmente nunca esteve em uma sala de aula e não possui conhecimento de causa para amenizar o problema, idem no que se refere ao Senhor Governador. A mídia nacional não acha interessante discutir educação, tem perdido esse ciclo virtuoso que vêm se sucedendo, deixando muitos brasileiros desinformados sobre o que vêm ocorrendo em outros estados da federação no que tange a esses movimentos. Podem estar certos de que todos pagarão um auto-preço, por isso, quando ficar mais sedimentado que não temos condições de concorrer com mais nenhum país no que tange a produção de produtos tecnológicos com valores agregados vislumbrando a geração de riquezas. Catarinenses, no que tange a reposição a responsabilidade se os alunos estão sem aula é do patrão do dono do capital e não dos professores. Até quando essa massa de senso comum que pertence à educação vai permitir ser explorada por esses governantes corruptos. Julio César Silveira.”

A solidariedade dos estudantes
9 de julho de 2011

“Moacir, você pode postar esse artigo dos estudantes de Schroeder, sou professor deles e estive acampado na Sec. Ed. e estava ao lado de você quando deste aquela magnifica entrevista aos professores acampados.
Obrigado professor Lucimar.
Nós tambem temos voz!

Está na hora de parar pra escutar o que nós, alunos temos a dizer.
Desabafo de alunos da rede Estadual de ensino de Santa Catarina
2º artigo:

Queremos parabenizar o governo por quase alcançar seu objetivo esse ano: Vencer nossos professores pelo cansaço.
E agora? Sem seus direitos respeitados, eles voltarão à sala de aula derrotados, desgastados e sem estímulo.
E aí começam a se perguntar: será que vale a pena?
Nós estamos perdendo nossos professores, ninguém mais quer trabalhar como professor.
Apesar do amor pela profissão, todos querem uma vida digna, e por isso tantos desistem.
Ninguem vai à luta, estuda, passa anos na faculdade, para ser desmerecido depois.
Nós perguntamos: Por que as leis são criadas, se não são cumpridas?
Como esperam que nós cumpramos as leis, que façamos o que é certo, se os exemplos que nos são mostrados por nossos governantes são o oposto disso?
Parem de fugir do cumprimento da lei, parem de procurar motivos para não fazer o que deve ser feito!
Como esperam que o IDEB cresca, se não existe estrutura, nem motivação para que isso aconteça?
O governo se esconde atrás da desculpa de que não há dotação orçamentária para pagar o que é justo, e
proporcionar ambiente adequado de ensino.
Sabemos que há, sim, condições de pagar o que é justo, mas esse dinheiro é gasto em finalidades questionáveis.
O Fundeb é o dinheiro que deveria ser direcionado exclusivamente à educação, não deveria entrar na base geral de cálculo, mas o governo insiste em colocar. Assim, o dinheiro da nossa educação é gasto em “asfalto”.
E de que nos adiantará um país “rico” em infraestrutura e pobre em educação e cultura?
Será que é porque precisam de mão de obra barata?
Aqui colocamos nossa voz: Não queremos ser mão de obra barata, não seremos massa de manobra fácil!
Estamos juntos na luta de nossos mestres pois acreditamos na nossa força. Somos da Escola de Educação Básica Miguel Couto de Schroeder – Artigo escrito por Maykon Vincenzi Milan, Alexsandra Soares e Betina Kafer.”

Indignado diz:
9 de julho de 2011 às 1:35 am
Moacir, sei que o titulo de sua Noticia não pede esse comentário, mas vendo as besteiras que esse governinho vem noticiando e sabendo que os professores sempre veem as últimas noticias, gostaria de postar a minha ideia de carta a ser encaminhada aos Colégios, Gered’s e ao Governo do Estado.

COMUNICADO

Considerando que a Greve do Magistério Público Estadual atingiu um patamar em que os profissionais do Magistério encontram-se desgastados e cansados;
Considerando que após um período superior a trinta dias nossos educandos ficaram sem aulas;
Considerando a vontade de professores retornarem às salas de aula por julgarem-se responsáveis pela formação acadêmica de seus alunos.
Os professores da EEB………………………., RESOLVEM, retornar as aulas, porém em ESTADO DE GREVE, fato este que pode culminar no retorno da classe a PARALIZAÇÃO, SEM PRÉVIO AVISO, visto que o Sindicato da categoria continuará em Greve enquanto o Governo do Estado não cumprir efetivamente a Lei do PISO NA CARREIRA e demais reivindicações.

Somos FAVORÁVEIS a reposição das aulas, DESDE QUE:
• O governo do Estado pague antecipadamente os valores subtraídos dos salários dos grevistas referente aos meses de Maio e Junho de 2011;
• Apresente uma proposta concreta (escrita) do calendário da composição do PISO na carreira; e
• Atenda todos os demais itens da pauta de reivindicações do Sinte.
Assinam os Professores.
Abraços Fraternos



Internauta: Merísio para governador
24 de junho de 2011

“Prezado Moacir:

Acompanho diariamente seu blog e em função da minha atividade profissional, percorro semanalmente várias regiões de Santa Catarina. Tenho acompanhado a greve dos professores e a total paralisia do governo do Estado. Cheguei a conclusão de que realmente estamos muito mal. E digo isso, consciente de também ter sido enganado por aquele discurso de que “Santa Catarina tem pressa”! Se tem pressa, porque está tudo parado? E votei no Colombo, achando que ele realmente iria colocar as pessoas em primeiro lugar. E realmente colocou: em primeiro lugar as pessoas que financiaram a campanha dele! Estão todos empregadinhos!
Nesse sentido e em função de que o único cara que está fazendo alguma coisa nesse governo é o Presidente da Assembléia, gostaria de propor que o Sr. Governador meditasse neste final de semana e renunciasse ao cargo na próxima segunda.
Ele não faz absolutamente nada, não existem projetos neste governo e ainda quando toma uma atitude, o Merisio tem que correr atrás para corrigir os erros que o Colombo comete. Não conheço o Presidente da Assembléia, ma já vi que se trata de uma pessoa de atitude e de ações! Se ele teve que ligar para o Colombo para pedir que retirasse a ação da justiça contra a greve dos professores e que não descontasse os dias parados, mostra que no mínimo é bem intencionado. Então, para que o Colombo não venha a cometer mais vexames, peço encarecidamente ao Governador que pense bem na minha proposta, porque a única coisa que ele fez até agora, foi criar barriga! Está ficando obeso no governo e os professores morrendo de fome!
Senhor Governador! Entendo que o Sr. já começou o governo com essa cara de cansado, que não tem Secretário da Casa Civil e nem conselheiros, porque se tivesse não estaria fazendo tanta besteira! Então renuncie junto com o Eduardo, que pegou uma carona em barco furado e deixe o Merisio completar o governo. Pelo menos ele parece ter vontade de fazer alguma coisa e ter bom senso, coisas que estão lhe faltando ultimamente.
Vai cuidar das suas vacas em Lages, porque das pessoas, já deu para ver que Vossa Excelência não entende nada!
E Moacir, gostaria de saber porque nenhum instituto está fazendo pesquisas sobre a aprovação do governo neste momento? Será medo dos arrependidos como eu, que nunca mais votarão nesse cidadão de fala mansa, que prometeu secretariado técnico e encheu o governo de politiqueiros? Deve ser por alguma razão assim… quem sabe…
Obrigado pelo espaço de desabafo de mais um catarinense enganado!
Um grande abraço e continue com esse seu jornalismo de excelência.
Cordialmente. Edgar Souto, Florianópolis.”

Carta ao governador
24 de junho de 2011

Circulando na internet esta carta enviada ao governador Raimundo Colombo:
“Excelentíssimo Sr. Governador Raimundo Colombo

Venho mui respeitosamente, por meio deste, tomar a liberdade de sugerir que Vossa Excelência possa ter o bom senso e a coragem de optar por NÃO DESTRUIR o que ainda sobra da Educação do estado. A população catarinense, incluindo seu eleitorado, tem conhecimento da real, triste e massacrante situação/problema que os professores do Estado de Santa Catarina estão vivendo, e estão do nosso lado. Sei que o Excelentíssimo Sr. Governador tem o bom senso, o discernimento e o bom caráter que são próprios de seu cargo para avaliar os estragos e descasos que a Educação Catarinense está passando, o Senhor falou sobre isso em sua campanha. E sei também que, junto a isso, o Senhor tem o dever de cumprir a Lei Federal 11.738, respeitando o Plano de Carreira (Arts 206 e 28 das Constituições Federal e Estadual respectivamente). Dever este que já não é somente para com os Servidores da Educação do Estado, esse dever é para com toda a sociedade Catarinense que ainda acredita que o Sr. Governador irá cumprir suas promessas de campanha priorizando não somente a educação, como a saúde e a segurança. Mas ainda acredita porque tem fé e não porque o Senhor mostrou. Seu mandato ainda é curto, mas as pessoas já estão descrentes. Não vale a pena decepcionar seu eleitorado assim, logo no início. Diante de uma resposta positiva a causa do Magistério, mudando o cenário da Educação Catarinense, o Sr. Governador poderá ter seu eleitorado de volta. Só depende do Senhor.

Como Vossa Excelência pôde observar anteriormente, a aplicação do Piso Nacional e o respeito ao Plano de Carreira são Leis. Como representante do nosso querido povo catarinense, o Excelentíssimo Sr. Governador tem o dever de dar o exemplo, cumprindo a Lei ou mostrando a toda a sociedade catarinense todos os dados e números reais que o impedem de cumprir a Lei. Diante de tantas denúncias, tantos relatos e tantos pedidos desesperados de pais, professores e alunos, o Governador já conhece um pouco da realidade da Educação Catarinense. Com tantas simulações nas folhas de pagamento, também já conhece a realidade financeira de seus professores. Agora nós queremos e precisamos conhecer a realidade financeira do Estado, “tim-tim por tim-tim”.. Assim, ambos os lados conhecendo ambas as realidades, as negociações podem ficar mais claras e mais calmas. O que o Senhor acha? Quem sabe um prazo maior para o cumprimento integral da Lei? Os professores negociam prazos sim, porém sem que altere a tabela proposta pelo MEC e sem que nos retire ou diminua benefícios já conquistados com muita luta, pois esta é a Lei. Não se negocia o inegociável.

Por fim, tomo também a liberdade de lembrá-lo que nós o colocamos aí, em seu cargo, e somos aproximadamente 65 mil professores em Santa Catarina, sem contar muitos de outras categorias que estão solidários a nosso movimento e conhecem a real situação/problema que estamos enfrentando. São muitas simpatias/antipatias que Vossa Excelência pode ganhar ou perder, dependendo de sua posição. Cabe-me ainda esclarecer que não só o futuro da Educação pode estar em suas mãos, mas o futuro de toda uma nova geração que não mais confiará em seus governantes. Dependendo de sua posição, a greve poderá continuar por longo tempo e, assim, serão milhares de crianças sem aulas, de pais desesperados sem ter onde deixar suas crianças, de professores decepcionados sem saber como será seu futuro com um salário tão ínfimo e vergonhoso (salário este que, por Lei, já deveria ter melhorado há muito tempo), entre tantos outros problemas. Tenho a honra de encaminhar meu sincero pedido: que Vossa Excelência, tenha a consciência de nos trazer um pouco de conforto cumprindo a Lei, para que não percamos o pouco de dignidade que ainda nos resta. Não queremos ouvir falar em “teto”, pois há muito estamos ao relento, dormindo sem um pingo de dignidade, sentindo frio até mesmo nas noites de verão, pois um gélido desrespeito e uma nevasca de desvalorização sempre estiveram presentes. Peço, com todo respeito, para que o Excelentíssimo Sr. Governador cumpra a Lei respeitando o Plano de Carreira. Professores de volta a sala de aula, só depende do Senhor.

Depositei confiança em Vossa Excelência ao votar no Senhor. E o respeitei colocando-o aí. Por isso, tomo a liberdade de pedir para que honre seu cargo, respeite-me também e cumpra a Lei.

“No final, nossa sociedade será definida não somente pelo que criamos, mas pelo que nos recusamos a destruir. A escolha é sua!” (John Sowhillthe).
Aguardo resposta, obrigada!
Analu Burigo Haushahn, Assistente Técnico Pedagógico – E.E. B. Simão José Hess.”

O Fundeb e os poderes
24 de junho de 2011

Está havendo muita confusão, desinformação e equivocada interpretação sobre os recursos do Fundeb e sua destinação em Santa Catarina. As decisões do Tribunal de Justiça, tomadas esta manhã, causaram conclusões apressadas e erradas. Vejamos:
1. Os recursos do Fundeb repassados pelo governo federal para Santa Catarina são aplicados EXCLUSIVAMENTE na educação. Ninguém tem mais dúvidas sobre isso;
2. Estes recursos são contabilizados pela Secretaria da Fazenda para definição do total da renda líquida do Estado. Se não forem totalizados,a repartição fica menor. A Justiça terá menos 140 milhões, o Tribuanl de Contas menos 26 milhões, o Ministério Público menos 60 milhões, a Assembléia perderá 70 milhões e a Udesc menos 30 miilhões de reais. Mas, havendo o corte, este total não vai obrigatoriamente para a educação. Fica no caixa único do Tesouro para o Executivo definir sua aplicação.
3. Está claríssimo, portanto, que os recursos do Fundeb não vão para os Poderes. A contabilização é que eleva as transferências orçamentárias.
Tribunal de Justiça e Ministério Público já enfatizaram que não podem abrir mão destes recursos. Eles integram o orçamento anual e estão comprometidos com os programas em andamento. Dos poderes, apenas a Assembléia Legislativa admitiu ficar sem os recursos provenientes dessa soma na receita líquida.

Resposta à “Carta ao Povo Catarinense”
24 de junho de 2011

“Olá, Moacir.
Na “Carta ao Povo Catarinense” aparece uma frase que me deixa entristecido: “Porém, a cada pedido atendido, novas exigências eram feitas.” A carta inteira é uma vergonha, mas vou poupá-lo de adjetivos já utilizados por meus colegas frustrados, mas essa frase supracitada é particularmente complicada.
Primeiro, porque não eram meros pedidos. Pedidos eram os de que se olhasse para o telhado de nossa escola, de que a biblioteca não fosse sucateada e de que os computadores da sala de informática fossem mais do que caixas de fósforo com coolers… O que temos nessa greve é mais que um pedido: é a exigência de que se cumpra uma lei federal aprovada em 2008 e confirmada em 2011.

Segundo, porque nenhuma reivindicação foi “atendida”, caso contrário, é óbvio, estaríamos em sala de aula. Ou será que algum de nós curte o desgaste, a pressão, as críticas, a incerteza e o corte de salário???

E, terceiro, porque jamais fizemos novas exigências. Essa parte é terrível, é injusta, é caluniadora. Queríamos o piso, sim, mas não precisávamos explicar que era na carreira, imagino. Se ao pedirmos a aplicação do piso na carreira fizemos parecer que era uma “nova exigência”, então acho que o atual governador não está tão preparado para exercer este cargo. Meus alunos de ensino médio compreenderiam facilmente após uma simples explicação.

Agora, dizer para toda a sociedade catarinense que nós somos pedinchões insaciáveis e irredutíveis é humilhante demais. E pior: é mentira. É simplesmente mentira, não é o que aconteceu. É uma inverdade, dita como se fosse verdade, em escala estadual, paga pelos nossos bolsos contribuintes e contra nós mesmos. Nós não pedimos, exigimos (sem arrogância). Não fomos atendidos, fomos enrolados. Não eram coisas novas (quem dera…), eram as mesmas de sempre: cumpra a Lei, senhor governador. Ajude-nos a voltar à sala de aula! Ah, e “em nome do direito das crianças catarinenses”, não deixe nossas escolas caindo aos pedaços. Elas têm o direito à segurança e salubridade também!

Não caluniamos o governo ao pedir o que é direito! É culpa nossa que o Estado “não tenha” dinheiro? Pergunte a qualquer empregador privado o que acontece se na data do reajuste dos seus funcionários ele não tem dinheiro… O nosso direito equivaleria a 109 milhões a mais no orçamento. Estamos pedindo algo em torno de 38 milhões.. Ou seja, a nossa “nova exigência”, nossa “irredutibilidade” não chega a 40% do que nós mereceríamos POR LEI… Precisamos realmente ser tão difamados na mídia por pedir essa migalha? Nós educamos o futuro de Santa Catarina! Um pouco de dignidade seria “transparência, diálogo e, acima de tudo, respeito ao professor”.
Obrigado pela atenção, Prof. Diego Bissigo,EEB Teófilo Nolasco de Almeida – Benedito Novo”

Marta Vanelli:”MP traz economia”
24 de junho de 2011

A ex-presidente do Sinte, professora Marta Vanelli, fez os seguintes comentários no twitter:

“Pela nova MP as aulas excedentes passam de 5% para 1,5%. A venda da licença prêmio com valor de 80% e não mais integral.”

“As gratificações dos cargos comissionados não serão mais sobre o 12 A mas sobre o 8 B.”

“Creio que o Governador vai arrecadar mais dinheiro com esta proposta.”

“Espero que os cargos comissionados façam greve agora, eles vão perder R$ 400,00 por mês na gratificação.”

“As gratificações do pessoal da GERED e FCEE tambem vai baixar”

“A gratificação dos assistentes de educação tambem vai diminuir 133,00. ETA ECONOMIA DANADA.”

“ETA ECONOMIA DANADA QUE O GOVERNO FAZ COM ESTA MP.”

ProfessoraRose diz:
24 de junho de 2011 às 2:10 pm
Ouçam nossos alunos:

Caros Senhores!

Somos alunos da rede Estadual de ensino de Santa Catarina e pedimos que nos ouçam por um instante.
Todos observam calados os professores reclamando seus direitos, e os governantes dando desculpas para não pagar o que é justo e previsto por lei. Enquanto essa trama se enrola, nós alunos somos jogados de um lado para o outro, colocados em último plano.
Somos a favor da luta pelos direitos de nossos mestres, mas um protesto de forma organizada que trará resultados. Nos decepciona sentir nossos professores desanimados, sem estímulo, sendo sugados e desvalorizados. Mas, a nossa maior decepção é ver alguns professores, profissionais considerados brilhantes, tomando atitudes desrespeitosas, constrangedoras e sem efeito para a causa. Todos os profissionais da educação sofrem com o descaso, porém na hora da luta muitos se sentem pressionados, amedrontados e até ameaçados, outros se acovardam e não apoiam a categoria por motivos banais.
Todos os dias vamos para a escola sem saber se teremos alguma aula. Pois alguns professores entram e saem da greve do dia para a noite, e a direção não consegue se organizar em meio a tudo isso.
Temos nojo dessa politicagem barata e a repudiamos . Homens e mulheres eleitos que não valorizam os professores da rede pública não tem seus filhos estudando em escolas públicas, se tivessem saberiam o que nós passamos. Nossos pais se revoltam com a situação, nossa vida familiar também é prejudicada.
Pedimos as autoridades que nos respeitem! Parem de repetir que nós, jovens, somos o futuro. Não coloquem sobre nossos ombros tamanha responsabilidade. Nós somos o presente, estamos vivendo e precisamos disso hoje. E a responsabilidade é de vocês, afinal foram eleitos para esta finalidade, inclusive com a ajuda de nossos votos.
Viemos, por meio deste, pedir que descruzem os braços e tomem uma atitude, e que esta seja nobre.
Se vocês acham que nós somos o futuro, façam o que é justo. Pois o futuro é consequência de suas atitudes agora.

http://alunossc.blogspot.com/

Odair Neitzel diz:
23 de junho de 2011 às 8:37 am
Ha algum tempo , Cazuza escreveu essa música. Parece que a história se repete. É preciso quebrar com esse ciclo.

Ideologia

Meu partido
É um coração partido
E as ilusões
Estão todas perdidas
Os meus sonhos
Foram todos vendidos
Tão barato
Que eu nem acredito
Ah! eu nem acredito…
Que aquele garoto
Que ia mudar o mundo
Mudar o mundo
Frequenta agora
As festas do “Grand Monde”…(SDR?)
Meus heróis
Morreram de overdose
Meus inimigos
Estão no poder
Ideologia! (Cargo comissionado?)
Eu quero uma pra viver
Ideologia!
Eu quero uma pra viver…


Eu vou pagar
A conta do analista
Pra nunca mais
Ter que saber
Quem eu sou(professor)
Ah! saber quem eu sou..
Pois aquele garoto
Que ia mudar o mundo(Aluno)
Mudar o mundo
Agora assiste a tudo
Em cima do muro
Em cima do muro..

Cazuza

juliana scoss diz:
23 de junho de 2011 às 9:34 am
Caros colegas,

Ontem soube que muita gente ficou no movimento, que o movimento está forte, soube que muitos colegas, inclusive diretores, estavam indignados com a folha que foi rodada pela SED. Convidei gente que não estava na greve e obtive repostas positivas, porém vi alguns professores voltando para as salas de aula de cabeça baixa. Então pensei nessa letra do Raul Seixas:

Nunca se vence uma guerra lutando sozinho
Cê sabe que a gente precisa entrar em contato
Com toda essa força contida e que vive guardada
O eco de suas palavras não repercutem em nada

É sempre mais fácil achar que a culpa é do outro
Evita o aperto de mão de um possível aliado, é…
Convence as paredes do quarto, e dorme tranqüilo
Sabendo no fundo do peito que não era nada daquilo

Coragem, coragem, se o que você quer é aquilo que pensa e faz
Coragem, coragem, eu sei que você pode mais

Beatriz Andreolli diz:
23 de junho de 2011 às 2:50 pm
Boa tarde Moacir.

Somente agora consegui acessar seu blog.

Mas por um motivo muito especial, pois como eu faço a muitos e muitos anos, levanto bem cedinho, para enfeitar as ruas da cidade para a procissão de Corpus Cristi, lá estava varios professores, alunos, pais, idosos….. ajoelhada no chão construindo a minha obra de arte para que em seguida através do Padre Jesus Cristo iria em procissão, abençoando o povo. Pedi muito a Deus que ilumine a todos, todos os professores que não desanimem que o momento é de muita união e aos que pensam em voltar façam uma refleção de tudo o que está acontecendo , aos dirigentes do Sinte muita tranquilidade e serenidade, ao Governo que olhe com carinho para os professores. E a vc Moacir que Deus lhe de muita saúde e sabedoria em sua palavras.

E que tão logo podemos estar ouvindo:
o barrulho do lápis cair no chão,
prof. vc empresta a borracha,
ja está na hora do lanche,
estou com fome,
profe. conta uma história,
não fiz o tema,
profe eu fiz o tema minha mãe me ajudou,
profe eu já sei ler algumas palavras,
profe olha minha letra que bonita,
a felicidade quando já sabem ler,
o barrulho das mochilas ao ir embora,
etc, etc,……………………

Um Senhor Poema: “Por um grande amor”
25 de junho de 2011

“Prezado Moacir!
Estou hoje aos 31 anos. Há 12 anos sou professor. Nos meus 18 anos escrevi esse poema com um sentimento explosivo pelos meus alunos da antiga Escola Básica Nova Geração, fundada pela saudosa ex-prefeita de Taió, Senhora Erna Heidrich. Reutilizei ontem este poema ao findar um artigo científico que estou fazendo para a conclusão de mais uma pós-graduação na área de língua inglesa cuja monografia se intitula: “É brincando que a gente se entende – A importância dos jogos lúdicos nas aulas de língua estrangeira”. Durante a redação de mais este texto, procurei me desvincular das notícias da greve para manter viva a chama que tenho dentro de mim e que me move a acreditar que o melhor está por vir. Estou firme no movimento. Preciso honrar a vida de sacrifício de meu pai e de minha mãe que abriram mão de tudo em suas vidas para que eu tivesse a minha digna. Acredito no bem. Acredito que Deus agirá em favor dos mais oprimidos. Segue o simples poema, por fim:

Por um grande amor

Quando me falta o riso, vejo em ti a graça
Quando me falta a vontade, vejo em ti a missão
Quando sopra forte a tempestade, és farol a guiar-me
Quando digo que não quero, és vontade, desafio
E se machucam-me as asas, arrasta-me tu até as alturas
Voando, atravessando o vento, almejando-te , mesmo lento…

Se nos corrompem, sou grito silencioso
Pois ainda é tempo, de calar-se, omitir-se, esconder-se no medo

Quando canso, és vida nova
Quando choro, és o alento
Quando duvido, temo e receio, como a certeza absoluta tu és o mandamento
Quando oro, estás nas palavras
E se há um Deus, este é prova
De um amor mágico , coelho e cartola

Se de nós riem, sou palhaço
Faço contigo, da escola, um picadeiro
E de vermelho, pinto nosso nariz…

Quando sou silêncio, és doce melodia
E na melancolia, és alegria
Contagiante, diferente , simplesmente fascinante

Quando trancam-me as portas, és chave
E quando amordaçam-me a boca, és minha alma a gritar
Se nos contestam, és a prova, a testemunha
E eu, um advogado
Totalmente apaixonado

Quando impõem-nos os modismos, somos árvores
De profundas e fortes raízes
Que suportam, que alimentam, que esperam
Das profundezas das teorias
O alimento, a terra sadia

Se de mim têm dó, somente rio
Sim senhor, sou professor
Amante da educação
Meus alunos, minha vida, uma missão.

Escrito em 1998, em meu início de carreira.
Sidnei Werner Woelfer – Taió/SC
Professor pós-graduado em Letras – Português/Inglês/Espanhol

A promoção automática e o caos na educação
25 de junho de 2011

“Eis aqui algo que tem me deixado bastante desmotivada ao desenvolver meu trabalho como professora ACT das séries iniciais:
1- Não temos livros em número suficiente para que cada aluno tenha o seu e muito menos para que possa levar para casa como fonte de pesquisa de trabalhos e tarefas, pois ainda é preciso dividir com a turma do outro turno. Mas o professor está acostumado a se arranjar, vai a internet, busca outros livros, pesquisa o assunto, resume e passa pro aluno NO QUADRO (viva as cotas de Xerox) o que atrasa toda sua aula porque o tempo gasto para copiar já poderia estar sendo usado para debater, explicar o conteúdo, realizar atividades;
2- As salas de aula carecem de todo tipo de recurso: jogos para trabalhar matemática, português, geografia, não há NADA de lúdico! Mapas atualizados, recursos visuais, Tv, Dvd, aparelho de som para cada uma: NADA! Sendo que seria o mínimo que o estado deveria nos oferecer para termos condições de dar uma aula diferenciada e de qualidade. Assim, é preciso agendar aulas na sala de vídeo semanas antes, o que acaba frustrando nossas iniciativas, pois apesar de sempre termos nosso planejamento semanal, às vezes surge algo inesperado, um assunto novo na mídia ou achamos um vídeo que fala daquilo que estamos trabalhando …ah não tem mais horário. Quando queremos colocar uma música e solicitamos o aparelho de som na secretaria, dos 3 que tem, só 1 funciona. É assim que querem qualidade no ensino público? Sem comentar que não veio nem sequer um só lápis para dar as crianças e quem trabalha em áreas carentes sabe das necessidades.
3-O SISTEMA DE 9 ANOS- Eis para mim o CAOS TOTAL. Crianças de 6 anos em carteiras impróprias para seu tamanho, não há parques para brincarem, nem material lúdico para alfabetização. A impressão que fica é a de que o estado apenas TIROU AS CRIANÇAS DO ANTIGO PRÉ E AS “JOGOU” NA ESCOLA DE ENS.FUNDAMENTAL. Eu vi o sofrimento delas com as carteiras desconfortáveis o ano passado inteiro e pedia sempre para a direção ligar pra SED e pedir mesinhas, mas lá davam sempre a mesma resposta: não tem! Absurdo!
Mas além da falta de estrutura, há um problema maior ainda: A APROVAÇÃO AUTOMÁTICA. Em minha opinião, foi a pior coisa que já inventaram, não que eu ache legal reprovar uma criança, mas há casos em que isto é NECESSÁRIO. Neste novo sistema, a criança NÃO reprova no 1◦ ano, nem no 2◦ ano, nem no 4◦, e no 5◦ não sei até agora. Então o que vem ocorrendo é que muitas crianças estão chegando analfabetas ao 3◦ano, onde é permitido reprovar se não se apropriarem da leitura e escrita.Sinceramente neste ponto a defasagem já é enorme e fica muito complicado para um único professor dar conta de alfabetizar e ao mesmo tempo tocar o conteúdo próprio daquele ano com as outras crianças. Isso é uma tarefa árdua, exaustiva que exige do professor se virar em dois para dar conta do recado. Eu por exemplo vivo este dilema com um 4◦ ano onde tenho quem não lê nem escreve e mais alguns que são semi-analfabetos, escrevem e lêem muito mal, não sabem operações matemáticas básicas e cuja interpretação do que estão lendo então… Esse sistema de fato não está dando certo. A defasagem é enorme.
No tempo em que freqüentei o primário (1989 a 92) nenhuma criança saia da primeira série sem saber ler e escrever, na terceira então, tabuada na ponta da língua. Sempre fui muito exigida pelos meus professores e nessa época REPROVAVA SIM. Era nota de 0 a 10 e ponto final. Hoje estamos “modernos” com as tais AVALIAÇÕES DESCRITIVAS onde um dos fatores positivos é de permitir ao professor uma visão mais ampla do desempenho escolar do aluno, dos detalhes da aprendizagem de cada um. O aluno não é mais, apenas um número. Porém, nesta avaliação descritiva, o professor passa dias analisando aspectos de cada disciplina para ver se o aluno atingiu o objetivo, ou seja, se ele se apropriou do conteúdo trabalhado. Daí passa tudo para uma tabela onde marca x de acordo com o resultado Atingiu (A), atingiu parcialmente (AP) ou não atingiu (NA) e no fim do ano, mesmo o aluno que não atingiu o mínimo esperado será APROVADO. Então pergunto: Para que a SED nos exige tão árduo trabalho, se ao final do ano NÓS, professores, NÃO seremos soberanos em nossa decisão de Aprovar ou Reprovar??? A SED sabe mais do que eu , professora que passou o ano inteiro com o aluno, fez seu trabalho, exigiu, chamou os pais, conversou, alertou, explicou, revisou, porém não obteve melhora no desempenho da criança??? Nós educadores, fazemos de tudo e mais um pouco pelo aluno que não está atingindo os objetivos propostos em sala, por aquele que se mostra desinteressado pelos estudos; pois sempre insistimos com ele, recuperamos os conteúdos, refazemos atividades e provas, e muito mais.
Não dispomos de todos os recursos para tornarmos a aprendizagem mais significativa e interessante, pois isso depende de investimentos do estado em materiais que já citei acima. Além disso, precisaríamos 2 profissionais por turma nas séries iniciais,especialmente 1◦ e 2◦ano, um PROFESSOR REGENTE MAIS UMA AUXILIAR para assim dar conta daqueles que apresentam maiores dificuldades,mas isso gera gastos (3,4, 5 diretores numa única escola não!) Sem falar que há muitos casos de crianças com atrasos mentais leves ou traumas psicológicos que interferem na aprendizagem e que isso não lhes dá direito ao segundo professor. E assim a coisa caminha sem mudança e sem resultados positivos para essas crianças. Nós sabemos perfeitamente que há mais coisas que fogem ao nosso controle. Há outras que dependem também da cobrança da família e da presença desta na vida escolar dos filhos. Há casos em que o aluno vem 2 dias e falta 3 na semana…o professor não opera milagres. Assim, ás vezes nossos esforços não são suficientes para recuperar a defasagem de um aluno e É NECESSÁRIO REPROVAR SIM. Passar o problema a diante não resolve nada, a criança sofre ainda mais porque não consegue acompanhar os demais colegas e se sente excluída. É devido a essa política do “empurra pra série seguinte” que alunos estão chegando às séries finais lendo e escrevendo pessimamente mal. Porém, é preciso considerar que o REPROVAR para EXCLUIR é péssimo, inadequado, injusto e inútil. É preciso haver todo um trabalho em torno deste aluno para que seja atendido mais de perto em suas necessidades no ano seguinte. Assim, gostaria de saber o que pensam os mais experientes, já que estou apenas 8 anos em sala. Como estão vendo esse novo sistema dos 9 anos? Corrijam-me no que eu estiver errada, mas é meu desabafo, minha angústia. Abraços! Margot Schütz Kammers.”

O Brasil precisa de mão de obra no chão de fábrica, que não questione, que possa ser ensinada só no que precisa aprender para o seu setor. Para as profissões de engenharia, por exemplo, deixe que os americanos já perceberam que o Brasil tem necessidade desses profissionais e estão aprendendo o Português. E melhor que muito brasileiro.

Isso sim é vender o Brasil. Temos uma geração que não qur estudar, qualquer coisa é muito difícil. Não entendem que a vida adulta é diferente da vida escolar com promoção automática.

Bem, como podes ver, caro Amigo, a cada dia se apresentam novas facetas (uma mais decadente que a outra), da Educação (???) Catarinense. E isso que deve te assombrar, Moacir e sociedade leitora deste MARAVILHOSO bolg, é realidade nossa, do dia a dia, da vivência (normal) de nossa Educação(???).
E isso porque essa amiga, que relata que esse “avanço progressivo”, não cita que o mesmo aconteceu em 2009 com as 5° Série, vai acontecer em 2011 com as 6°, em 2012 com a 7° e em 2013 com as 8° séries, ou seja os alunos que frequentaram a 5° série em 2009 NÃO REPROVARÃO até 2013 (só basta não abandonar as escolas). estão AUTOMATICAMENTE aprovados para o Ensino Médio em 2014. ACREDITEM.

Bem, ainda não acabou. A amiga não relata que as escola só não estão piores porque nós TOLOS Professores “TAPAMOS” os burados do descaso Governamental com FESTAS JUNINAS, BINGOS, TAXAS DE MATRÍCULA (EXPONTÂNEAS),etc… com a finalidade de arrecadar fundos para pequenos (DIÁRIOS) reparos, compra de ventiladores, material de limpeza,material de expediente, etc…

Bem essas são as realidades de nossas escolas, que com essa greve, vão se mostrando, se “escancarando” à sociedade Catarinense.

Agora pergunto-me: Será que o pessoal dos outros Poderes tambem fazem Festinhas para arrecadar fundos??? Resposta: É claro que não. Isso não faz parte de “suas atribuições(e estão coretos).
BEM SE O JUDICIÁRIO DIZ QUE NÃO ABRE MÃO DE SEUS RECURSOS A EDUCAÇÃO SÓ PEDE QUE SE APLIQUE O QUE É SEU DE DIREITO: 25% APLICADO NA EDUCAÇÃO, CONTA EXCLUSIVA (COMO MANDA A LEI JUDICIÁRIO) PARA REPASSE DO FUNDEB, e I N V E S T I M E N T O NA EDUCAÇÃO DE NOSSO ESTADO.

Desculpe o desabavo Moacir!

Um abraço - Klayton Robert

Sessão da Assembléia
25 de junho de 2011

“Deu nojo ver alguns deputados falarem, na última terça-feira na audiência pública, que não adianta fazer um discurso “FÁCIL” a favor da greve só para agradar aos professores… pois o governo não tem dinheiro (fala do Dep. Motta).
Se eu tivesse conseguido me inscrever para falar eu teria dito:
a) fácil foi “canetear” as aposentadorias (por invalidez) da ALESC;
b) fácil foi desviar a grana do FUNDEB para lugares obscuros;
c) fácil é a jornada de trabalho de um deputado ( 03 dias por semana, com direito à motorista particular e máquina de café expresso no seu gabinete);
d) fácil é ganhar R$ 32.000,00 sem ter chegado à universidade;
e) fácil é ganhar um vale alimentação maior que o salário mínimo;
f) fácil é votar o aumento do próprio salário… etc etc etc
g) fácil foi desobedecer ao Supremo Tribunal Federal dizendo que é responsabilidade fiscal;
h) fácil foi passar a mão na regência do professor e ainda dizer que professor sempre quer mais…
ENFIM, DIFÍCIL É SER PROFESSOR EM SANTA CATARINA, GANHAR MAL E MENDIGAR O CUMPRIMENTO DE UMA LEI FEDERAL…
PARECE PIADA , PORÉM É A PURA VERDADE!
POR ISTO, A GREVE CONTINUAAAAAAA!!! FIRME E FORTE, BATENDO NA LINHA DE CINTURA DO (DES)governo DA “tripa-aliança pmdb, psdb e (pfl/dem/psd)a CAMUFLAGEM do senhor joão raimundo colombo.”…AUDITORIA FEDERAL JÁ!!!>>>>>>>”CADÊ A VERBA FEDERAL DO FUNDEB??? Marcelo Silva.”

“Anônimo” e “ninguém”
25 de junho de 2011

“Olá Povo Brasileiro, permitam-me introduzir-me a vocês como Anônimo . E apenas como Anônimo, pois não sou mais do que uma ideia, uma ideia de um mundo livre, sem opressão e pobreza e que não é comandada pela voz tirânica de um pequeno grupo de pessoas no poder. Um mundo onde o verdadeiro propósito e prioridade é viver em liberdade sem ser restringido por regimes corruptos e governados apenas pela sede de lucro e poder. Talvez você já tenha ouvido falar de mim.
O Anonymous gostaria de lembrá-los que o governo e o povo são, ao contrário do que dizem os supostos fundamentos da ‘democracia’, entidades distintas com objetivos e desejos conflitantes, às vezes. A posição do Anonymous é a de que, quando há um conflito de interesses entre o governo e as pessoas, é a vontade do povo que deve prevalecer. A única ameaça que a transparência oferece aos governos é a ameaça da capacidade de os governos agirem de uma forma que as pessoas discordariam, sem ter que arcar com as consequências democráticas e a responsabilização por tal comportamento.
Quando um governo é eleito, ele se diz ‘representante’ da nação que governa. Isso significa, essencialmente, que as ações de um governo não são as ações das pessoas do governo, mas que são ações tomadas em nome de cada cidadão daquele país. É inaceitável uma situação em que as pessoas estão, em muitos casos, totalmente não cientes do que está sendo dito e feito em seu nome — por trás de portas fechadas.
Nós não desejamos ameaçar o jeito de viver de ninguém. Nós não desejamos ditar nada a ninguém. Nós não desejamos aterrorizar sua população. Anonymous já esta e sempre esteve entre ela. Anonymous é a voz de cada oprimido sem rosto dentro deste país, nós estamos em todos os lugares, vocês nos vêem todos os dias, quando andam na rua observando vocês, observando os erros dos seus governantes e a corrupção crescer a cada dia.
Nós apenas queremos tirar o poder investido e dá-lo de volta ao povo — que, em uma democracia, nunca deveria ter perdido isso, em primeiro lugar.
O governo faz a lei. Isso não dá a eles o direito de violá-las. Anonymous vem observando a muito tempo a manipulação de informação largamente utilizada dentro do Brasil e chegou a hora de tomarmos uma atitude quanto a isso. Um governo sem transparência e um povo sem informação são os maiores perigos da democracia e o Brasil caminha cada vez mais para que esses dois perigos tirem ainda mais de sua população o pouco de liberdade que ela ainda tem. Chegou a hora de vocês conhecerem o poder que Anonymous tem. Nossa mensagem é simples e deve ser ouvida por todos os governantes deste país : não mintam para o povo e vocês não terão que se preocupar sobre suas mentiras serem expostas. Não façam acordos corruptos que vocês não terão que se preocupar sobre sua corrupção sendo desnudada. Não violem as regras e vocês não terão que se preocupar com os apuros que enfrentarão por causa disso. Vocês sabem que vocês não nos temem porque somos uma ameaça para a sociedade. Vocês nos temem porque nós somos uma ameaça à hierarquia estabelecida. O Anonymous vem provando que uma hierarquia não é necessária para se atingir o progresso — talvez o que vocês realmente temam em nós seja a percepção de sua própria irrelevância em uma era em que a dependência em vocês foi superada. Seu verdadeiro terror não está em um coletivo de ativistas, mas no fato de que vocês e tudo aquilo que vocês defendem, pelas mudanças e pelo avanço da tecnologia, são, agora, necessidades excedentes. Finalmente, não cometam o erro de desafiar o Anonymous.
Sua única chance de enfrentar o movimento que une todos nós é aceitá-lo. Esse não é mais o seu mundo. É nosso mundo — o mundo do povo. E o Anonymous é do povo. Este é um alerta aos Governantes deste país, nós estamos entre vocês e não permitiremos que a população continue a ser iludida, sem poder a mercê de vocês.
Me lembrou a história de Ulisses e o Polifeno, no conto da Odisséia. Onde ele fura o olho do que é maior (povo) enquanto o tal dorme (aceita passivamente), e ao ser indagado de quem o cegou (ameaça com demissão, descontos, punição), apresenta-se como “ninguém”, aí Polifeno grita aos quatro cantos do mundo que “Ninguém” furou o seu olho (Voltem para as salas de aula que estarão repetindo a história). Reflitam.
As. Parvinho”

“No caminho de Maiakóvski”
25 de junho de 2011

“Caro Moacir!

Aprecio tua postura profissional, sempre pautada em seriedade, imparcialidade, agilidade… Receba meu reconhecimento pela atenção que tem dedicado ao magistério nesta histórica jornada.
Pensando sobre os encaminhamentos e reviravoltas do nosso movimento grevista, ocorre-me trazer à reflexão um fragmento do belo poema de Eduardo Alves da Costa “No caminho com Maiakóvski”:

“(…)
Tu sabes,
conheces melhor do que eu
a velha história.
Na primeira noite eles se aproximam
e roubam uma flor
do nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na segunda noite, já não se escondem:
pisam as flores,
matam nosso cão,
e não dizemos nada.
Até que um dia,
o mais frágil deles
entra sozinho em nossa casa,
rouba-nos a luz, e,
conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.
E já não podemos dizer nada.
(…)
Dizem-nos que de nós emana o poder
mas sempre o temos contra nós.
(…)
Mas dentro de mim,
com a potência de um milhão de vozes,
o coração grita – MENTIRA!”

Há muito tempo estão roubando nossas flores, destruindo nossos jardins, matando nossos cães…
Eis que por vezes permitimos que nos silenciassem…
Mas agora basta! Chega de promessas, humilhação, desrespeito, descaso…
Cansamos! Desculpem-nos caros alunos, pais e mães! Todos nós estamos perdendo. Mas, creiam, é por uma boa causa. Obrigada pela compreensão!
Não estamos apenas preocupados com a questão salarial. Queremos, acima de tudo, que a educação seja tratada com o devido respeito.
Vou apresentar um reles exemplo de descaso: em nossa Escola temos um ginásio de esportes em construção há 18 anos (isso mesmo: 18 anos!) e as promessas de liberação de recursos para a conclusão da obra ainda não se concretizaram, de forma que recentemente o espaço foi interditado por oferecer riscos à segurança das nossas crianças e adolescentes.

Parabéns a todos os colegas que se permitiram abandonar a “caverna”, quebrar os grilhões, enfrentando os obstáculos de um caminho íngreme e difícil.
Que pena! Alguns não compreenderam o significado desse momento e optaram por permanecer na condição de espectadores.
Queremos virar esta página com a maior brevidade e, quem sabe, o tempo nos dirá que valeu à pena tanto sofrimento.
Quem sabe possamos comemorar nossa justa valorização profissional e ver a Educação ser tratada como prioridade, de fato, não apenas nos discursos e no papel.
Mary T. Rafaeli – Supervisora Escolar – EEF Prof. Edvino Huppes – Coronel Freitas- SC

E o humanismo?
25 de junho de 2011

“Olá Senhor Moacir Pereira, tudo bem? Espero que sim, como o Senhor falou em seu texto da coluna de quinta-feira, feriado de Corpus Christi, que o feriado ajudaria a construir uma saída honrosa tanto para grevistas (nós, os professores) como para o Governo. É desejo de todos nós, sou professora ACT desde 2003 na rede estadual de Santa Catarina, fui durante 1 ano professora ACT no estado do Rio Grande do Sul, sou mestre em literatura brasileira, e futura doutoranda em tradução da UFSC, li seu artigo sobre essa situação da greve que está acontecendo já por 37 dias e confesso que não está nada fácil, pois ao que tudo indica sou forçada, como muitos de meus colegas, a deixar de acreditar no valor que têm os seres humanos, porque eles deveriam ser o objetivo maior e mais importante que uma sociedade pode ter… vejo as atitudes que os próprios seres humanos tomam em relação aos outros seres humanos e me pergunto: cadê a discernimento humano, cadê a inteligência que Deus nos concede, cadê a razão e a essência humanas? Será que todas as outras coisas (principalmente, as materiais) têm mais valor do que um ser humano honrado e feliz através do trabalho que realiza na sociedade da qual faz parte ????? Por várias vezes nessas últimas duas semanas pensei em desistir dos meus ideais de educadora, mas não consigo, ainda creio que um milagre irá acontecer…e a solução para este impasse surgirá!
Parabenizo-lhe pelo seu profissionalismo e agradeço a DEUS pela sua vida, e que continues firme e forte na sua caminhada pela formação de uma sociedade mais crítica e humana capaz de criar uma outra e nova história mais aprazível para todos!
Também tomo a liberdade de registrar a sua presença no IV Simpósio sobre Imigração e Cultura Alemãs na Grande Florianópolis e agradeço-lo por isso, um grande abraço!
Atenciosamente, Genesi Prediger.”

Carta dos pais ao secretário
29 de junho de 2011

Uma nova carta ao Secretário da Educação estásendo enviada pela COMISSÃO DE PAIS PRO FINALIZAÇÃO DA GREVE DOS PROFESSORES. Veja seu conteúdo:
“Com. 001/2011-CPPFGP
Florianópolis, 29 de junho de 2001.

Senhor Secretário

Cansados da não solução do problema relativo à greve dos professores que afeta, única e exclusivamente, as crianças de Santa Catarina e, em função de não estar sendo observado preceito constitucional, no que se refere ao direito à Educação, passamos a explicitar as nossas angústias:
1- A Educação, direito do cidadão brasileiro que está incluso em nossa Carta Magna, mais precisamente em seu Art.5º , sendo obrigação do Estado ofertar Educação gratuita e de qualidade, tal não está sendo cumprido nem mesmo oferecido à população;
2- O direito à Greve, também incluso na nossa Constituição deve ser exercido sem prejuízo à população, o que não está ocorrendo, causando prejuízos imensos na formação dos alunos da Rede Estadual de Educação;
3- Os entes políticos, CONDUZIDOS AO CARGO PELO POVO devem DEFENDER os interesse do Povo, criando mecanismos ou situações que permitam a realização de políticas públicas, o que, novamente, não esta ocorrendo;
4- A realidade hoje de nosso Estado, no que se refere à Greve por omissão ou falta de sensibilidade do Governo do Estado ou do Sinte, ainda não foi solucionada, CAUSANDO PREJUÍZOS IMENSOS a Educação de Santa Catarina, que já não é uma das melhores de nosso País;
5- O prejuízo educacional é imensurável devendo haver a sensibilidade dos entes envolvidos(Governo e Sinte) para que cessem os efeitos maléficos de tal greve para as crianças de Santa Catarina, sendo fundamental a finalização da mesma;
6- Sem deixar de mencionarmos os profundos e graves impactos financeiros, sociais e psicológicos que sofrem as famílias dos alunos que estão sem aulas;
7- Resumindo: chega de falta de sensibilidade ou competência dos entes envolvidos neste processo doloroso para todos, mas principalmente para as crianças de Santa Catarina.
Em suma, após tais colocações, os Pais da Comissão, exigem que sejam respeitados os ditames da nossa Constituição Federal e que se, não existe sensibilidade por parte dos entes envolvidos, NÓS, PAIS TEMOS ESTA SENSIBILIDADE e faremos o que for necessário com tratativas ou movimentações judiciais para resolver esta questão.
Exigimos uma audiência com o ilustre Secretário, que por ser ente político, não se pode furtar a receber tal Comissão.
Estaremos na SED no dia 01 de julho à tarde e temos a certeza de que seremos recebidos de qualquer maneira por este administrador público..”

Heróis anônimos
30 de junho de 2011

“Quem são estes loucos que largam as suas famílias, o conforto dos seus lares, as suas cidades, os seus amigos e os seus locais de trabalho em prol de um ideal? Seriam estes professores realmente racionais? Quem são estes anônimos que estão acampados na frente da Secretaria de Educação? Loucos por estar lutando de forma desesperada, enfrentando o frio, a chuva, a insegurança, o medo e a angustia. Como podem acampar a céu aberto, comer marmita fria e ficar tanto tempo sem banho? Onde está o governo diante de tantos anônimos, que lutam com todas as suas forças para que o Estado reconheça a aplicação de uma lei? Onde encontram tanta força para suportar um deslocamento de aproximadamente 600 km? Estes professores aprendem e ensinam a resistir e enfrentar sempre as dificuldades, mesmo que pareçam intransponíveis. A paciência é uma arma que está constantemente ao lado do educador. O governo se engana, se pensa que as intempéries obrigam ao herói a retornar para o seu lar. Acima de tudo encontra energia na luta pela causa. E a causa última, é a valorização da carreira, sem perda de direitos conquistados arduamente em batalhas anteriores. São estes professores heróis por ensinarem que não devemos nunca desistir dos nossos ideais, que não devemos recuar diante das injustiças praticadas por governos negligentes em relação a educação. Serão estes educadores loucos, por acreditar que é pela educação que ocorre a transformação da sociedade.
Professor João Gabriel Rempel.”

O mágico de Oz

30 de junho de 2011

“Um dia a mais, uma semana a mais e paciência de menos!
Leio as manchetes e fico como um boneco “João Bobo” sorrio, entristeço, sorrio, entristeço!… Parece loucura, em uma mesma semana as coisas andam pra frente e pra trás, pra frente a pra trás. Fico pensando… Estou insana ou o mundo enlouqueceu!
No início a greve lembrou-me uma história poética, poética, gloriosa, por idéias e ideais! Agora parece uma fábula louca! Não somos Dom Quixotes! Somos “Dorothys” perdidos em um mundo louco e tentando voltar pra casa, nesse caso para as escolas, e nem temos sapatos mágicos.
Temos sim, um leão, no caso, Colombo, um homem muito bom em falar em público, convencendo e persuadindo pessoas sobre suas idéias antes das eleições, mas que na hora de tomar uma atitude provou não ser realmente como parecia, vive viajando e nunca está para negociar ou decidir; Um espantalho sem cérebro, esse representa nosso secretário de educação, que até agora so soube colocar os pés pelas mãos, nunca vi uma pessoa tão desinformada do cargo que ocupa. E, por fim, o Homem de Lata, sem coração representado por Eduardo, nosso vice-governador, esse, fica lá na sombra sem sujar seu partido ou suas mãos! Não está nem ai! Vou poupar Deschamps, mal ou bem tem trabalhado, e muito. As bruxas do oeste e do leste podem ser Luiz Henrique e Paulo Bauer, que tem uma grande responsabilidade em toda essa poca vergonha. Tem uma bruxa da ilha que não tem em Oz, mas existe em Florianópolis, amedrontando diretores e assistentes de educação. Preciso citar o nome?
É isso, estamos todos perdidos, nas mãos de pessoas que não estão nem ai! E ainda vem com discurso de preocupação com alunos catarinenses e pressa de volta as aulas, ou de estar aberto ao diálogo, quando recorre na ação de ilegalidade da greve afirmando que é um precedente ináceitavel!. Alguém mais acredita? Para!
E parece que está tudo normal, os presos fogem vira escandalo. Marcha em favor da legalização da maconha, manchete. Neve em todos os jornais. Milhares de alunos em casa, uma sequência de desmandos, trapalhadas, reuniões marcadas que não acontecem, decições não decididas… E? Nada!
O que temos que fazer para que essa situação se resolva? uma fuga em massa? Sair pelas ruas defendendo algo que escandalize as pessoas mais tradicionais? Nevar não dá! Já fizemos cartas, e-mails, monções, passeatas, panelaços, recorremos a justiça, missas, velas, bençãos…. E? Nada.
Esqueci-me de um personagem, tão importante quanto a Dorothy, o mágico! É isso precisamos encontrar um mágico! Urgente!
Patricia dos Reis da Silva.”

Se

30 de junho de 2011

Do internauta Pedro Paulo de Miranda, via e-mail: “Considerando os últimos “solavancos” desta insólita “viagem” gostaria de compartilhar o poema de Rudyard Kipling (1865 – 1936).

Se

Se és capaz de manter a calma quando

Todo o mundo ao redor já a perdeu e te culpa;

De crer em ti quando estão todos duvidando,

E para esses, no entanto achar uma desculpa;

Se és capaz de esperar sem te desesperares,

Ou, enganado, não mentir ao mentiroso,

Ou, sendo odiado, sempre ao ódio te esquivares,

E não parecer bom demais, nem pretensioso;

Se és capaz de pensar – sem que a isso só te atires;

De sonhar – sem fazer dos sonhos os teus senhores;

Se encontrando a desgraça e o triunfo conseguires

Tratar da mesma forma a esses dois impostores;

Se és capaz de sofrer a dor de ver mudadas

Em armadilhas as verdades que dissestes,

E as coisas, por que deste a vida, estraçalhadas,

E refazê-las com o bem pouco que te reste;

Se és capaz de arriscar numa única parada

Tudo quanto ganhastes em toda a tua vida,

E perder e, ao perder, sem nunca dizer nada,

Resignado, tornar ao ponto de partida;

De forçar coração, nervos, músculos, tudo,

A dar seja o que for que neles ainda existe,

E a persistir assim quando, exausto, contudo

Resta à vontade em ti que ainda ordena: “Persistes”!;

Se és capaz de, entre a plebe, não te corromperes

E, entre reis, não perder a naturalidade,

E de amigos quer bons, quer maus, te defenderes,

Se a todo podes ser de alguma utilidade,

Se és capaz de dar, segundo por segundo,

Ao minuto fatal todo o valor e brilho,

Tua é a terra com tudo o que existe no mundo

E o que é mais – tu serás um homem, ó meu filho!

Heróis anônimos

30 de junho de 2011

“Quem são estes loucos que largam as suas famílias, o conforto dos seus lares, as suas cidades, os seus amigos e os seus locais de trabalho em prol de um ideal? Seriam estes professores realmente racionais? Quem são estes anônimos que estão acampados na frente da Secretaria de Educação? Loucos por estar lutando de forma desesperada, enfrentando o frio, a chuva, a insegurança, o medo e a angustia. Como podem acampar a céu aberto, comer marmita fria e ficar tanto tempo sem banho? Onde está o governo diante de tantos anônimos, que lutam com todas as suas forças para que o Estado reconheça a aplicação de uma lei? Onde encontram tanta força para suportar um deslocamento de aproximadamente 600 km? Estes professores aprendem e ensinam a resistir e enfrentar sempre as dificuldades, mesmo que pareçam intransponíveis. A paciência é uma arma que está constantemente ao lado do educador. O governo se engana, se pensa que as intempéries obrigam ao herói a retornar para o seu lar. Acima de tudo encontra energia na luta pela causa. E a causa última, é a valorização da carreira, sem perda de direitos conquistados arduamente em batalhas anteriores. São estes professores heróis por ensinarem que não devemos nunca desistir dos nossos ideais, que não devemos recuar diante das injustiças praticadas por governos negligentes em relação a educação. Serão estes educadores loucos, por acreditar que é pela educação que ocorre a transformação da sociedade.
Professor João Gabriel Rempel.”

Quarenta professores de várias regiões do estado estão montaram acampamento no início da noite de hoje, na frente da Secretaria Estadual de Educação (SED), no centro de Florianópolis.

Dez barracas foram montadas na frente da SED, logo após manifestação da categoria que, com panelaço e apitaço, percorreu o centro de Florianópolis.

A ocupação foi pacífica e conta com apoio de entidades sociais de Santa Catarina.

O acampamento é mais um protesto dos trabalhadores em Educação contra medida do Governo Raimundo Colombo de retirar direitos do magistério.

Lincoln, 1830: Carta de um pai

1 de julho de 2011

Enviada por Iara Nicolau, via e-mail, segue na íntegra:

Carta de um pai, ao professor de seu filho, em 1830.

“Caro professor, ele terá de aprender que nem todos os homens são justos, nem todos são verdadeiros, mas por favor diga-lhe que, para cada vilão há um herói, que para cada egoísta, há também um líder dedicado, ensine-lhe por favor que para cada inimigo haverá também um amigo, ensine-lhe que mais vale uma moeda ganha que uma moeda encontrada, ensine-o a perder, mas também a saber gozar da vitória, afaste-o da inveja e dê-lhe a conhecer a alegria profunda do sorriso silencioso, faça-o maravilhar-se com os livros, mas deixe-o também perder-se com os pássaros no céu, as flores no campo, os montes e os vales.
Nas brincadeiras com os amigos, explique-lhe que a derrota honrosa vale mais que a vitória vergonhosa, ensine-o a acreditar em si, mesmo se sozinho contra todos.
Ensine-o a ser gentil com os gentis e duro com os duros, ensine-o a nunca entrar no comboio simplesmente porque os outros também entraram.
Ensine-o a ouvir todos, mas, na hora da verdade, a decidir sozinho, ensine-o a rir quando estiver triste e explique-lhe que por vezes os homens também choram.
Ensine-o a ignorar as multidões que reclamam sangue e a lutar só contra todos, se ele achar que tem razão.
Trate-o bem, mas não o mime, pois só o teste do fogo faz o verdadeiro aço, deixe-o ter a coragem de ser impaciente e a paciência de ser corajoso.
Transmita-lhe uma fé sublime no Criador e fé também em si, pois só assim poderá ter fé nos homens.
Eu sei que estou pedindo muito, mas veja o que pode fazer, caro professor.”
Abraham Lincoln, 1830-Presidente dos Estados Unidos.”

Quando enfrento situações difíceis na minha vida, busco consolo em Deus, na minha família e também em um livrinho que tenho: é daqueles de se carregar no bolso,mas abro à esmo e , hoje abri nesta mensagem que gostaria de compartilhar com todos os meus colegas professores , porque acredito que a angústia que sinto neste momento deva ser a mesma deles…

” Você é capaz.
Acredite em si mesmo. Nas suas próprias forças. Nas possibilidades que tem.
Tudo em você é feito para agir e vencer. Por isso, não tema. Não vacile. Não descreia de si mesmo.
Olhe para dentro de si. Você é forte. Sua inteligência desvenda mistérios.Soluciona problemas.
Há uma luz dentro de você suficiente para iluminar o mundo.
VOcê tem tudo para ser feliz. Não se deixe abater.
Deus é tão capaz que fez você uma criatura única no mundo.”
Lourival Lopes ( Gotas de esperança)

Firmes meus queridos colegas…não estamos sozinhos!!!
A luta faz parte do nosso cotidiano…sempre fez !!!
Forte abraço.
Prof.ª Juciney
Araranguá- que ainda permanece unida na greve!!!!

ESSA É A SITUAÇÃO EM QUE VIVI NO PAIS E ESTADO DE SC.

Renato RussoVamos celebrar

A estupidez humana
A estupidez de todas as nações
O meu país e sua corja
De assassinos
Covardes, estupradores
E ladrões…

Vamos celebrar
A estupidez do povo
Nossa polícia e televisão
Vamos celebrar nosso governo
E nosso estado que não é nação…

Celebrar a juventude sem escolas
As crianças mortas
Celebrar nossa desunião…

Vamos celebrar Eros e Thanatos
Persephone e Hades
Vamos celebrar nossa tristeza
Vamos celebrar nossa vaidade…

Vamos comemorar como idiotas
A cada fevereiro e feriado
Todos os mortos nas estradas
Os mortos por falta
De hospitais…

Vamos celebrar nossa justiça
A ganância e a difamação
Vamos celebrar os preconceitos
O voto dos analfabetos
Comemorar a água podre
E todos os impostos
Queimadas, mentiras
E seqüestros…

Nosso castelo
De cartas marcadas
O trabalho escravo
Nosso pequeno universo
Toda a hipocrisia
E toda a afetação
Todo roubo e toda indiferença
Vamos celebrar epidemias
É a festa da torcida campeã…

Vamos celebrar a fome
Não ter a quem ouvir
Não se ter a quem amar
Vamos alimentar o que é maldade
Vamos machucar o coração…

Vamos celebrar nossa bandeira
Nosso passado
De absurdos gloriosos
Tudo que é gratuito e feio
Tudo o que é normal
Vamos cantar juntos
O hino nacional
A lágrima é verdadeira
Vamos celebrar nossa saudade
Comemorar a nossa solidão…

Vamos festejar a inveja
A intolerância
A incompreensão
Vamos festejar a violência
E esquecer a nossa gente
Que trabalhou honestamente
A vida inteira
E agora não tem mais
Direito a nada…

Vamos celebrar a aberração
De toda a nossa falta
De bom senso
Nosso descaso por educação
Vamos celebrar o horror
De tudo isto
Com festa, velório e caixão
Tá tudo morto e enterrado agora
Já que também podemos celebrar
A estupidez de quem cantou
Essa canção…

Venha!
Meu coração está com pressa
Quando a esperança está dispersa
Só a verdade me liberta
Chega de maldade e ilusão
Venha!
O amor tem sempre a porta aberta
E vem chegando a primavera
Nosso futuro recomeça
Venha!
Que o que vem é Perfeição!…

Vamos celebrar
A estupidez humana
A estupidez de todas as nações
O meu país e sua corja
De assassinos
Covardes, estupradores
E ladrões…

Vamos celebrar
A estupidez do povo
Nossa polícia e televisão
Vamos celebrar nosso governo
E nosso estado que não é nação…

Celebrar a juventude sem escolas
As crianças mortas
Celebrar nossa desunião…

Vamos celebrar Eros e Thanatos
Persephone e Hades
Vamos celebrar nossa tristeza
Vamos celebrar nossa vaidade…

Vamos comemorar como idiotas
A cada fevereiro e feriado
Todos os mortos nas estradas
Os mortos por falta
De hospitais…

Vamos celebrar nossa justiça
A ganância e a difamação
Vamos celebrar os preconceitos
O voto dos analfabetos
Comemorar a água podre
E todos os impostos
Queimadas, mentiras
E seqüestros…

Nosso castelo
De cartas marcadas
O trabalho escravo
Nosso pequeno universo
Toda a hipocrisia
E toda a afetação
Todo roubo e toda indiferença
Vamos celebrar epidemias
É a festa da torcida campeã…

Vamos celebrar a fome
Não ter a quem ouvir
Não se ter a quem amar
Vamos alimentar o que é maldade
Vamos machucar o coração…

Vamos celebrar nossa bandeira
Nosso passado
De absurdos gloriosos
Tudo que é gratuito e feio
Tudo o que é normal
Vamos cantar juntos
O hino nacional
A lágrima é verdadeira
Vamos celebrar nossa saudade
Comemorar a nossa solidão…

Vamos festejar a inveja
A intolerância
A incompreensão
Vamos festejar a violência
E esquecer a nossa gente
Que trabalhou honestamente
A vida inteira
E agora não tem mais
Direito a nada…

Vamos celebrar a aberração
De toda a nossa falta
De bom senso
Nosso descaso por educação
Vamos celebrar o horror
De tudo isto
Com festa, velório e caixão
Tá tudo morto e enterrado agora
Já que também podemos celebrar
A estupidez de quem cantou
Essa canção…

Venha!
Meu coração está com pressa
Quando a esperança está dispersa
Só a verdade me liberta
Chega de maldade e ilusão
Venha!
O amor tem sempre a porta aberta
E vem chegando a primavera
Nosso futuro recomeça
Venha!
Que o que vem é Perfeição!…

“Você pode desmoralizar o inimigo e fazer o seu general perder o
ânimo. Normalmente, no começo de guerra, o espírito do inimigo é
agudo e irresistível. Um certo período depois, recusará e afrouxará.
Nas fases finais da guerra, ficará fraco, e os soldados estarão sem
ânimo para lutar.
O chefe hábil sempre evita o inimigo quando o moral dele é alto e
irresistível e o ataca quando ele está cansado e relutante em lutar.
Esta é a regra para administrar o moral.”

A Arte da Guerra – Sun Tzu

Coragem e avante!!!

Escutar o hino do estado nesta situação machuca…
http://www.youtube.com/watch?v=pNSIUmwwPjc&feature=related

Ao ler o comentário do profº João Gabriel Rempel, sobre a exaustão que uma greve provoca, veio em minha memória uma canção que lembra-me quando iniciei o curso de Magistério (E.M.), ela emocionou à todos que estavam entendendo o que seria e a importância de sua profissão…

Essa canção segue para dar mais força aos colegas de magistério que estão acampados, para que juntos não desistamos de nossos direitos e sonhos…e que no FUNDO DE NOSSOS CORAÇÕES EXISTE UM ESTUDANTE SEDENTO POR CONHECIMENTO E SABEDORIA!

CORAÇÃO DE ESTUDANTE

Milton Nascimento
Composição: Wagner Tiso / Milton Nascimento

Quero falar de uma coisa
Adivinha onde ela anda
Deve estar dentro do peito
Ou caminha pelo ar

Pode estar aqui do lado
Bem mais perto que pensamos
A folha da juventude
É o nome certo desse amor

Já podaram seus momentos
Desviaram seu destino
Seu sorriso de menino
Quantas vezes se escondeu

Mas renova-se a esperança
Nova aurora, cada dia

E há que se cuidar do broto
Pra que a vida nos dê
Flor flor o o e fruto

Coração de estudante
Há que se cuidar da vida
Há que se cuidar do mundo
Tomar conta da amizade

Alegria e muito sonho
Espalhados no caminho
Verdes, planta e sentimento
Folhas, coração,
Juventude e fé.

Profª Danieli

15 de julho de 2011 às 6:01 pm
O PRIMEIRO PASSO ( Cristian Ribas )

Por favor, Educação!!!
Sempre o mesmo discurso,
Que somos o “país do futuro”,
Vendendo falsas esperanças
Pra nossas nobres crianças
Que são esquecidas o descaso.
Só há um caminho,
Um valoroso destino,
Pra nossa amada nação.
Isso, é claro, se dermos as mãos,
Pararmos de rir da corrupção,
Levar às ruas nossa indignação.
Só a Educação pra compreendermos
O imenso tempo que perdemos,
Entre festas vazias,
Imensas romarias,
Pedindo a Deus que faça o trabalho dos governantes.
Comecemos nós o que eles não fizeram antes.
Se não sabemos votar,
Nos resta trabalhar.
Descobrir o valor da Cidadania,
Acabar com apatia,
Romper o individualismo
Que domina o capitalismo
De nossos dias.
Por favor, Educação!!!
Chega de Fome Zero!!!
É emprego que eu quero!!!
Chega de bolsa escola,
Chega de bolsa esmola,
Tornando os pobres dependentes
De um regime vigente.
Precisamos despertar a caridade,
Espalhar o amor pela cidade,
Resgatar a dignidade,
Daqueles que foram esquecidos.
Criar oportunidades,
Buscar possibilidades,
Dividir o que sabemos,
E não dar somente o que comemos.
Temos que ensinar,
Para que possam andar com as próprias pernas,
E não dar de mão beijada,
Ensinando somente a mendigar…
Por favor, Educação!!!
Um livro, no lugar da televisão…
Não é coincidência,
O aumento da violência.
É falta de consciência,
Assumir a deficiência,
De tudo o que negamos e não fizemos.
Por favor, Educação!!!
A hora é agora,
De darmos as mãos,
Descruzar os braços
E darmos juntos,
O primeiro passo.

PROFESSORA RAQUEL LIMA – LAGES

“ LUTA ENTRE PROFESSORES E GOVERNO

A LUTA CONTINUA
DESTA VEZ EM SANTA CATARINA
GREVE DOS PROFESSORES ESTADUAIS DURA MAIS DE 40 DIAS.
Como mãe venho pedir para que divulguem a falta de vergonha, de ética, de moralismo, de respeito do GOVERNO DE SANTA CATARINA e tambem dos PROFESSORES DO ESTADO para com seus alunos. A mais de 40 dias estao sem aula.
******* Cade o MINISTERIO DA EDUCAÇÃO que tanto tempo perdeu em fazer um video contra a Homofobia, contra preconceito sexual.... Nessa hora nao podem fazer nada com relação a fazerem essa pouca vergonha acabar ????
As crianças que deveriam estar nas escolas aprendendo estao ou na casa de parentes, avós, ou sozinhas em casa.... SIM SOZINHAS EM CASA.... Por que os pais precisam trabalhar, ..................
Gostaria de pedir aqui ao conselho TUTELAR, agora nao tem como interferir ????
Ministerio da Educação, nao tem como intervir ????
Ministros do BRASIL, de todos os setores, JUIZES de SANTA CATARINA, DEPUTADOS, SENADORES, VEREADORES nao tem como intervir ???? O POVO VOTOU EM VOCÊS.........
NAO PODEM CRUZAR OS BRAÇOS . e dizer que não é com vocês......
As crianças sao o FUTURO DA NAÇÃO......
Nos Estados Unidos, as crianças tem aula o dia todo.... Tem um grande aprendizado e as nossas crianças nem aula tem.... Como chegaremos a ser país de PRIMEIRO MUNDO ???
Em nome dos CATARINENSES PAIS e MÃES peço ajuda para que seja tomada alguma providências.
Quantas mil crianças sem aula.
Quantas talvez nao tem como recuperar o ano letivo.
ACORDA BRASIL
ACORDA POVO CATARINENSE.
PROFESSORES PENSEM EM SEUS ALUNOS , eles nao tem culpa.
EXCELENTISSIMO SR. GOVERNADOR, QUE ESTAVA VIAJANDO QUANDO ESSA BAGUNÇA COMEÇOU. VOLTOU E NAO COLOCOU ORDEM NA CASA......... De nada adianta buscar la fora ideias magnificas. Auxilio para construção de obras e tudo mais...... A grama do vizinho é sempre mais verde.....
TEMOS CONDIÇÕES DE SER TUDO ISSO AQUI..... MINHA SANTA CATARINA TEM DE TUDO.
É UM POVO EDUCADO, DE LUTA , DE EXEMPLO, SOMOS REFERENCIA ........
ISSO NÃO PODE ACONTECER ................................
Nome : Mãe
Luta : Filhos tenham aula
Objetivo: Que sejam alguém na vida
Sonho : Vê-los formados excercendo com dignidade uma profissão.”

Maria Bernadete
Olá Sra. Bernadete
Recebi o e-mail com sua indignação sobre a situação da educação do estado de Santa Catarina. Já li e-mails sobre esta situação, mas este eu resolvi responder, pois talvez minha indignação também já tenha chegado ao limite.
Sou professora grevista e quero que saibam meu ponto de vista também.
Quero iniciar pelo fim da sua escrita.
"Escreve senhora Bernadete:
Nome : Mãe
Luta : Filhos tenham aula
Objetivo: Que sejam alguém na vida
Sonho : Vê-los formados excercendo com dignidade uma profissão"
Com certeza, minha mãe ao ler este e-mail e encaminha-lo pra mim deve ter pensado muito sobre estes quatro itens.
Um dia, com certeza, minha mãe sonhou em ver sua filha formada e exercendo com dignidade uma profissão. Por este motivo batalhei durante 12 anos na educação básica. Conclui o ensino médio e ingressei no ensino superior da qual após cinco anos conquistei o diploma de licenciatura. Após este período fiz uma especialização na área da educação durante mais dois anos, e a pouco conclui a segunda especialização de mais dois anos. O professor está sempre estudando pois precisa mais do que tudo poder estar preparado para as mudanças e oferecer uma educação de qualidade da melhor maneira possível. Nesta batalha de poder realizar o sonho de minha mãe – assim como você - já se passaram 21 anos de estudo para poder agora ajudar a proporcionar, com muita responsabilidade, aos seus filhos uma escola com educação de qualidade, conhecimento, visão de mundo, perspectiva de futuro de profissionais realizados e que sejam reconhecidos pelo seu talento, importância e mais que tudo, sejam tratados com dignidade.
É, com certeza minha mãe sonhou e ainda sonha comigo que tudo isto aconteça.
Agora questiono os pais: quantos de vocês incentivam seus filhos para que sejam professores, passem sua vida estudando, se aperfeiçoando preocupados com o processo educativo que estão envolvidos? Qual é a dignidade de uma profissão que os alunos não respeitam porque os próprios pais, as vezes, não valorizam? Qual é a dignidade de uma profissão que os professores tem de trabalhar manhã, tarde e noite para conseguir manter suas famílias? Qual é a dignidade de uma profissão em que os próprios alunos e pais não compreendem que estamos em uma luta que busca direitos e busca o resgate desta dignidade?
Nós, professores, mais do que qualquer outro segmento, estamos muito incomodados com esta situação, e muito preocupados com nossos alunos. Não vemos a hora de podermos voltar às aulas, repor os dias parados e os conteúdos. Mas a luta não está sendo fácil. O governo tem a coragem de desviar (há muito tempo) o dinheiro que vem para a educação (para as escolas e para os professores) para outros fins. Como não podemos ficar indignados com esta situação. É inadmissível!!!!!!!!!!!! Por este motivo, pedimos a compreensão de todos os alunos, pais e toda a comunidade para que nos apóiem nesta luta em busca de nossos direitos e dignidade.
Assim quem sabe, minha mãe que também teve um sonho em ver a filha dela formada exercendo com dignidade uma profissão fique com o coração menos apertado, fique mais feliz e mais realizada, com orgulho da profissão escolhida pela sua filha.
Prof. Marcia Regina
E. E. B. Prof. Maria da Glória Pereira
Balneário Camboriú - SC

O fim dos professores

4 de julho de 2011

Enviado por vários colaboradores deste blog segue o texto sobre “O fim dos professores”:
“Se você acha que a educação é cara, tenha a coragem de experimentar a ignorância.”
Derek Bok, ex-presidente da Universidade de Harward

O FIM DOS PROFESSORES

O ano é 2.209 D.C. – ou seja, daqui a duzentos anos – e uma conversa entre avô e neto tem início a partir da seguinte interpelação:
– Vovô, por que o mundo está acabando?

A calma da pergunta revela a inocência da alma infante. E no mesmo tom vem a resposta:

– Porque não existem mais PROFESSORES, meu anjo.

– Professores? Mas o que é isso? O que fazia um professor?

O velho responde, então, que professores eram homens e mulheres elegantes e dedicados, que se expressavam sempre de maneira muito culta e que, muitos anos atrás, transmitiam conhecimentos e ensinavam as pessoas a ler, falar, escrever, se comportar, localizar-se no mundo e na história, entre muitas outras coisas. Principalmente, ensinavam as pessoas a pensar.

– Eles ensinavam tudo isso? Mas eles eram sábios?

– Sim, ensinavam, mas não eram todos sábios. Apenas alguns, os grandes professores, que ensinavam outros professores, e eram amados pelos alunos.

– E como foi que eles desapareceram, vovô?

– Ah, foi tudo parte de um plano secreto e genial, que foi executado aos poucos por alguns vilões da sociedade. O vovô não se lembra direito do que veio primeiro, mas sem dúvida, os políticos ajudaram muito. Eles acabaram com todas as formas de avaliação dos alunos, apenas para mostrar estatísticas de aprovação. Assim, sabendo ou não sabendo alguma coisa, os alunos eram aprovados. Isso liquidou o estímulo para o estudo e apenas os alunos mais interessados conseguiam aprender alguma coisa.

Depois, muitas famílias estimularam a falta de respeito pelos professores, que passaram a ser vistos como empregados de seus filhos. Estes foram ensinados a dizer “eu estou pagando e você tem que me ensinar”, ou “para que estudar se meu pai não estudou e ganha muito mais do que você” ou ainda “meu pai me dá mais de mesada do que você ganha”. Isso quando não iam os próprios pais gritar com os professores nas escolas. Para isso muito ajudou a multiplicação de escolas particulares, as quais, mais interessadas nas mensalidades que na qualidade do ensino, quando recebiam reclamações dos pais, pressionavam os professores, dizendo que eles não estavam conseguindo “gerenciar a relação com o aluno”. Os professores eram vítimas da violência – física, verbal e moral – que lhes era destinada por pobres e ricos. Viraram saco de pancadas de todo mundo.

Além disso, qualquer proposta de ensino sério e inovador sempre esbarrava na obsessão dos pais com a aprovação do filho no vestibular, para qualquer faculdade que fosse. “Ah, eu quero saber se isso que vocês estão ensinando vai fazer meu filho passar no vestibular”, diziam os pais nas reuniões com as escolas. E assim, praticamente todo o ensino foi orientado para os alunos
passarem no vestibular. Lá se foi toda a aprendizagem de conceitos, as discussões de idéias, tudo, enfim, virou decoração de fórmulas. Com a Internet, os trabalhos escolares e as fórmulas ficaram acessíveis a todos, e nunca mais ninguém precisou ir à escola para estudar a sério.

Em seguida, os professores foram desmoralizados. Seus salários foram gradativamente sendo esquecidos e ninguém mais queria se dedicar à profissão. Quando alguém criticava a qualidade do ensino, sempre vinha algum tonto dizer que a culpa era do professor. As pessoas também se tornaram descrentes da educação, pois viam que as pessoas “bem sucedidas” eram políticos e empresários que os financiavam, modelos, jogadores de futebol, artistas de novelas da televisão, sindicalistas – enfim, pessoas sem nenhuma formação ou contribuição real para a sociedade.

Ah, mas teve um fator chave nessa história toda. Teve uma época longa chamada ditadura, quando os milicos colocaram os professores na alça de mira e quase acabaram com eles, que foram perseguidos, aposentados, expulsos do país, em nome do combate aos subversivos e à instalação de uma república sindical no país. Eles fracassaram, porque a tal da república sindical se instalou, os tais subversivos tomaram o poder, implantaram uma tal de “educação libertadora” que ninguém nunca soube o que é, fizeram a aprovação automática dos alunos com apoio dos políticos… Foi o tiro de misericórdia nos professores. Não sei o que foi pior – os milicos ou os tais dos subversivos.
– Não conheço essa palavra. O que é um milico, vovô?
– Era, meu filho, era, não é.. Também não existem mais…”


Acampamento da educação
2 de julho de 2011

Professor Marcos Paulo de Barros, de Pouso Redondo, elaborou uma paródia da belissima canção “Cidadão”, de Zé Ramalho, que intitulou “Acampamento da educação”.aro Moacir gostariamos que o senhor postasse esta paródia no seu blog. Sou um leitor assíduo deste canal de comunicação.

Ta vendo aquele acampamento moço
Eu também acampo lá
Lá tem muitos professores
Que deixaram suas cidades
E vieram aqui protestar

Trazem consigo a esperança
De um povo que não se cansa
Mas me vem um cidadão
E me diz bem descarado
Seus direitos foram cortados
E o piso tá no chão

O meu estado tá perdido
São muitos pais entristecidos
Quantas aulas vão se perder
E pra aumentar a indiferença
Já mexeram na regência
Mas vão ter que devolver

Tá vendo aquela escola moço
Eu também trabalhei lá
Hoje sou aposentado
Com salário bem minguado
E o que me resta é protestar

Minha filha inteligente
Vem pra mim bem descontente
Pai! Não posso acreditar
Como pode um cidadão
Vencer bem uma eleição
E seu povo abandonar

Isso é querer a morte
De leste ao oeste
Do sul ao norte
Da educação, vocês podem crer.
Por isso estamos acampados
Representando nosso estado
E não vamos esmorecer.



OS QUE LUTAM

Há aqueles que lutam um dia; e por isso são muito bons.
Há aqueles que lutam muitos dias; e por isso são muito bons.
Há aqueles que lutam anos; e são melhores ainda.
Porém há aqueles que lutam toda a vida; esses são os imprescindíveis.

Bertold Brecht

Se tentaram matar os teus sonhos, sufocando o teu coração.
Se jogaram você numa cova, e ferido perdeu a visão.
Não desista não pares de crer, os sonhos de Deus jamais vão morrer.
Não desista não pares de lutar, não pares de adorar,Levantas teus olhos e vê,
Deus está restaurando os teus sonhos, e a tua visão…..
Recebe a cura recebe a unção, unção de osadia, unção de conquista, unção de multiplicão..
(canção de Pra.Ludmila Ferber)

Oração

4 de julho de 2011

Da professora Liliane, via e-mail, segue a oração,”inspirada no livro “Ágape”, do Padre Marcelo Rossi:

Senhor,
Eu tenho medo,
Medo da morte, do desespero, da perda.
Eu tenho medo da separação, da dor, do ócio

Senhor,
Eu já chorei, sofri, fiquei triste,
Me desesperei, indignei,
Continuo triste

Eu te peço os dons
Da alegria, da paciência, da perseverança, da esperança
Que os meu dias sejam iluminados por estes dons,
Que a tristeza não dure muito tempo.

Na separação, que eu aceite a saudade não o desespero
Nas perdas que eu ganhe aprendendo e ensinado.
Nos tombos, que eu ganhe levantando e caminhado junto com os meus,

Na morte que eu ganhe vivendo e amando!!!!

Senhor ouça minha oração.

Amém. ”

SINTE LANÇA NOTA DE ESCLARECIMENTO ATÉ O DIA 05/07/2011

A Coordenação Estadual do Sinte lançou a seguinte nota de esclarecimento:

“Aos companheiros e companheiras

Iniciamos uma jornada histórica para a categoria com a deflagração da greve estadual no dia 18 de maio com uma das maiores assembléias já realizadas pelos(as) trabalhadores(as) da educação do Estado de Santa Catarina.

Durante este período o comando de greve eleito pelas regionais esteve em reunião permanente avaliando o processo de negociação com o governo.

Neste sentido estamos encaminhando aos(às) companheiros(as) o histórico do processo de negociação.

No dia 07 de abril o Supremo Tribunal Federal julga o mérito da ação de Inconstitucionalidade da Lei do Piso impetrada pelo Estado de Santa Catarina declarando-a constitucional.

Antes da deflagração da greve o governo sinaliza com recursos no valor de R$ 700.000,00, após a deflagração da greve o valor aumenta para R$9.000.000,00, chegando ao valor de R$41.000.000,00 em janeiro.

1 – Em 11 de maio o governo reconhece o Piso como remuneração total (incluídas as vantagens pecuniárias) em desacordo com a lei e a decisão do STF do dia 06 de abril de 2011.

2 – Após a deflagração da greve o governo reconhece o Piso como vencimento básico, mas não reconhece sua aplicação na Carreira (Lei 1.139/92).

3 – O alto índice da greve fez o governo recuar e reconhecer que Piso é na Carreira, no entanto ao aplicá-lo altera a mesma e achata os níveis salariais transformado o Piso em teto salarial.

4 – A categoria não recua e a greve continua forte. Em função disto, o governo apresenta a descompressão da tabela incorpora os prêmios educar, jubilar e assiduidade, reduz as gratificações da carreira para 15% e as aulas excedentes para 2,5%.

5 – O pedido de ilegalidade da greve feito pelo governo é retirado em seguido pois pelo temor de perder na justiça.

6- Com o percentual de greve alto o governo propõe que as Gratificações passem de de 25% para quem atua nos anos iniciais, 17% para quem atua no EF e EM e os demais profissionais ficam com 15%Com início da recomposição em janeiro/12 e o término em dezembro/12.

7 –São descontados 23 dias de greve na folha de junho.

8 – O Governo substitui a MP enviada à ALESC. A nova MP reduz a referência das gratificações de todos os cargos comissionados da educação e as aulas excedentes ficam em 3%. Mas os lideres dos partidos, após a atuação do SINTE decidem não votar as MPs.

9 – O SINTE ganha na justiça a devolução dos dias descontados.

10– O Governo reabre o diálogo e apresenta a recomposição das gratificações integralmente em janeiro/12. O Comando insiste que sejam recompostas imediatamente e ocupa por algumas horas a sala de reuniões do Secretário até obter a resposta do Governo através do Sec. Adjunto.

11 – Com a negativa do Governo de pagar integralmente as gratificações o comando de negociação propõe que sejam pagas parceladas em 2011. O Governo assume o compromisso de estudar a possibilidade e de dar retorno ainda no final de semana.

12 – Em função da proposta do comando da última sexta-feira o governo marca audiência para o dia 03/07 na Casa D”Agronômica. Na audiência o Governador e o grupo gestor apresentam a proposta de pagar as gratificações em duas vezes, agosto/11 e janeiro/12 da seguinte forma: a gratificação que era 40% passará para 30% e a de 25% passará para 20% em agosto e as aulas excedentes passarão a 3,6% em agosto.Em janeiro de 2012 serão recompostas integralmente todas as gratificações.

13 – Ao reconhecer o Piso na Carreira, o governo reconhece também que vai pagar o reajuste do mesmo nos meses de janeiro de cada ano, conforme a lei 11738/2008.

14 – Propõe comissão paritária com início de estudos para restabelecer a tabela salarial com prazo de trabalho de 120 dias.

15 – Atende os demais itens da pauta de reivindicação negociados anteriormente como:

a. Remessa de projeto de lei para a ALESC para revisão das faltas da greve de 2008, e das paralisações posteriores a 2007;

b. Revisão do decreto 3593/2010, que trata da progressão funcional;

c. Revisão da lei 456/2009, (Lei dos ACTS);

d. Abono das faltas da greve atual mediante a apresentação do calendário reposição respeitando a autonomia das unidades escolares;

e. Realização de Concurso de Ingresso para a carreira do magistério em até 12 meses;

f. Estudo de viabilidade de aumento do Vale Alimentação.”




“Quando ao governo vence, quem ganha?”
13 de julho de 2011

“Quando o governo vence, quem ganha? Ninguém! É isso mesmo ninguém. Vencer tripudiando os trabalhadores da Educação, afundando ainda mais a Educação, enterrando o Plano de Carreira do Magistério resultante de décadas de lutas da categoria, não pode significar vitória, nem mesmo ao governo, neste caso o descrédito nos políticos e no governo só aumenta.

O que esperar de um professor em sala de aula desmotivado, sem perspectiva e humilhado? Nada! Ser professor é estar motivado e motivar. É ser fonte de inspiração, firmeza e orgulho. Não serei assim, voltando derrotado, desacreditado, sem esperança.

O que esperar dos professores que voltam nas condições indignas que o Colombo nos coloca? Hipocrisia. (como me afirmou um estudante esta semana: “Quero ver a cara de pau do Professor ao dizer para a turma (classe) que esta tudo bem e recomeçar a aula”) não quero passar por isso, não quero hipocritamente dizer está tudo bem.

O que dizer de um governo que não respeita a Lei do piso? Retira direito adquirido e ainda pretende criar outro plano de carreira de forma arbitraria para ajustar às pretensões orçamentárias do governo.

E o que nossa categoria esta fazendo para impedir? Retornando as aulas? Repondo aulas? É essa a saída? Acho que não!

Quem perde como essa situação? Todos! È isso mesmo! Todos perdemos! A comunidade escolar e conseqüentemente a sociedade.

Portanto, pelo amor de Deus unam-se professores, lutem, defendam o oficio, a educação de SC!

Certamente o governo está rindo desta divisão, pois o tempo todo apostou nesta realidade. Ainda há tempo! Somos inteligentes, precisamos encontrar uma solução.

Pois se permanecer assim, insisto, todos perderemos e muito. Prof. João Carlos Martins”

Considerações Finais
13 de julho de 2011

“Sou professora da rede estadual de ensino e fazer greve sempre foi contra meus princípios, mas minha adesão a esta greve, veio de encontro aos meus direitos e a qualidade do ensino do meu filho que estuda em escola pública. Hoje humildemente compreendo as palavras de Martin Luther King: “A greve é a linguagem dos que não são ouvidos”.

O movimento é desgastante emocionalmente, mas recompensador no aprendizado. Fazer parte, contribuir e participar efetivamente das manifestações foi algo indescritível. Raiva, prazer, impotência, amor, ódio, ansiedade, indignação, são algumas gamas do sentimento humano, vivenciadas num processo como este. Sentimentos estes, que compartilhei com meus familiares, amigos e com a sociedade. Mediante diversificadas informações e atitudes, tive momentos de fragilidade… mas me fortalecia com os bons exemplos de pessoas que foram imprescindíveis nesta caminhada. Minhas considerações finais:

- Ao Governador Serrano, faço das palavras dele, título de sua obra, as minhas:

“O povo tem rosto, nome e endereço” Raimundo Colombo

E acrescento… e tem Memória!

- Aos Educadores: Categoria somos todos nós!

“Querem meu sangue”
13 de julho de 2011

Uma nova contribuição musical a este blog é remetida pela professora Val. “Querem meu sangue”, de Jimmy Cliff, com versão de Nando Reis. Leiam a letra e depois curtam a música.



“Dizem que guardam um bom lugar pra mim no céu

Logo que eu for pro beleléu

A minha vida só eu sei como guiar

Pois ninguém vai me ouvir se eu chorar

Mas enquanto o sol puder arder

Não vou querer meus olhos escurecer

Se eles querem meu sangue

Terão meu o sangue só no fim

Se eles querem meu corpo

Só se eu estiver morto

Só assim

“Lute com determinação, abrace a vida com paixão, perca com classe e vença com ousadia. O mundo pertence a quem se atreve e a vida é muito para ser insignificante”. Charles Chaplin



- Aos Alunos e aos Pais:

Somos Professores, assumimos os nossos deveres, não abdicamos dos nossos direitos!

“Educar é minha vida, lutar foi minha atitude!”



- A Imprensa/Mídia: Credibilidade se conquista com imparcialidade e informações coerentes.

Aos que tiveram ética e profissionalismo meus parabéns! especialmente ao meu guru Moacir Pereira.

Mesmo contrariada, mas respeitando minhas limitações como ser humano, após 58 dias em greve, retorno de cabeça erguida para escola, por ter cumprido a árdua missão de ser coerente com a verdade e tentar requerer meus direitos como cidadã.

Quanto aos meus direitos… “Grandes Conquistas”? no meu entendimento estas faziam parte do processo. Agradeço a todos que contribuíram e tiveram o discernimento de compreender este movimento que foi em prol da EDUCAÇÃO! Meu muito obrigada!

“Se eu pudesse deixar algum presente à você,(…)

Lembraria os erros que foram cometidos

para que não mais se repetissem. (….)

Deixaria para você, se pudesse,

o respeito aquilo que é indispensável.

Além do pão, o trabalho. Além do trabalho, a ação.

E, quando tudo mais faltasse, um segredo:

o de buscar no interior de si mesmo a resposta

e a força para encontrar a saída.” Mahatma Gandhi

Lages(S.C.), 13 de julho de 2011. ANA PAULA RAMOS

Professora Serrana, Grevista e Solidária!”

O IMPACTO DO BLOG DO MOACIR NA GREVE DO MAGISTÉRIO 2011

Vídeos com as entrevistas feitas na Assembleia Estadual do dia 06 julho, sobre a influência do Blog do Moacir como ferramenta de mídia na Greve dos Professores de 2011.Vale a penas conferir, inclusive a entrevista dada por ele (Moacir), falando da sua visão sobre o movimento.





* Trabalho realizado pelo prof. Arnaldo Prudêncio - EEB Aderbal Ramos da Silva (Fpolis) e-mail: arpru@ig.com.br


13 de julho de 2011
PERDEMOS UMA BATALHA , MAS CONTINUAMOS NA LUTA E SE NECESSARIO E FARREMOS UMA GUERRA..

Assembléia aprova projeto - 13 de julho de 2011

A Assembléia Legislaativa acaba de aprovar o projeto salarial do magistério. Foram dados 26 votos a favor e 6 contra. O presidente Merisio nao votou. Dirce Heiderscheidt está viajando e Altair Guidi se abasteve.

A votação - 14 de julho de 2011

São muitos os comentários reproduzindo a lista de votos do PLC 026.
Segue a transcrição da lista:


Aldo Schneider (PMDB) Sim

Altair Guidi (PPS) Abstenção

Ana Paula Lima (PT) Não

Angela Albino (PCdoB) Não

Antônio Aguiar (PMDB) Sim

Carlos Chiodini (PMDB) Sim

Ciro Roza (DEM/PSD) Sim

Dado Cherem (PSDB) Sim

Darci de Matos (DEM/PSD) Sim


Dirce Heiderscheidt (PDDB) Ausente

Dirceu Dresch (PT) Não

Dóia Guglielmi (PSDB) Sim

Edison Andrino (PMDB) Sim

Elizeu Mattos (PMDB) Sim

Gelson Merisio (DEM/PSD)Sim

Gilmar Knaesel (PSDB) Sim


Ismael dos Santos (DEM/PSD) Ausente

Jailson Lima (PT) Não

Jean Kuhlmann (DEM/PSD) Sim

Joares Ponticelli (PP) Sim

Jorge Teixeira (DEM/PSD) Sim

José Milton Scheffer (PP) Sim - MARIDO DE PROFESSORA

José Nei Ascari (DEM/PSD) Sim

Kennedy Nunes (PP/PSD) Sim


Luciane Carminatti (PT) Não

Manoel Mota (PMDB) Sim

Marcos Vieira (PSDB) Sim

Mauricio Eskudlark (PSDB/PSD) Sim

Mauro de Nadal (PMDB) Sim

Moacir Sopelsa (PMDB) Sim

Narcizo Parisotto (PTB) Sim


Neodi Saretta (PT) Não

Nilson Gonçalves (PSDB) Sim

Padre Pedro Baldissera (PT) Não


Reno Caramori (PP) Sim

Romildo Titon (PMDB) Sim


Sargento Amauri Soares Não

Silvio Dreveck (PP) Sim

Valmir Comin (PP) Sim


Volnei Morastoni (PT) Ausente

Educação Colombo e as promessas de campanha

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